Renan Santos disse que o varejo já enfrenta muitos problemas e que a situação poderá piorar

O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, voltou a criticar a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 durante uma sabatina realizada nesta quinta-feira (27). Segundo informações da Agência Estado, reproduzidas pelo UOL, o presidenciável classificou a mudança como uma pauta “perigosíssima, especialmente para o Brasil” e afirmou que a medida poderia provocar impactos relevantes sobre empresas de setores que dependem de contratação intensiva. A declaração colocou Renan Santos novamente em posição contrária a uma das principais propostas trabalhistas que ganharam espaço na campanha eleitoral de 2026.A manifestação ocorreu em um momento em que o fim da escala 6×1 avançou no Congresso Nacional e passou a ser tratado como uma das pautas prioritárias do governo Lula.
O relator da proposta no Senado, Omar Aziz, apresentou nesta quinta-feira seu parecer favorável à mudança, mantendo o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, que prevê a substituição do modelo atual por uma jornada de cinco dias de trabalho e dois de descanso. A proposta ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e, posteriormente, pelo plenário do Senado, onde deverá ser aprovada em dois turnos antes de uma eventual promulgação. Renan Santos argumentou que uma redução da jornada acompanhada da manutenção do salário poderia elevar os custos das empresas e aumentar dificuldades já enfrentadas por determinados setores da economia.
Durante a sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, ele citou problemas recentes envolvendo empresas como Habib’s, Raízen e Casas Bahia para sustentar sua avaliação. Na visão do candidato, uma mudança dessa magnitude precisaria ser analisada junto com questões fiscais, previdenciárias e trabalhistas que, segundo ele, já pressionam a economia brasileira.
Renan Santos critica fim da escala 6×1 e alerta para empresas
Ao explicar sua posição, Renan Santos afirmou que setores como varejo e outras atividades que dependem de grande quantidade de trabalhadores já enfrentam dificuldades. Para o candidato, a redução das horas trabalhadas sem uma diminuição correspondente dos salários poderia aumentar o custo da mão de obra e pressionar empresas que possuem margens de lucro mais estreitas. Dessa forma, ele considera que o fim da escala 6×1 não deveria ser tratado apenas como uma questão de qualidade de vida, mas também como uma mudança capaz de produzir consequências sobre preços, empregos e competitividade.
O presidenciável utilizou exemplos recentes do setor empresarial para reforçar sua argumentação. Ele mencionou o fechamento de unidades do Habib’s, o pedido de recuperação judicial da Raízen e a situação das Casas Bahia como sinais de que determinadas empresas já estariam enfrentando dificuldades para manter suas operações. Segundo o raciocínio apresentado por Renan, a adoção de uma jornada menor com manutenção dos salários poderia ampliar essas dificuldades, principalmente em segmentos que dependem de atendimento contínuo e de grandes equipes.
A discussão, entretanto, não se limita ao impacto sobre as empresas, pois envolve também as condições de trabalho de milhões de brasileiros. A escala 6×1 estabelece, na prática, seis dias de atividade para apenas um dia de descanso, modelo que há anos é criticado por movimentos sociais e entidades que defendem a redução da jornada. Por outro lado, setores empresariais e representantes políticos contrários à mudança argumentam que uma alteração sem período adequado de adaptação poderia elevar custos e dificultar contratações.
Fim da escala 6×1 ganha força no Congresso
A posição de Renan Santos foi apresentada justamente quando o fim da escala 6×1 ganhou novo impulso político em Brasília. O avanço ocorreu após um acordo envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que decidiram acelerar a tramitação de propostas consideradas importantes pelo governo antes das eleições. Entre essas medidas está a PEC que prevê a mudança da jornada semanal e que passou a ser tratada como uma das prioridades do Legislativo nas próximas semanas.
O texto analisado no Senado prevê uma transição para a redução da jornada semanal, com a primeira etapa estabelecendo 42 horas semanais e uma redução posterior para 40 horas. A proposta aprovada anteriormente pela Câmara também prevê a adoção de dois dias de descanso por semana, substituindo o modelo de seis dias trabalhados por um de folga. Portanto, caso o texto avance sem mudanças substanciais, o trabalhador brasileiro poderá passar por uma transformação significativa na organização da jornada de trabalho.
A tramitação ocorre em meio a uma disputa política sobre quem poderá assumir o protagonismo na defesa da medida. O governo Lula pretende apresentar o fim da escala 6×1 como uma conquista trabalhista durante a campanha eleitoral, enquanto setores da oposição questionam os custos e defendem alternativas que permitam maior negociação entre empresas e trabalhadores. Nesse cenário, a declaração de Renan Santos diferencia sua candidatura tanto do governo quanto de outros adversários que adotam posições mais favoráveis à redução da jornada.
Renan Santos defende mudança na legislação trabalhista
Além de criticar o fim da escala 6×1, Renan Santos defendeu uma reformulação mais ampla da legislação trabalhista brasileira. Durante a sabatina, o candidato afirmou que o país precisa discutir simultaneamente problemas fiscais, previdenciários e relacionados ao mercado de trabalho, argumentando que essas áreas estariam diretamente conectadas. Para ele, uma eventual mudança na jornada não deveria ser realizada isoladamente, sem uma análise dos efeitos sobre empresas, trabalhadores e contas públicas.
A proposta também revela uma das principais características da campanha de Renan Santos, que procura apresentar uma agenda econômica liberal e questionar mecanismos tradicionais da legislação trabalhista. O candidato já afirmou que pretende substituir a atual estrutura da Justiça do Trabalho por um modelo inspirado na Justiça Cível, além de defender alterações nas regras que regulam as relações entre empregados e empregadores. Essas posições deverão provocar debates durante a campanha, principalmente porque mexem em estruturas consolidadas do mercado de trabalho brasileiro. A declaração sobre a escala 6×1, portanto, deverá ter repercussão na disputa presidencial justamente por tocar em um tema que afeta diretamente a rotina de milhões de trabalhadores.
Enquanto Renan Santos alerta para possíveis consequências econômicas e defende cautela antes de uma mudança ampla, seus adversários sustentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida sem necessariamente provocar os efeitos negativos apontados pelo candidato. Com o assunto avançando no Congresso e ganhando espaço na campanha eleitoral, a discussão sobre trabalho, salários, produtividade e descanso deverá permanecer entre os temas centrais da eleição de 2026.





