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Simone Tebet defende investigação de Moraes e Flávio Bolsonaro

A candidata ao Senado Simone Tebet (PSB-MS) defendeu nesta quarta-feira (2.set.2026) que sejam apuradas as relações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no caso Banco Master. A manifestação ocorreu após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, que foram localizadas pela Polícia Federal durante as investigações. Para Tebet, o conteúdo divulgado levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos por meio de uma apuração formal, com transparência e respeito ao direito de defesa. “Ninguém está acima da lei. A lei deve ser aplicada a qualquer pessoa”, afirmou a candidata, ao defender que os mesmos critérios sejam adotados para todos os envolvidos.

Tebet afirmou estar “perplexa” e “indignada” diante das informações que vieram a público e sustentou que a sociedade precisa ter acesso aos esclarecimentos sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. As mensagens foram encontradas no celular do banqueiro e tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, também do STF, na terça-feira (1º.set.2026). Entre os registros divulgados está uma conversa de 15 de novembro de 2025, quando Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil. Dois dias depois, segundo as informações apresentadas no relatório da PF, o banqueiro foi preso no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto se preparava para viajar em um jato particular. O episódio passou a integrar o conjunto de elementos analisados no caso.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, as mensagens indicam que Vorcaro procurou Moraes para tratar do andamento das investigações e de possíveis medidas relacionadas à situação do banqueiro. O material, porém, não apresenta necessariamente o diálogo completo entre os dois. Parte das conversas não pôde ser recuperada pelos investigadores porque Vorcaro utilizava o recurso de mensagens de visualização única. Com isso, não foi possível reconstruir integralmente os diálogos nem identificar todas as respostas atribuídas ao ministro. Para Tebet, justamente diante dessas circunstâncias, é necessário que os fatos sejam analisados por meio de um procedimento oficial, permitindo que as informações sejam verificadas e que os envolvidos possam apresentar suas respectivas versões.

A candidata defendeu que o plenário do Supremo Tribunal Federal aceite a abertura de um inquérito para apurar a atuação de Alexandre de Moraes. Segundo Tebet, uma eventual investigação não deve impedir o direito de defesa do ministro, mas servir para esclarecer as circunstâncias que envolvem o caso. “Ele vai sim poder se defender, mas para que a sociedade brasileira saiba exatamente o que está acontecendo”, declarou. A posição apresentada pela candidata coloca a transparência no centro do debate e reforça a cobrança por critérios uniformes quando autoridades públicas aparecem relacionadas a investigações. Procurado para comentar a declaração de Tebet, o Supremo Tribunal Federal não havia se manifestado até a publicação da reportagem. Uma eventual resposta poderá ser acrescentada posteriormente.

Flávio Bolsonaro também foi citado por Tebet durante a manifestação. A candidata afirmou que, se documentos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes foram tornados públicos, informações referentes ao senador também deveriam receber o mesmo tratamento, desde que observados os procedimentos legais. A participação de Flávio no caso ganhou atenção por causa de sua ligação com a produção da cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro. O filme “Dark Horse” passou a ser alvo de questionamentos depois que o jornal Intercept Brasil divulgou conversas entre o senador e Daniel Vorcaro. Segundo as informações apresentadas no texto-base, os diálogos e outros documentos indicariam um acordo estimado em R$ 134 milhões para financiar a produção da obra. Flávio é candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.

Ao concluir sua manifestação, Simone Tebet defendeu o que classificou como “transparência absoluta” na apuração do caso Banco Master. Para a candidata, eventuais investigações devem alcançar parlamentares, integrantes do Judiciário e representantes de outros Poderes sempre que existirem elementos que justifiquem uma análise formal. A declaração amplia o debate político em torno das mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e coloca novamente em evidência a necessidade de esclarecer o conteúdo das conversas e as circunstâncias que cercam o caso. Tebet afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos independentemente de quem esteja envolvido, reforçando a ideia de que a aplicação das regras deve seguir critérios semelhantes para autoridades de diferentes áreas. A expectativa agora é por novas manifestações dos envolvidos e pelos próximos desdobramentos das apurações.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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