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Renan Santos falou de suas propostas na sabatina da Globo, mas o ibope foi baixo

A bomba atômica de Renan Santos acabou se transformando em um dos principais assuntos da sabatina presidencial exibida pela Globo na noite de quarta-feira, 26 de agosto de 2026. A repercussão das declarações do candidato do Missão, no entanto, não se converteu em audiência para a emissora, que registrou o pior desempenho entre as entrevistas realizadas até aquele momento. Segundo dados divulgados pelo Notícias da TV, a atração marcou apenas 2,4 pontos de média na Grande São Paulo, ficando abaixo das sabatinas anteriores.

A entrevista havia sido cercada de expectativa porque Renan Santos vinha adotando uma estratégia de campanha baseada em declarações contundentes e propostas consideradas polêmicas. Durante a conversa com Renata Vasconcellos e César Tralli, ele defendeu que o Brasil deveria discutir a criação de armas nucleares, afirmou que pretendia endurecer o combate às organizações criminosas e também questionou a obrigação de cumprir determinadas decisões judiciais. Assim, embora a participação tenha provocado repercussão política e nas redes sociais, o interesse do público televisivo ficou abaixo do registrado nas entrevistas anteriores.

A baixa audiência também precisa ser analisada dentro do contexto da programação daquela noite, já que a sabatina foi exibida em horário diferente do inicialmente previsto por causa dos jogos das quartas de final da Copa do Brasil. A entrevista começou às 20h10, logo depois do Jornal Nacional, justamente para permitir que a emissora transmitisse posteriormente as partidas entre Palmeiras e Santos e Vasco e Vitória. Portanto, a mudança de horário e a concorrência esportiva podem ter contribuído para reduzir o público disponível para acompanhar a entrevista.

Bomba atômica de Renan Santos virou destaque da entrevista

A principal declaração de Renan Santos ocorreu quando ele foi questionado sobre sua defesa de que o Brasil desenvolvesse armas nucleares. O candidato argumentou que a posse de um arsenal dessa natureza aumentaria o poder de dissuasão brasileiro e ajudaria o país a conquistar maior peso nas relações internacionais, especialmente diante de grandes potências como Estados Unidos, Rússia, China e Índia. Segundo ele, caso o Brasil queira ocupar uma posição entre as cinco maiores nações do mundo, a soberania militar precisaria fazer parte desse projeto.

A proposta, entretanto, provocou questionamentos porque o Brasil está submetido a compromissos internacionais e a regras constitucionais relacionadas ao uso da energia nuclear. Renan defendeu que o país iniciasse pesquisas e um processo de longo prazo para desenvolver capacidade nuclear militar, embora tenha reconhecido que não haveria condições para produzir uma arma desse tipo imediatamente. Dessa maneira, a discussão apresentada pelo candidato não se limitou à criação de uma bomba, mas foi associada por ele a uma estratégia de soberania, projeção internacional e tentativa de ampliar a influência brasileira.

Além da questão nuclear, a sabatina foi marcada por declarações duras sobre segurança pública. Renan Santos afirmou que pretende declarar guerra ao crime organizado e defendeu medidas de exceção em regiões dominadas por facções, além de elogiar aspectos da política de segurança adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. O candidato também afirmou que policiais deveriam ter maior liberdade para enfrentar criminosos armados e apresentou a construção de grandes presídios como parte de sua proposta.

Sabatina de Renan Santos teve pior audiência da Globo

O desempenho de 2,4 pontos colocou a sabatina de Renan Santos abaixo das entrevistas anteriores realizadas pela Globo com os candidatos convidados. A emissora havia iniciado a série com Romeu Zema em 24 de agosto e, no dia seguinte, recebeu Ronaldo Caiado, enquanto Renan foi o terceiro entrevistado da sequência. A rodada havia sido organizada para apresentar ao público os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa da Quaest de 14 de agosto, com a ordem definida por sorteio.

A audiência baixa chama atenção porque a participação de Renan Santos teve forte repercussão fora da televisão. Nas redes sociais, trechos da entrevista foram amplamente comentados, especialmente aqueles relacionados à bomba atômica, ao combate às facções e à possibilidade de descumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal que o candidato considere ilegais. A repercussão digital, contudo, não significa necessariamente que milhões de pessoas tenham acompanhado a transmissão ao vivo, e o resultado do Ibope mostrou justamente essa diferença entre impacto nas redes e audiência tradicional.

Outro elemento importante foi o perfil da própria candidatura de Renan Santos. Sem o mesmo espaço de propaganda eleitoral gratuita disponível para partidos maiores, o candidato tem apostado em debates, entrevistas, vídeos para redes sociais e declarações de grande repercussão para ampliar seu reconhecimento nacional. Essa estratégia havia sido anunciada antes da entrevista, quando Renan indicou que pretendia explorar temas capazes de gerar forte reação dos eleitores e atingir diretamente Lula e Flávio Bolsonaro.

Bomba atômica de Renan Santos expôs estratégia eleitoral

O resultado da sabatina mostra que uma declaração politicamente explosiva pode produzir repercussão, mas não necessariamente garantir audiência televisiva. A bomba atômica de Renan Santos dominou boa parte da cobertura posterior porque representou uma proposta incomum no debate presidencial brasileiro, porém a audiência da Globo permaneceu em patamar considerado baixo para uma entrevista de candidato à Presidência. Ao mesmo tempo, a mudança de horário e a concorrência dos jogos da Copa do Brasil precisam ser consideradas antes de atribuir exclusivamente às declarações do candidato a queda de público.

Para a campanha de Renan, entretanto, a entrevista cumpriu outra função importante: colocou o candidato novamente no centro do debate eleitoral. Mesmo com apenas 4% das intenções de voto em levantamento citado pela imprensa, ele vem tentando ampliar sua presença pública justamente por meio de propostas controversas e ataques aos principais nomes da disputa. Agora, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro se preparavam para suas próprias sabatinas, o desempenho de Renan deixava uma questão aberta: a estratégia de provocar grande repercussão nas redes será suficiente para transformar notoriedade em crescimento eleitoral?

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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