Pesquisa do Instituto Ideia aponta as mulheres mais lembradas pelos eleitores brasileiros

Dilma Rousseff, Michelle Bolsonaro e Marina Silva estão entre as mulheres mais lembradas quando o assunto é política brasileira, segundo o levantamento citado pelo Estadão. A pesquisa mostrou diferenças importantes entre as personalidades femininas, revelando quais nomes possuem maior reconhecimento entre os entrevistados e como figuras de diferentes campos ideológicos permanecem presentes no imaginário político nacional. Nesse cenário, a posição de Janja também despertou atenção, principalmente por sua atuação ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O levantamento ganhou relevância porque a lembrança de uma personalidade política não está necessariamente relacionada ao cargo que ela ocupa atualmente. Enquanto algumas das mulheres citadas já exerceram funções de grande destaque no Estado brasileiro, outras construíram influência por meio de partidos, movimentos sociais, atuação parlamentar ou proximidade com figuras centrais da política nacional. Por isso, os números ajudam a entender quais mulheres conseguiram consolidar uma imagem pública capaz de permanecer em evidência mesmo diante das mudanças no cenário político.
Além disso, a pesquisa permite observar como diferentes trajetórias produzem níveis distintos de reconhecimento. Michelle Bolsonaro, por exemplo, ampliou sua presença política depois de deixar a posição de primeira-dama, enquanto Dilma manteve notoriedade após ter ocupado a Presidência da República e Marina construiu uma trajetória associada principalmente à defesa do meio ambiente. Janja, por sua vez, passou a ter maior exposição nacional durante o terceiro mandato de Lula, mas sua presença política ainda está diretamente relacionada à atuação do presidente.
Dilma, Michelle e Marina aparecem entre as mais lembradas
Michelle Bolsonaro apareceu com 15,4% das menções na pesquisa sobre as mulheres consideradas mais poderosas da política brasileira. Janja ficou na segunda posição, com 9%, enquanto a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia registrou 4,5% das citações. Na sequência apareceram Dilma Rousseff, com 2,5%, Simone Tebet, com 2%, Erika Hilton, com 1,7%, e Marina Silva, com 1,5%.
Os números mostram uma vantagem expressiva de Michelle em relação às demais mulheres mencionadas no levantamento. Com 15,4%, a presidente do PL Mulher ficou 6,4 pontos percentuais à frente de Janja, que registrou 9%, enquanto Cármen Lúcia apareceu com exatamente metade do percentual alcançado pela atual principal liderança feminina do PL. Dessa forma, o resultado apontou para uma presença bastante significativa de Michelle no imaginário dos entrevistados, mesmo sem ela ocupar atualmente um cargo eletivo.
Michelle construiu essa posição principalmente a partir de sua atuação durante o governo de Jair Bolsonaro e da posterior participação na estrutura partidária do PL. Como presidente do PL Mulher, ela passou a desempenhar um papel mais ativo na mobilização de mulheres e na defesa das pautas do campo conservador, deixando de ser vista apenas como ex-primeira-dama. Por outro lado, Dilma Rousseff, com 2,5%, e Marina Silva, com 1,5%, apresentaram percentuais menores, embora suas trajetórias políticas tenham sido construídas ao longo de décadas.
Janja ficou em segundo lugar com 9% das menções
Janja apareceu com 9% das menções na pesquisa, ocupando a segunda posição entre as mulheres consideradas mais poderosas pelos entrevistados. O resultado colocou a primeira-dama 6,5 pontos percentuais acima de Cármen Lúcia, que registrou 4,5%, e 6,5 pontos à frente de Dilma Rousseff, que alcançou 2,5%. Assim, embora tenha ficado distante dos 15,4% obtidos por Michelle Bolsonaro, Janja apresentou um nível de lembrança superior ao de outras figuras femininas com longa trajetória institucional.
A presença de Janja na pesquisa está diretamente relacionada à visibilidade que ela passou a conquistar desde o retorno de Lula à Presidência. A primeira-dama participou de viagens internacionais, eventos oficiais, agendas sociais e iniciativas relacionadas às políticas públicas do governo, enquanto também passou a utilizar as redes sociais como ferramenta de comunicação política. Por consequência, sua imagem deixou de estar limitada ao papel tradicional de esposa do presidente e passou a ser associada a posições próprias em temas que considera relevantes.
Entretanto, o resultado também demonstra que a notoriedade de Janja possui características diferentes daquela construída por Michelle. Enquanto a primeira-dama está diretamente vinculada ao governo federal e à imagem de Lula, Michelle desenvolveu uma identidade política própria dentro do bolsonarismo e passou a ocupar uma posição estratégica no PL. Essa diferença ajuda a explicar por que as duas aparecem em posições de destaque, apesar de representarem projetos políticos completamente distintos.
Veja a porcentagem de cada mulher citada na pesquisa
A lista apresentada pelo levantamento ficou assim: Michelle Bolsonaro apareceu com 15,4%, Janja com 9%, Cármen Lúcia com 4,5%, Dilma Rousseff com 2,5%, Simone Tebet com 2%, Erika Hilton com 1,7% e Marina Silva com 1,5%. Portanto, Michelle liderou com uma vantagem de 6,4 pontos percentuais sobre Janja, enquanto a diferença entre Janja e Cármen Lúcia chegou a 4,5 pontos. Esses números evidenciam uma concentração importante das lembranças nas duas primeiras colocadas.
É importante observar que a pesquisa mediu a percepção dos entrevistados sobre quais mulheres possuem maior poder ou influência, e não uma intenção de voto para eleições futuras. Por isso, os percentuais não devem ser interpretados como uma disputa eleitoral entre essas personalidades, mas como uma fotografia da presença de cada uma no imaginário político brasileiro. Além disso, diferentes perguntas, metodologias e períodos de coleta podem produzir resultados diferentes, motivo pelo qual comparações entre levantamentos precisam ser feitas com cautela.
O resultado também revela como a política brasileira continua produzindo lideranças femininas com perfis muito diferentes. Michelle Bolsonaro aparece como uma das principais referências do campo conservador, Janja ganhou espaço por sua atuação junto ao governo Lula, Dilma permanece associada à Presidência da República, Marina mantém sua trajetória ligada principalmente à pauta ambiental, enquanto Cármen Lúcia representa uma das figuras femininas mais conhecidas do Judiciário. Assim, a pesquisa demonstra que a influência política feminina está distribuída entre diferentes instituições, correntes ideológicas e áreas de atuação.
Por fim, a presença de mulheres como Michelle, Janja, Dilma, Marina, Cármen Lúcia, Simone Tebet e Erika Hilton mostra que a participação feminina ocupa um espaço cada vez mais relevante no debate público brasileiro. Embora os percentuais sejam relativamente baixos para a maioria das citadas, o levantamento permite identificar quais nomes possuem maior reconhecimento quando os brasileiros são convidados a apontar espontaneamente mulheres de destaque na política. Dessa maneira, os 15,4% de Michelle, os 9% de Janja, os 4,5% de Cármen Lúcia, os 2,5% de Dilma, os 2% de Simone Tebet, os 1,7% de Erika Hilton e os 1,5% de Marina Silva formam um retrato interessante das diferentes faces da liderança feminina no país.





