Candidata do PL, Michelle Bolsonaro acusou um adversário de calúnia

Michelle Bolsonaro protocolou uma notícia-crime contra um adversário na disputa pelo Senado no Distrito Federal e pediu que o Ministério Público Eleitoral investigue a conduta atribuída ao candidato Tiago Társis, do Agir. A iniciativa foi apresentada nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, sob a alegação de que teriam sido praticados atos que configurariam denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. O caso acrescentou uma nova frente de tensão à campanha de Michelle, que aparece entre os principais nomes da corrida por uma das duas vagas do Distrito Federal no Senado.
Segundo a reportagem publicada pela CNN Brasil, a notícia-crime foi apresentada depois que Tiago Társis protocolou seis petições criminais contra Michelle e também contra a deputada federal Bia Kicis, ambas do PL. A defesa da ex-primeira-dama sustenta que os seis protocolos correspondiam, na realidade, a três pares de petições com conteúdo idêntico, incluindo os mesmos fatos, pedidos e documentos anexados. Os procedimentos foram apresentados em um intervalo de 19 horas e 20 minutos, circunstância que passou a ser apontada pela defesa como elemento relevante para a acusação.
A controvérsia envolve diretamente o funcionamento da Justiça Eleitoral e a disputa política pela representação do Distrito Federal no Senado. Nas petições apresentadas por Tiago Társis, foram questionadas supostas irregularidades relacionadas a atas do PL, com pedidos para impedir Michelle de participar de debates, conceder entrevistas, publicar conteúdos eleitorais e realizar determinadas atividades de campanha. Entretanto, de acordo com a defesa da candidata, nenhuma das medidas urgentes solicitadas contra ela foi concedida pela Justiça Eleitoral, e os processos acabaram sendo redistribuídos para o mesmo relator.
Michelle Bolsonaro protocola denúncia contra Tiago Társis
A defesa de Michelle afirma que a duplicação das petições não teria ocorrido de maneira casual e sustenta que o procedimento poderia ter sido utilizado para provocar diferentes distribuições dos processos. Conforme a argumentação apresentada na notícia-crime, cada par de ações teria sido protocolado duas vezes, com alteração no processo indicado como referência. Dessa maneira, segundo os advogados, teria sido criada uma situação capaz de fazer com que os casos fossem inicialmente distribuídos a relatores diferentes.
O advogado Flávio Eduardo Wanderley Britto, que representa Michelle, classificou a estratégia como uma tentativa de utilizar a estrutura da Justiça Eleitoral para produzir desgaste político contra sua cliente durante a campanha. A acusação, entretanto, ainda será analisada pelas autoridades competentes e não representa uma conclusão de que Tiago Társis tenha cometido crime. Cabe ao Ministério Público Eleitoral avaliar os elementos apresentados e decidir se existem fundamentos suficientes para instaurar uma investigação sobre a conduta atribuída ao candidato do Agir.
A defesa também apontou que a própria Justiça Eleitoral teria identificado posteriormente as duplicidades existentes nos protocolos. Com isso, os processos foram encaminhados para um mesmo relator, enquanto as medidas urgentes solicitadas contra Michelle não foram concedidas. A sequência dos acontecimentos passou a ser utilizada pelos advogados da candidata como argumento de que as ações apresentadas pelo adversário poderiam ter ultrapassado o campo normal da disputa judicial e adquirido finalidade eleitoral.
Disputa pelo Senado aumenta tensão no Distrito Federal
Michelle Bolsonaro disputa sua primeira eleição para o Senado pelo Distrito Federal e entrou na campanha como um dos nomes de maior visibilidade da corrida eleitoral. Pesquisas recentes colocaram a ex-primeira-dama na liderança da disputa, o que aumenta o peso político de qualquer questionamento judicial apresentado contra sua candidatura. Nesse cenário, a troca de acusações entre candidatos pode ganhar importância não apenas jurídica, mas também eleitoral, especialmente em uma eleição na qual duas vagas estarão em disputa.
A notícia-crime apresentada por Michelle ocorre em um momento de forte movimentação entre os candidatos ao Senado no Distrito Federal. A campanha também é marcada pela presença de nomes conhecidos da política nacional, como Bia Kicis, além da senadora Leila do Vôlei e da deputada Erika Kokay, que aparecem entre as concorrentes com maior exposição pública. Por isso, qualquer tentativa de restringir a participação de uma candidata em debates, entrevistas ou atos de campanha pode produzir efeitos relevantes na disputa, caso venha a ser acolhida pela Justiça.
No caso específico de Tiago Társis, a defesa de Michelle sustenta que as petições apresentadas contra a candidata continham acusações que deveriam ser analisadas sob a perspectiva de uma possível denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. A tese ainda precisa ser examinada pelo Ministério Público Eleitoral, que poderá solicitar informações adicionais, ouvir envolvidos ou determinar outras providências antes de apresentar uma conclusão. Até que isso aconteça, as acusações devem ser tratadas como alegações apresentadas pela defesa de Michelle, e não como fatos definitivamente reconhecidos pela Justiça.
O que pode acontecer com Michelle Bolsonaro e Tiago Társis
O Ministério Público Eleitoral terá papel importante na definição dos próximos passos do caso, pois caberá ao órgão avaliar se os elementos apresentados justificam uma investigação formal. Se houver entendimento de que existem indícios suficientes, poderão ser realizadas diligências para verificar a origem dos protocolos, a intenção de quem os apresentou e os efeitos que as ações poderiam produzir sobre a campanha. Caso contrário, a notícia-crime poderá não resultar em uma investigação criminal contra Tiago Társis.
A disputa mostra como a eleição para o Senado no Distrito Federal já ultrapassou o campo tradicional da propaganda política e passou a envolver uma intensa batalha jurídica entre candidatos. Michelle Bolsonaro tenta preservar sua campanha diante dos questionamentos apresentados por um adversário, enquanto Tiago Társis terá de lidar com a acusação apresentada contra sua atuação na Justiça Eleitoral. O desfecho dependerá agora da análise do Ministério Público Eleitoral e das decisões da Justiça, em um episódio que poderá influenciar a estratégia dos candidatos nas próximas semanas.





