Na sabatina com Renata e Tralli, Lula fez duras críticas à imprensa brasileira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a imprensa de ter comprado uma mentira durante a sabatina realizada pela TV Globo na noite de quinta-feira, 27 de agosto. Ao relembrar os episódios envolvendo a Operação Lava Jato, o petista afirmou que veículos de comunicação deram crédito a uma narrativa que, segundo sua avaliação, foi construída para prejudicá-lo politicamente. A declaração ocorreu durante uma das partes mais tensas da entrevista, quando Lula foi questionado sobre sua relação com a imprensa e sobre os acontecimentos que antecederam sua prisão em 2018.
Lula afirmou que havia sido vítima do que classificou como uma grande mentira e criticou especialmente a cobertura jornalística feita durante as investigações da Lava Jato. Segundo o presidente, parte da imprensa teria reproduzido informações apresentadas pelos investigadores sem reconhecer posteriormente os erros cometidos naquele período. Dessa forma, o candidato à reeleição aproveitou a sabatina para retomar uma crítica que faz há anos e relacioná-la diretamente à maneira como sua imagem foi construída diante da opinião pública.
A discussão começou quando os entrevistadores Renata Vasconcellos e César Tralli questionaram Lula sobre sua relação com os meios de comunicação e sobre a cobertura dos processos que atingiram o petista. O presidente afirmou que não havia esquecido o episódio do PowerPoint apresentado pelo então procurador Deltan Dallagnol e voltou a sustentar que aquela apresentação contribuiu para consolidar uma narrativa negativa contra ele. Na sequência, a conversa ganhou um tom mais duro, com Lula cobrando da imprensa o reconhecimento dos erros que, segundo ele, foram cometidos durante aquele período.
Lula acusou imprensa de comprar uma mentira durante a Lava Jato
Ao falar sobre a Lava Jato, Lula retomou acontecimentos que tiveram grande impacto em sua trajetória política e eleitoral. O ex-presidente foi condenado no caso do tríplex do Guarujá e chegou a ser preso em 2018, ficando impedido de disputar a eleição daquele ano, enquanto as decisões judiciais posteriormente foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões relacionadas à competência da 13ª Vara Federal de Curitiba. Por isso, Lula passou a apresentar sua prisão como parte de um processo político que teria sido utilizado para afastá-lo da disputa presidencial.
Durante a entrevista, o presidente afirmou que a imprensa havia dado espaço para uma narrativa que considerava falsa e que, posteriormente, os acontecimentos demonstraram que sua situação jurídica precisava ser revista. Lula também criticou a atuação do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol, dois dos principais nomes associados à condução da Lava Jato naquele período. Entretanto, a avaliação política feita pelo presidente sobre aqueles acontecimentos continua sendo objeto de disputa entre diferentes grupos políticos e interpretações sobre a operação.
A fala de Lula também esteve relacionada ao famoso PowerPoint apresentado por Dallagnol em 2016, quando o então procurador tentou explicar a acusação formulada contra o petista no caso do tríplex. A apresentação colocou Lula no centro de um esquema gráfico com diversas expressões ligadas às acusações investigadas pela força-tarefa e acabou se transformando em um dos símbolos mais conhecidos da Lava Jato. Anos depois, o episódio continuou sendo utilizado pelo presidente como exemplo do que considera uma exposição injusta e uma tentativa de associá-lo diretamente a uma estrutura criminosa.
Lula criticou cobertura da imprensa e cobrou reconhecimento de erros
Renata Vasconcellos reagiu às críticas e afirmou, durante a entrevista, que a Globo havia cumprido seu papel jornalístico ao noticiar os acontecimentos da época. A jornalista procurou separar a cobertura dos fatos de uma eventual intenção de prejudicar Lula, enquanto o presidente insistiu que a imprensa deveria reconhecer que havia dado crédito a informações que posteriormente foram contestadas. Assim, estabeleceu-se um confronto direto entre duas interpretações sobre a atuação dos meios de comunicação durante a Lava Jato.
Na sequência, César Tralli tentou responder ao argumento de Lula mencionando uma retratação feita pela Globo em outro episódio envolvendo um PowerPoint relacionado ao Banco Master. O jornalista, porém, acabou confundindo os dois casos, pois Lula estava falando especificamente da apresentação de Dallagnol, enquanto Tralli citou uma produção jornalística diferente e posterior. A confusão cometida ao vivo acabou ganhando repercussão própria e foi tratada como uma gafe durante a sabatina.
O episódio mostrou como a discussão sobre imprensa permaneceu sensível para Lula, especialmente quando relacionada ao período em que ele foi retirado da disputa presidencial de 2018. Para o presidente, os erros cometidos naquele momento tiveram consequências políticas muito maiores do que uma simples falha de cobertura, pois sua candidatura acabou sendo impedida enquanto ele permanecia preso. Por outro lado, a Globo sustentou durante a entrevista que a cobertura jornalística havia sido realizada dentro de sua responsabilidade de informar o público sobre as investigações e decisões judiciais daquele período.
Lula acusou imprensa em meio à disputa eleitoral de 2026
A declaração ocorreu em um momento estratégico da campanha presidencial de 2026, quando Lula busca a reeleição e voltou a enfrentar questionamentos sobre episódios de seu passado político e sobre investigações envolvendo pessoas próximas. A sabatina da Globo foi considerada importante justamente por colocar o presidente diante de uma audiência ampla e permitir que temas delicados fossem apresentados diretamente aos eleitores. Além disso, a entrevista marcou o início de uma etapa de maior exposição dos candidatos antes do avanço da propaganda eleitoral.
Ao acusar a imprensa de ter comprado uma mentira, Lula procurou transformar a própria experiência com a Lava Jato em um argumento político para a campanha atual. A estratégia também permitiu que o presidente respondesse às críticas sobre sua relação com a imprensa e defendesse sua versão sobre os acontecimentos que culminaram em sua prisão, embora outros pontos da sabatina tenham provocado novas controvérsias. Dessa maneira, o confronto entre Lula e os jornalistas da Globo acabou se tornando um dos principais momentos da entrevista, especialmente porque colocou passado judicial, atuação da imprensa e disputa eleitoral no mesmo debate.





