Lula diz não se preocupar com dívida pública e rejeita vender Correios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista exibida na quinta-feira (27), que a dívida pública brasileira não está entre suas principais preocupações e defendeu que o crescimento da economia é um dos caminhos para melhorar a relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB). Durante a conversa com o “Jornal Nacional”, Lula comparou a situação brasileira com a de outras grandes economias e argumentou que um nível de endividamento elevado não necessariamente representa um problema quando o país consegue manter uma trajetória de crescimento. Para o presidente, a expansão da atividade econômica pode contribuir para reduzir gradualmente o peso da dívida em relação ao tamanho da economia.
Ao comentar o desempenho recente do país, Lula destacou que o Brasil voltou a apresentar taxas de crescimento superiores a 2% durante seu atual mandato. O presidente também relembrou o período em que encerrou seu segundo mandato, em 2010, quando o país registrou crescimento de 7,5%. Os números oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a economia brasileira avançou 2,9% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. A sequência, segundo o governo, demonstra uma recuperação da atividade econômica e serve de argumento para a avaliação de que o crescimento pode ter papel importante na condução das contas públicas nos próximos anos.
Lula também aproveitou a entrevista para falar sobre as condições encontradas no início de seu terceiro mandato. Segundo o presidente, sua equipe assumiu o governo com dificuldades para executar despesas previstas e sem recursos suficientes para algumas áreas consideradas prioritárias. Nesse contexto, ele citou a chamada PEC da Transição, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2022. A medida permitiu ampliar o limite de despesas do Orçamento de 2023 em até R$ 145 bilhões e foi apresentada como uma forma de garantir recursos para compromissos assumidos pelo novo governo. A avaliação sobre o cenário fiscal herdado, porém, continua fazendo parte do debate político e econômico em Brasília, especialmente diante das discussões sobre equilíbrio das contas públicas.
Outro ponto de destaque na entrevista foi o futuro dos Correios. Questionado sobre a situação financeira da estatal, Lula descartou a possibilidade de privatização caso seja reeleito e afirmou que pretende trabalhar para recuperar a empresa. A declaração ocorre em um momento de atenção sobre os resultados da companhia, que, conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, registrou prejuízo de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre deste ano, quase o dobro do resultado negativo observado no mesmo período de 2025. O cenário aumentou a pressão por mudanças na gestão e por medidas capazes de melhorar o desempenho operacional e financeiro dos Correios.
Apesar das dificuldades, Lula afirmou que a estatal ainda pode ser reorganizada e reconheceu que a empresa precisa acompanhar as transformações ocorridas no mercado. O presidente declarou que os Correios enfrentam problemas há décadas e admitiu que a companhia não conseguiu se adaptar completamente às novas demandas. Entre as alternativas mencionadas está a possibilidade de estabelecer associações com empresas privadas, caso isso seja considerado necessário para melhorar os serviços e os resultados. A estratégia defendida pelo governo, portanto, não prevê a venda da estatal, mas a busca por novos modelos de gestão e parcerias que possam contribuir para sua recuperação.
As declarações de Lula colocam dois temas importantes no centro da discussão nacional: o controle das contas públicas e o futuro de uma das empresas estatais mais conhecidas do país. De um lado, o presidente aposta no crescimento econômico como elemento capaz de ajudar na evolução da dívida pública; de outro, defende a permanência dos Correios sob controle estatal, mas admite que mudanças serão necessárias para enfrentar os desafios atuais. As posições apresentadas na entrevista devem continuar gerando debates entre governo, oposição, especialistas e mercado, principalmente à medida que se aproximam as discussões sobre o futuro econômico do Brasil e as escolhas que poderão orientar a administração federal nos próximos anos.





