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Candidato à Presidência, Zema endureceu as críticas ao STF e de modo especial ao ministro Alexandre de Moraes

O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, voltou a fazer duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de informações sobre um contrato milionário envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do magistrado. A reação ocorreu depois que metadados analisados pela Polícia Federal atribuíram ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” uma alteração feita em uma versão do documento. O contrato, firmado entre o banco de Daniel Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, previa pagamentos que chegavam a R$ 131,2 milhões.

Em publicação nas redes sociais, Zema chamou Moraes de “projetinho de ditador” e afirmou que o ministro deveria ser preso. O candidato também recuperou uma iniciativa apresentada quando ainda governava Minas Gerais, quando havia protocolado um pedido de impeachment contra o integrante do STF. Segundo Zema, as novas informações reforçariam as críticas que ele vinha fazendo à atuação de Moraes.

A declaração do candidato ocorreu em meio à divulgação de mensagens e documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material passou a revelar detalhes sobre a relação do banqueiro com autoridades, empresários e pessoas próximas ao ministro, incluindo referências ao contrato firmado com o escritório de Viviane. Embora os registros tenham provocado forte repercussão política, a atribuição de uma edição no arquivo ao perfil de Moraes ainda é um elemento de investigação e não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual irregularidade.

Zema endurece críticas contra Alexandre de Moraes

Zema afirmou que a Polícia Federal havia demonstrado que Moraes editou o contrato do escritório de sua mulher com o Banco Master às 23h04, utilizando o mesmo sistema empregado para despachar processos. A informação mencionada pelo candidato se refere aos metadados do arquivo, que registraram a abertura e modificação de uma versão do documento no Office 365 associado ao perfil “Ministro Alexandre de Moraes”. A alteração teria ocorrido em 15 de janeiro de 2024, depois que Vorcaro havia encaminhado o contrato para Viviane Barci de Moraes.

Segundo os dados apresentados na reportagem, o documento originalmente elaborado pelo administrador do escritório, Guilherme de Toledo Benazzi, foi devolvido por Vorcaro à advogada em janeiro de 2024. Aproximadamente uma hora e 40 minutos depois do envio pelo banqueiro, o arquivo foi aberto e modificado no sistema associado ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O registro de horário apontou 23h04 para a alteração, informação que passou a ser usada por Zema como argumento para questionar a atuação do ministro.

O contrato estabelecia 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos para o escritório de Viviane Barci de Moraes. Considerando os valores brutos previstos no documento, o montante chegava a R$ 131.274.351,72, transformando o acordo em um dos principais pontos da crise envolvendo Moraes e Vorcaro. A dimensão financeira do contrato aumentou a pressão política sobre o ministro depois que os metadados passaram a ser conhecidos publicamente.

Contrato de R$ 131 milhões aumenta pressão

A relação entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes passou a ser analisada dentro de um contexto mais amplo envolvendo Daniel Vorcaro e as autoridades mencionadas nas mensagens encontradas pela Polícia Federal. Os documentos e conversas obtidos no celular do banqueiro revelaram que ele mantinha contatos com diferentes integrantes das instituições públicas e buscava auxílio em questões relacionadas às investigações que atingiam seus negócios. Nesse cenário, o contrato de R$ 131 milhões ganhou importância porque envolvia diretamente o escritório da mulher de um ministro do STF.

Outro ponto que ampliou a repercussão foi a existência de mensagens nas quais Vorcaro procurava Alexandre de Moraes para tratar de assuntos relacionados às investigações. Segundo informações divulgadas a partir do relatório da Polícia Federal, o banqueiro chegou a pedir ao ministro que recorresse ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar conter o avanço das apurações. O material divulgado, contudo, não demonstra que Moraes tenha efetivamente feito esses contatos ou atendido aos pedidos apresentados por Vorcaro.

A crise também provocou uma reação dentro do próprio STF, depois que o ministro André Mendonça determinou a análise de informações relacionadas ao caso e permitiu que parte do conteúdo viesse a público. O presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que o momento era de especial gravidade e destacou a necessidade de preservar a integridade do Supremo, a autoridade de suas decisões e a confiança da sociedade. Com isso, o episódio deixou de ser apenas uma disputa política e passou a representar um problema institucional de grande dimensão para o tribunal.

Zema pede prisão e retoma discurso de impeachment

Na mesma manifestação em que criticou o contrato, Zema afirmou que já havia alertado sobre Moraes quando ocupava o governo de Minas Gerais. O candidato declarou que o impeachment seria insuficiente e defendeu que o ministro fosse responsabilizado criminalmente, utilizando uma linguagem muito mais dura do que a adotada por outros candidatos que também reagiram às revelações. A posição coloca o ex-governador entre os principais adversários políticos de Moraes na corrida presidencial de 2026.

A reação de Zema ocorre em um momento de crescente pressão sobre Alexandre de Moraes, com diferentes nomes da oposição cobrando explicações sobre os contatos com Vorcaro e sobre o contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Ao mesmo tempo, as informações divulgadas ainda precisam ser avaliadas pelas autoridades competentes para determinar se houve alguma irregularidade e quais seriam suas eventuais consequências jurídicas. Por enquanto, o que está comprovado nos registros divulgados é a existência do contrato, os metadados que apontaram uma alteração associada ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” e as manifestações públicas de Zema contra o ministro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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