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Arthur do Val, o ‘Mamãe Falei’, é denunciado pelo Ministério Público de São Paulo

Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por incitação ao crime após uma declaração publicada em seu canal no YouTube sobre a Operação Carbono Oculto. A denúncia foi apresentada pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, na terça-feira, 25 de agosto de 2026, e colocou novamente o ex-deputado estadual no centro de uma controvérsia judicial. Segundo o Ministério Público, a manifestação ultrapassou os limites de uma crítica política ou de uma opinião sobre uma investigação policial.

O caso teve origem em um vídeo publicado por Arthur do Val em novembro de 2025, quando ele comentava a operação deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro e à atuação do crime organizado. Durante a gravação, o ex-parlamentar afirmou que pessoas que lavassem dinheiro para organizações criminosas deveriam ser mortas, utilizando uma expressão considerada pelo MP como uma forma de incentivo à prática criminosa. A acusação sustenta que a fala poderia atingir pessoas que prestavam serviços aos investigados na operação, entre eles Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva.

A repercussão ganhou força porque Arthur do Val já possui um histórico político marcado por controvérsias e por uma cassação de mandato na Assembleia Legislativa de São Paulo. Desta vez, porém, o episódio não está relacionado a uma conduta parlamentar, mas ao conteúdo divulgado publicamente na internet e à interpretação jurídica dada pelo Ministério Público. A defesa ainda deverá apresentar sua versão, enquanto o próprio ex-deputado afirmou que não tinha conhecimento do processo e negou que tivesse pretendido estimular qualquer pessoa a cometer um crime.

Arthur do Val foi denunciado após declaração sobre a Operação Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto, mencionada por Arthur do Val no vídeo, investigou uma estrutura criminosa que, segundo as apurações do Ministério Público de São Paulo, teria movimentado mais de R$ 8,4 bilhões relacionados a infrações penais, enriquecimento ilícito e lavagem de capitais. De acordo com as investigações, mecanismos envolvendo fundos de investimento, administradoras e gestoras teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelos negócios e ocultar recursos. O grupo apontado na investigação seria liderado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”.

Foi nesse contexto que Arthur do Val publicou o vídeo que posteriormente se tornou objeto da denúncia criminal. Ao comentar os suspeitos e a atuação policial, o ex-deputado utilizou uma declaração extremamente contundente, defendendo que determinado perfil de criminoso deveria ser morto. Para o Ministério Público, entretanto, a afirmação não pode ser analisada apenas como uma manifestação genérica de indignação, pois teria incentivado a prática de violência contra pessoas relacionadas aos investigados.

A diferença entre crítica, opinião e eventual incitação criminosa deverá ser analisada dentro do processo, considerando o contexto completo da publicação e a intenção atribuída ao autor. Nesse sentido, a denúncia apresentada pelo MP não representa uma condenação, mas o início de uma etapa judicial na qual os fatos poderão ser examinados e a defesa terá oportunidade de contestar a acusação. Arthur do Val afirmou ao UOL que não foi citado e declarou que considerava inadequado tomar conhecimento de processos pela imprensa, sustentando ainda que apenas havia comentado uma operação oficial.

Ministério Público apontou possível incitação ao crime

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a declaração de Arthur do Val poderia ser interpretada como incentivo à prática de violência contra indivíduos ligados à investigação. A denúncia foi apresentada pelo promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, e agora o caso deverá seguir os procedimentos previstos para que a acusação seja analisada judicialmente. Caso a denúncia seja recebida, Arthur terá oportunidade de apresentar formalmente sua defesa e contestar os elementos apresentados pelo Ministério Público.

Outro ponto relevante é que o MP informou ter procurado Arthur do Val em diferentes endereços cadastrados para notificá-lo e ouvi-lo sobre o caso, mas ele não teria sido localizado. A defesa foi procurada pela imprensa e, até a publicação da reportagem da CNN Brasil, não havia apresentado manifestação. Portanto, a versão divulgada pelo próprio ex-deputado de que desconhecia o processo ganha importância para compreender a situação atual, mas não elimina as próximas etapas que poderão ser determinadas pela Justiça.

O episódio também reacende a discussão sobre os limites da liberdade de expressão nas redes sociais, especialmente quando manifestações públicas fazem referência à violência ou à eliminação física de pessoas. Embora críticas severas a operações policiais, autoridades e investigados sejam permitidas dentro do debate público, a eventual caracterização de uma conduta como incitação ao crime depende de uma análise jurídica específica, que deverá considerar o conteúdo, o contexto e as circunstâncias em que a mensagem foi divulgada. Assim, caberá ao Judiciário avaliar se a declaração atribuída a Arthur do Val efetivamente preenche os requisitos necessários para uma responsabilização criminal.

Histórico de Arthur do Val aumenta repercussão do novo caso

A nova denúncia também chama atenção porque Arthur do Val já havia enfrentado uma grave crise política em 2022, quando áudios com comentários sexistas sobre mulheres ucranianas provocaram forte reação pública. Naquele ano, a Assembleia Legislativa de São Paulo cassou seu mandato por quebra de decoro parlamentar, embora ele tenha renunciado ao cargo antes da conclusão do processo de cassação. Em julho de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido da defesa e manteve a cassação determinada pela Assembleia.

Agora, a situação é diferente porque a acusação apresentada pelo Ministério Público está relacionada a uma manifestação feita fora do exercício de um mandato parlamentar. O caso demonstra, portanto, como declarações feitas em plataformas digitais podem produzir consequências jurídicas quando ultrapassam determinados limites previstos na legislação. Enquanto a investigação sobre a Operação Carbono Oculto continua produzindo desdobramentos, Arthur do Val terá de enfrentar uma nova disputa judicial, desta vez relacionada diretamente ao conteúdo de uma publicação feita na internet.

A denúncia contra Arthur do Val deverá ser acompanhada com atenção porque envolve dois temas de grande interesse público: o combate ao crime organizado e os limites da liberdade de expressão. De um lado, investigações sobre estruturas bilionárias de lavagem de dinheiro exigem respostas firmes das instituições; de outro, acusações de incitação ao crime precisam ser examinadas com rigor jurídico para que uma opinião contundente não seja automaticamente confundida com uma conduta penalmente relevante. O desfecho do caso dependerá, portanto, da análise judicial dos fatos e dos argumentos que serão apresentados pelas partes ao longo do processo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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