Ronaldo Caiado fez duras críticas a Flávio Bolsonaro e cobrou prestação de contas

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta quarta-feira (2) a declaração de Flávio Bolsonaro (PL) de que o caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, seria uma “página virada”. Durante uma sabatina para a Rádio Metropolitana 90,5 FM e a TV Atalaia, o ex-governador de Goiás afirmou que o adversário deveria prestar contas sobre sua relação com o empresário. A declaração ocorreu depois de novas informações apontarem que Vorcaro realizou pagamentos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Caiado classificou como “desrespeito” a tentativa de Flávio de considerar encerrado o episódio. Segundo o candidato do PSD, o senador não poderia simplesmente deixar o assunto para trás porque ainda existiriam explicações a serem apresentadas sobre os recursos destinados à produção do longa-metragem. Dessa forma, o tema voltou a ser usado por um adversário direto de Flávio em meio à disputa pela Presidência da República.
A crítica ocorreu em um momento particularmente delicado para Flávio, que vinha utilizando as revelações envolvendo Vorcaro para atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo, informações sobre os próprios contatos do senador com o banqueiro passaram a ser exploradas por adversários políticos durante a campanha. O caso, portanto, deixou de ser apenas uma discussão sobre o Banco Master e passou a ter impacto direto na corrida eleitoral.
Caiado cobra explicações de Flávio Bolsonaro
Durante a sabatina, Caiado afirmou que Flávio Bolsonaro “tinha que fazer uma prestação de contas” sobre sua relação com Vorcaro. O candidato também disse que o senador seria “parte do processo”, em uma referência ao envolvimento financeiro do empresário com a produção de Dark Horse. A cobrança foi feita justamente após a divulgação de informações que contradisseram a versão apresentada anteriormente por Flávio sobre o último pagamento recebido para o filme.
Em maio, uma reportagem do Intercept Brasil havia revelado que Vorcaro financiou a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio declarou em entrevista à GloboNews que a última parcela paga pelo banqueiro teria ocorrido em maio de 2025. Entretanto, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pela revista Piauí, apontou posteriormente outro repasse, realizado em setembro daquele ano.
O novo pagamento teria sido de US$ 1,6 milhão e foi destinado a um fundo que administrava os recursos antes de encaminhá-los para a produção de Dark Horse. A informação aumentou a pressão para que Flávio esclarecesse quanto foi recebido, quando os valores foram transferidos e qual era exatamente a participação de Vorcaro no financiamento do projeto. Para Caiado, enquanto essas questões não forem esclarecidas, não seria possível considerar o episódio encerrado.
Caso Master vira arma na disputa eleitoral
A ofensiva de Caiado acontece enquanto o caso Master ganhou espaço na campanha presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro passou a utilizar as mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes para questionar a atuação do ministro e defender seu afastamento do Supremo. Paralelamente, adversários passaram a lembrar que o próprio senador manteve contatos com Vorcaro e teve recursos destinados à produção do filme ligado à sua família.
Caiado já havia adotado uma postura crítica em relação ao assunto antes da declaração desta quarta-feira. Em agosto, o candidato havia cobrado a prestação de contas de Dark Horse depois de Flávio afirmar que o episódio era uma “página virada”. Na ocasião, Caiado lembrou que o senador havia prometido divulgar os gastos da produção e afirmou que o Brasil ainda aguardava as informações.
A nova manifestação mostra que o caso continuará sendo explorado pelos adversários de Flávio durante a campanha. Com a disputa eleitoral cada vez mais marcada pela polarização e pela tentativa dos candidatos de associar seus concorrentes a controvérsias, o financiamento de Dark Horse passou a representar um problema político para o senador. Ao mesmo tempo, as acusações e cobranças feitas por Caiado não significam, por si só, que Flávio tenha cometido alguma irregularidade, já que as responsabilidades precisam ser apuradas com base nos fatos e documentos disponíveis.
Caiado também apresentou propostas na sabatina
Durante a mesma participação, Caiado apresentou propostas para a área de segurança pública caso seja eleito presidente. O candidato prometeu criar imediatamente um Ministério da Segurança Pública e ampliar para 40 o número de presídios de segurança máxima no país, enquanto atualmente existem cinco penitenciárias federais com essa classificação. A proposta foi apresentada como parte de uma estratégia mais ampla de combate à criminalidade e ao crime organizado.
Na área econômica, Caiado também afirmou que pretende apresentar, já no primeiro dia de um eventual governo, uma emenda constitucional de emergência fiscal. Segundo ele, a medida seria temporária e buscaria reduzir despesas do governo federal, incluindo gastos com emendas impositivas, salários elevados e repasses aos demais Poderes. O candidato ainda afirmou que assumiria o compromisso de impedir que as despesas públicas ultrapassassem 50% do crescimento do Produto Interno Bruto.





