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“Não é bom”: conversa de Vorcaro sobre Pix chama atenção em relatório da PF

Vorcaro disse para não pagar Barci por Pix: “Não é bom”

Vorcaro disse para não pagar o escritório Barci de Moraes por meio de Pix, segundo conversas obtidas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações relacionadas ao ex-banqueiro e dono do Banco Master. As mensagens mostram Daniel Vorcaro questionando seu administrador financeiro, Alberto Felix, depois de ser informado de que uma transferência destinada ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes havia sido concluída. Viviane é esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme o material policial, o diálogo ocorreu em outubro do ano passado e chamou atenção porque, ao descobrir que a transferência havia sido realizada por Pix, Vorcaro afirmou que aquela forma de pagamento “não é bom”. Entretanto, o relatório da PF não esclarece qual seria a razão dessa preferência nem informa o valor transferido naquela operação específica. Dessa forma, embora a conversa revele uma orientação do banqueiro sobre o método de pagamento, não é possível concluir, apenas com essa mensagem, qual era sua motivação.

Vorcaro disse para não pagar Barci por Pix após transferência

A conversa teria começado depois que Alberto Felix informou a Daniel Vorcaro que o pagamento destinado ao escritório havia sido efetuado. Na sequência, o banqueiro perguntou se a transferência para Barci não havia sido realizada por Pix. O administrador financeiro respondeu que, de fato, utilizara essa modalidade e explicou que haviam sido empregados os mesmos dados bancários anteriormente usados para uma TED, sistema de transferência tradicional que já era utilizado antes da expansão do Pix. Foi então que Vorcaro demonstrou contrariedade e afirmou não considerar adequado fazer os pagamentos ao escritório dessa maneira. Contudo, a Polícia Federal não apresentou, nas informações descritas, uma explicação para a preferência por outro instrumento bancário. Consequentemente, qualquer tentativa de atribuir à orientação uma finalidade específica iria além do que está demonstrado pelas mensagens divulgadas.

Relatório não explica por que Vorcaro evitava pagamento por Pix

A ausência de uma justificativa é um dos pontos centrais para interpretar corretamente o diálogo. Diferentes modalidades bancárias podem ser escolhidas por razões administrativas, contábeis, contratuais ou operacionais. Entretanto, nenhuma dessas hipóteses pode ser automaticamente atribuída ao caso sem elementos adicionais. O relatório da PF, conforme as informações divulgadas, não informa por que Vorcaro disse para não pagar por Pix, tampouco indica que a escolha do método de transferência representasse, isoladamente, alguma irregularidade. Além disso, não foi especificado o valor daquela transação. Portanto, o principal fato revelado pelo diálogo é que Vorcaro tinha uma preferência expressa sobre como os pagamentos destinados ao escritório deveriam ser processados. Para compreender a relevância investigativa dessa orientação, seria necessário analisar o contexto financeiro completo, incluindo comprovantes, registros bancários, contratos e demais comunicações relacionadas.

Contrato com escritório era tratado como prioridade por Vorcaro

Outras mensagens presentes no inquérito ajudam, porém, a demonstrar a importância que Daniel Vorcaro atribuía ao contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Em uma conversa com o sócio Angelo Silva, o banqueiro teria reclamado depois de perceber que determinado pagamento não havia sido realizado. Segundo o material, Vorcaro classificou aquele contrato como o mais importante entre os compromissos mantidos e ressaltou que os repasses não deveriam sofrer atrasos. Além disso, demonstrou preocupação com possíveis problemas caso o pagamento não fosse efetuado no prazo. Essas comunicações acrescentam contexto à orientação sobre o Pix, pois mostram que o ex-banqueiro acompanhava de perto as obrigações financeiras relacionadas ao escritório. Ainda assim, o motivo dessa prioridade precisa ser diferenciado de eventuais interpretações sobre a relação entre as partes, já que a importância atribuída ao contrato não comprova, por si só, a existência de uma finalidade irregular.

Contrato do Banco Master com Barci alcançava valor milionário

O interesse sobre as mensagens aumentou também por causa do valor envolvido na relação contratual. Conforme as informações apresentadas no material, o acordo do Banco Master com o escritório de Viviane Barci totalizava aproximadamente R$ 131 milhões. Além disso, foi relatado que Alexandre de Moraes teria participado da edição do documento antes de sua assinatura. Esse elemento, devido à posição de Moraes como ministro do STF e ao fato de Viviane ser sua esposa, amplia naturalmente o escrutínio público sobre o contrato. Entretanto, eventual participação na edição de um documento precisa ser analisada dentro de seu contexto para que seu significado jurídico possa ser estabelecido. Da mesma forma, um contrato de alto valor não constitui automaticamente evidência de irregularidade. Assim, tanto as condições dos serviços prestados quanto os pagamentos efetivamente realizados e as circunstâncias da contratação precisam ser considerados antes de qualquer conclusão.

Segundo contrato de até R$ 50 milhões também foi revelado

Além do contrato firmado com o Banco Master, novas informações divulgadas pela Polícia Federal nesta terça-feira (1º) apontam para a existência de um segundo acordo envolvendo o escritório de Viviane Barci de Moraes. Nesse caso, o contrato de prestação de serviços jurídicos teria sido celebrado com a Viking Participações, empresa representada por Daniel Vorcaro, e poderia alcançar até R$ 50 milhões. Dessa maneira, a revelação acrescenta uma nova dimensão financeira às relações profissionais analisadas no material. Considerando os valores previstos nos dois instrumentos, os contratos poderiam representar montantes expressivos caso fossem integralmente executados. Entretanto, é necessário diferenciar valores previstos contratualmente daqueles efetivamente pagos. Além disso, a existência de múltiplos contratos não demonstra, sozinha, prática ilegal. O que poderá definir sua relevância para a investigação é a análise conjunta da prestação dos serviços, das condições acordadas, das transferências realizadas e das demais provas reunidas.

Vorcaro disse para não pagar por Pix, mas motivação permanece sem resposta

Por fim, o episódio em que Vorcaro disse para não pagar o escritório por Pix acrescenta mais uma informação ao conjunto de comunicações analisadas pela Polícia Federal no caso Banco Master. As mensagens indicam que o banqueiro acompanhava os pagamentos destinados ao escritório Barci de Moraes, considerava o contrato prioritário e demonstrava preocupação quando os repasses não eram realizados conforme esperado. Ao mesmo tempo, o diálogo revela uma preferência específica por não utilizar o Pix, embora a razão dessa orientação não tenha sido explicada no relatório divulgado. Portanto, seria precipitado atribuir uma finalidade determinada à escolha da modalidade bancária. A relevância do episódio dependerá de sua conexão com outros documentos, transações e mensagens existentes no inquérito. À medida que novos elementos forem examinados, poderá ser esclarecido se a orientação possuía apenas uma justificativa administrativa ou se tinha alguma importância adicional para as investigações.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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