Augusto Cury já apoiou Lula? Veja o que o candidato disse sobre o petista

A entrada de Augusto Cury na disputa pela Presidência da República em 2026 mudou a forma como o escritor e psiquiatra passou a se posicionar diante do cenário político nacional. Conhecido principalmente por seus livros, estudos sobre comportamento humano e atuação nas áreas de educação e saúde mental, Cury construiu durante décadas uma trajetória distante das disputas partidárias. Agora, como candidato pelo Avante, ele passou a fazer críticas diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas procura, ao mesmo tempo, se apresentar como uma alternativa à polarização que marca a política brasileira. A mudança de postura chama atenção justamente porque, até sua entrada na campanha, não havia registros públicos relevantes de manifestações de Cury em favor ou contra Lula ou seus governos.
Durante grande parte de sua carreira, Cury manteve uma relação discreta com a imprensa e com a política institucional. Embora tenha cogitado disputar a Presidência em 2010, o escritor não chegou a concorrer a nenhum cargo eletivo naquele período. Sua imagem pública permaneceu associada principalmente à psiquiatria, à literatura, ao desenvolvimento pessoal e à defesa de iniciativas voltadas à educação. Em uma carta publicada em seu próprio site, Cury explicou que prefere preservar o anonimato e evitar a exposição excessiva, afirmando que raramente concede entrevistas. Essa postura contribuiu para que seu nome permanecesse distante dos principais debates partidários das últimas décadas, sem registros conhecidos de apoio formal às candidaturas de Lula ou de seus adversários nas eleições anteriores.
A situação começou a mudar com a campanha presidencial de 2026. Já inserido na corrida pelo Palácio do Planalto, Cury passou a mencionar Lula diretamente em seus discursos e entrevistas, apresentando críticas principalmente relacionadas à educação e à condução de determinadas questões nacionais. Durante o primeiro debate presidencial realizado pela Band, o candidato defendeu que o atual presidente deveria prestar esclarecimentos sobre problemas que ele atribui à área educacional. Ao mesmo tempo, procurou estabelecer uma diferença entre discordância política e ataques pessoais, argumentando que uma pessoa não deve ser desqualificada por suas posições políticas. A postura resume uma das principais mensagens que Cury tenta levar ao eleitor: é possível fazer oposição e apresentar críticas sem transformar o debate público em uma disputa permanente entre grupos.
Outro episódio que ganhou espaço na campanha envolveu a ausência de Lula no debate da Band. Antes do encontro, Cury afirmou estar insatisfeito com a decisão do presidente de não comparecer e também mencionou a ausência de Flávio Bolsonaro. A entrevista concedida por Lula à Record no mesmo horário previsto para o debate foi apontada pelo candidato como um fator importante para sua decisão inicial de não participar do programa. Posteriormente, porém, Cury mudou de posição e esteve presente no encontro. O episódio reforçou sua estratégia de questionar tanto o campo ligado ao petismo quanto o grupo associado ao bolsonarismo, sem anunciar apoio antecipado a nenhum dos dois lados em uma eventual segunda etapa da eleição.
A posição de Cury também envolve uma questão importante sobre seu próprio passado político: o partido pelo qual disputa a Presidência já esteve alinhado a Lula. Em 2022, o Avante lançou inicialmente André Janones como candidato ao Palácio do Planalto, mas o deputado retirou sua candidatura em 4 de agosto daquele ano e declarou apoio a Lula. A legenda passou, então, a integrar a aliança formada em torno da candidatura petista. Cury, entretanto, ainda não fazia parte do Avante naquele momento. Sua entrada na sigla ocorreu apenas em 2026, quando foi anunciado como pré-candidato à Presidência. Por isso, a decisão partidária tomada quatro anos antes não pode ser atribuída automaticamente ao escritor nem utilizada como indicação de sua posição pessoal naquele período.
Ao se definir como uma opção de “terceira via”, Augusto Cury tenta ocupar um espaço entre os dois principais polos que dominam a disputa presidencial brasileira. O candidato afirma que pretende atuar como um “porta-voz da pacificação nacional” e defende a superação do antagonismo entre petistas e bolsonaristas. A estratégia coloca sua trajetória pessoal no centro da campanha: um nome que passou décadas distante das estruturas partidárias agora busca transformar sua experiência como escritor e profissional ligado ao comportamento humano em uma proposta política nacional. Resta saber até que ponto essa imagem de independência conseguirá conquistar eleitores que procuram uma alternativa aos grupos tradicionais e, principalmente, como Cury será recebido à medida que a disputa presidencial de 2026 avançar.





