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Em sabatina na Globo, Lula diz que Marcola errou quando pediu dinheiro a lobista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante a entrevista concedida à TV Globo que seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, errou ao receber dinheiro da lobista Roberta Luchsinger. Ao mesmo tempo, Lula declarou que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deverá responder pelos próprios atos caso seja comprovado que cometeu algum ilícito. As declarações foram dadas na quinta-feira, 27 de agosto, durante a sabatina do Jornal Nacional com o candidato à reeleição.

Lula foi questionado sobre as investigações da Polícia Federal que envolveram Lulinha, Roberta Luchsinger e Marcola, em um caso que passou a provocar repercussão durante a campanha eleitoral de 2026. Segundo as informações apresentadas durante a entrevista, Marcola recebeu R$ 249 mil da lobista, valor que, de acordo com a versão apresentada pelo ex-assessor, teria sido um empréstimo. Lula considerou inadequado que seu antigo auxiliar tivesse recorrido a uma pessoa que mantinha interesses relacionados ao governo, mas afirmou que o dinheiro não teria relação com recursos públicos.

Em relação a Lulinha, o presidente adotou uma postura semelhante àquela que vinha apresentando antes da entrevista e afirmou acreditar na inocência do filho. Lula classificou as acusações de tráfico de influência como ilações baseadas em conversas telefônicas e sustentou que, até aquele momento, não havia sido apresentada prova de desvio de dinheiro público ou de conversa de Lulinha com algum ministro. Ainda assim, afirmou que, caso seja comprovado algum crime, o filho deverá ser responsabilizado como qualquer outro cidadão brasileiro.

Lula diz que Marcola errou ao receber dinheiro de lobista

Ao falar sobre Marcola, Lula demonstrou descontentamento com a conduta do ex-chefe de gabinete e reconheceu que a decisão de receber dinheiro de Roberta Luchsinger foi um erro. O ex-assessor deixou o cargo após a repercussão das informações relacionadas à investigação, enquanto a origem e a finalidade dos valores passaram a ser analisadas pelas autoridades. Dessa maneira, Lula procurou separar a responsabilidade individual de Marcola de qualquer eventual envolvimento do governo federal no episódio.

A investigação colocou o nome de Marcola no centro das atenções porque ele ocupava uma função próxima ao presidente da República e mantinha contato com uma lobista que, segundo as apurações, buscava intermediar interesses empresariais junto a órgãos públicos. O pagamento de R$ 249 mil passou a ser considerado relevante pelos investigadores justamente por ocorrer em meio a relações que envolviam possíveis negócios com o governo. Marcola afirmou que se tratava de um empréstimo, mas a circunstância em que os valores foram recebidos passou a ser examinada pela Polícia Federal.

Além disso, as investigações apontaram que Roberta Luchsinger teria mantido relações com pessoas próximas ao governo e com o próprio Lulinha, enquanto empresas e interesses privados eram apresentados como parte das apurações. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal também investigou pagamentos e movimentações financeiras relacionados à lobista, incluindo despesas que teriam sido custeadas para pessoas próximas ao filho do presidente. Por isso, o caso ganhou dimensão política, embora as suspeitas ainda estejam sendo investigadas e não representem, por si só, uma condenação.

Lula afirmou que Lulinha pagará se tiver cometido algum ilícito

Ao responder sobre o filho, Lula afirmou que não pretende impedir uma eventual responsabilização caso algum crime seja comprovado. O presidente declarou que, se Fábio Luís tiver cometido qualquer ilícito, ele deverá pagar pelo que fez como qualquer cidadão brasileiro, ao mesmo tempo em que reafirmou sua convicção pessoal de que o filho é inocente. A posição apresentada durante a entrevista buscou estabelecer uma distinção entre a defesa política e familiar de Lulinha e a obrigação de permitir que as investigações prossigam.

As apurações, entretanto, envolvem suspeitas que vão além da relação pessoal entre Lulinha e Roberta Luchsinger, já que a Polícia Federal investiga possíveis negócios e articulações envolvendo empresas interessadas em contratos públicos. Um dos pontos investigados envolve pagamentos de quase R$ 3 milhões feitos entre 2023 e 2025 à empresa ligada à lobista, em contexto no qual teria havido interesse na obtenção de contratos com órgãos federais. As defesas dos envolvidos negam irregularidades e sustentam que as informações divulgadas não demonstram a prática de crimes.

O assunto ganhou ainda mais repercussão durante a sabatina porque Lula também negou conhecer Roberta Luchsinger, afirmação que posteriormente foi contestada por fotografias publicadas nas redes sociais da própria lobista. As imagens mostraram Lula ao lado de Luchsinger em ocasiões anteriores, fazendo com que a declaração sobre nunca tê-la visto passasse a ser questionada publicamente. Assim, a entrevista acabou produzindo dois focos distintos de repercussão, envolvendo tanto a investigação sobre pessoas próximas ao presidente quanto a relação pessoal que ele negou ter com a lobista.

Lula diz que Marcola errou enquanto investigação aumenta pressão eleitoral

A declaração de Lula sobre Marcola ocorreu em um momento de forte pressão política sobre o presidente, que disputa a reeleição em 2026 e tem enfrentado questionamentos relacionados às investigações envolvendo pessoas próximas ao governo. O caso de Lulinha passou a ocupar espaço relevante no debate eleitoral justamente porque envolve o filho do presidente e uma empresária que, segundo as investigações, teria buscado acesso e influência em assuntos relacionados à administração federal. Por consequência, qualquer nova informação sobre o caso tende a ser explorada pelos adversários de Lula durante a campanha.

Apesar da repercussão, é necessário separar suspeitas, investigações e provas definitivas, especialmente porque os procedimentos conduzidos pela Polícia Federal ainda precisam avançar antes que responsabilidades criminais sejam estabelecidas. Lula afirmou que não pretende interferir nas apurações e sustentou que ninguém deverá ser protegido por ocupar posição próxima ao presidente ou por fazer parte de sua família. Dessa forma, a declaração de que Lulinha pagará caso tenha cometido ilícitos passou a ser usada pelo presidente como demonstração de que eventuais responsabilidades deverão ser individuais, enquanto a investigação continua sob análise das autoridades competentes.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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