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Alcolumbre defende Moraes e alfineta Flávio por dinheiro a Dark Horse

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu se posicionar nesta quarta-feira (2) diante da pressão de senadores que defendem a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante uma sessão no plenário, Alcolumbre saiu em defesa do magistrado e aproveitou a discussão para fazer uma referência direta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. O comentário ocorreu em meio ao aumento das cobranças sobre a atuação do Senado em relação aos pedidos contra integrantes da Suprema Corte. Apesar da repercussão do tema, Alcolumbre afirmou que pretende apresentar uma manifestação mais completa em outro momento e, por enquanto, limitou-se a fazer uma observação durante o debate.

A declaração veio depois de o senador Carlos Portinho (PL-RJ) questionar o presidente da Casa sobre a tramitação dos pedidos relacionados a Alexandre de Moraes. Alcolumbre afirmou estar recebendo muitas críticas nos últimos dias e indicou que pretende explicar sua posição de maneira mais detalhada quando considerar oportuno. Na sequência, porém, mencionou a controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O presidente do Senado fez referência aos valores que teriam sido discutidos para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas anteriormente, mensagens e áudios indicaram que Flávio teria procurado Vorcaro para tratar do financiamento do projeto. Ao citar o episódio, Alcolumbre questionou a concentração das críticas em torno de Moraes e afirmou que também deveria ser considerado o relacionamento entre o senador e o empresário.

O valor mencionado por Alcolumbre chamou atenção durante a sessão. De acordo com as informações apresentadas no debate, o montante negociado para a produção do filme teria chegado a R$ 134 milhões, enquanto pelo menos R$ 61 milhões teriam sido transferidos pelo banqueiro para um fundo relacionado ao projeto. A referência feita pelo presidente do Senado ocorreu justamente quando parlamentares discutiam as recentes informações sobre contatos entre Moraes e Vorcaro. Alcolumbre resumiu sua posição ao questionar por que, diante de todas as circunstâncias, apenas o ministro do STF estaria sendo colocado no centro das críticas. A declaração acrescentou um novo componente político à discussão e colocou Flávio Bolsonaro no centro do debate no plenário, em um momento em que sua possível candidatura presidencial já movimenta os principais grupos políticos de oposição.

Antes mesmo da fala sobre o filme, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) havia perguntado diretamente a Alcolumbre se existia previsão para que um pedido de impeachment contra Moraes fosse colocado em análise no Senado. A resposta foi curta: “Não tenho”. A posição do presidente da Casa ganha peso porque cabe a ele avaliar o encaminhamento de pedidos dessa natureza. Nos bastidores de Brasília, Alcolumbre também é apontado como um político próximo de Moraes, relação que passa a ser observada com ainda mais atenção diante da pressão de parlamentares que defendem medidas contra o ministro. Na terça-feira (1º), o senador já havia comentado sobre a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do STF. Segundo ele, existem 109 solicitações envolvendo os dez ministros da Corte, número que classificou como fora do padrão.

A pressão sobre Alexandre de Moraes aumentou depois da divulgação de informações relacionadas a possíveis contatos entre o ministro e Daniel Vorcaro. O assunto ganhou novos contornos após a revelação de que o ministro André Mendonça teria encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal contendo supostas mensagens atribuídas ao banqueiro. Em uma das conversas, Vorcaro teria mencionado a necessidade de contar com a proteção de duas pessoas identificadas pelos nomes “Paulo” e “Andrei”. Conforme informações divulgadas sobre a investigação, os nomes teriam sido associados ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enquanto o primeiro interlocutor seria relacionado a Moraes. A PGR, por sua vez, defendeu que o material não deveria ser considerado válido, acrescentando uma nova camada à discussão.

O embate político em torno de Moraes, portanto, deve continuar ocupando espaço no Senado e no cenário eleitoral de 2026. De um lado, parlamentares pressionam pelo avanço de pedidos de impeachment e cobram uma posição mais clara da presidência da Casa. De outro, Alcolumbre sinaliza que não pretende colocar o tema em votação neste momento e reforça a necessidade de avaliar o conjunto das informações antes de qualquer decisão. Ao mencionar Flávio Bolsonaro durante a discussão, o presidente do Senado também ampliou o alcance político do episódio, aproximando a controvérsia sobre Moraes das articulações eleitorais que já movimentam Brasília. Com novas informações ainda sendo analisadas e diferentes versões em circulação, a tendência é que o assunto permaneça entre os principais temas do debate político nas próximas semanas.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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