“Tirei meu título, e agora?”: dúvida faz estudante de 16 anos criar plataforma política

Estudante de 16 anos cria plataforma para ajudar jovens no 1° voto
Estudante de 16 anos cria uma plataforma digital voltada a uma dificuldade comum entre adolescentes que começam a participar das eleições: entender exatamente o que cada cargo político faz e encontrar informações para decidir em quem votar. Maurício Melzer desenvolveu o VOTAE depois de obter seu próprio título eleitoral e perceber que ainda tinha diversas dúvidas sobre o funcionamento da política brasileira. Além disso, ao conversar com amigos, o estudante constatou que outros jovens enfrentavam problemas semelhantes. A plataforma foi criada, portanto, com a proposta de apresentar informações públicas em uma linguagem mais simples, explicando atribuições de cargos, funcionamento do Congresso Nacional, formação das leis e conceitos frequentemente utilizados no debate político. Ao mesmo tempo, o projeto busca organizar dados sobre candidatos e representantes sem indicar em quem o usuário deve votar, mantendo, segundo seu criador, uma proposta apartidária e essencialmente informativa.
Estudante de 16 anos cria ferramenta para entender a política
A ideia começou justamente durante a experiência de Maurício como novo eleitor. Depois de tirar o título, o adolescente percebeu que possuir o documento não significava necessariamente estar preparado para fazer escolhas políticas. Afinal, para votar de maneira informada, é necessário compreender as diferenças entre deputados, senadores, governadores e presidente, além de conhecer as propostas e trajetórias daqueles que disputam esses cargos. Dessa forma, dúvidas inicialmente pessoais foram transformadas em um projeto digital destinado a outros jovens. O VOTAE procura traduzir expressões políticas, explicar como funcionam diferentes instituições brasileiras e organizar informações sobre pessoas que ocupam ou disputam funções públicas. Consequentemente, conteúdos que normalmente estão espalhados por diferentes páginas oficiais podem ser consultados de maneira organizada. A iniciativa também chama atenção porque foi desenvolvida justamente em um ano de eleições gerais, quando milhões de brasileiros terão de escolher representantes para diferentes níveis do poder público.
Primeiro voto em 2026 exige seis escolhas diferentes
Nas eleições de 2026, compreender essas diferenças será especialmente importante. O primeiro turno está oficialmente marcado para 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno para presidente e governador ocorrerá em 25 de outubro. Na urna eletrônica, cada eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente da República, nessa ordem. Portanto, para alguém que votará pela primeira vez, não será necessário pesquisar apenas os candidatos à Presidência ou ao governo estadual. Deputados federais participam da elaboração de leis e da fiscalização do governo federal, enquanto deputados estaduais exercem funções semelhantes no âmbito dos estados. Senadores, por sua vez, representam os estados no Senado Federal e também possuem competências constitucionais específicas. Assim, entender as atribuições de cada cargo pode ajudar o jovem a avaliar propostas de forma mais criteriosa, evitando cobrar de um candidato algo que sequer faz parte das competências do cargo disputado.
Jovens de 16 e 17 anos podem escolher se querem votar
A legislação brasileira permite que a participação eleitoral comece cedo. Atualmente, o primeiro título pode ser solicitado a partir dos 15 anos. Entretanto, possuir o documento nessa idade não significa que o adolescente já possa votar: nas eleições de 2026, será necessário ter completado 16 anos até 4 de outubro, data do primeiro turno. Além disso, para quem tem 16 ou 17 anos, tanto o alistamento quanto o voto são facultativos. A obrigatoriedade eleitoral começa aos 18 anos para brasileiros alfabetizados e permanece, de maneira geral, até os 70 anos. Para participar das eleições deste ano, também era necessário estar regularmente inscrito até 6 de maio, quando o cadastro eleitoral foi fechado para a preparação do pleito. Dessa maneira, Estudante de 16 anos cria a plataforma justamente em um cenário no qual a própria Justiça Eleitoral desenvolveu campanhas para incentivar adolescentes a obter o primeiro título e participar das decisões políticas do país.
VOTAE reúne informações sobre milhares de nomes da política
Além do conteúdo educativo, o VOTAE reúne perfis de mais de 20 mil candidatos, representantes e lideranças políticas, segundo informações apresentadas pelo próprio projeto. Os dados são organizados a partir de informações públicas, incluindo registros disponibilizados pela Justiça Eleitoral. Dessa forma, a proposta não é produzir recomendações personalizadas sobre qual candidato seria “melhor”, mas facilitar o acesso a elementos que possam ser avaliados pelo próprio eleitor. Esse cuidado é especialmente relevante durante campanhas eleitorais, quando informações verdadeiras, conteúdos descontextualizados, propaganda política e desinformação circulam simultaneamente nas redes sociais. Entretanto, nenhuma plataforma privada deve substituir a consulta às fontes oficiais quando o eleitor precisar confirmar registros de candidatura, regras eleitorais ou outras informações formais. Portanto, ferramentas educativas podem funcionar como ponto de partida, enquanto dados decisivos devem ser conferidos nos sistemas mantidos pela Justiça Eleitoral. Essa combinação pode contribuir para decisões mais conscientes sem transferir para uma plataforma a responsabilidade pela escolha do voto.
Educação política ganha importância diante das eleições de outubro
A iniciativa também levanta uma questão mais ampla: preparar novos eleitores envolve mais do que ensinar como utilizar a urna eletrônica. É necessário compreender, por exemplo, que deputados são escolhidos pelo sistema proporcional, enquanto presidente, governador e senador seguem regras do sistema majoritário. Além disso, é importante saber diferenciar as competências municipais, estaduais e federais e entender como projetos são discutidos até eventualmente se transformarem em leis. Por isso, educação política não precisa significar defesa de um partido ou candidato. Pelo contrário, quando informações institucionais são apresentadas de maneira equilibrada e verificável, diferentes posições podem ser comparadas pelo próprio cidadão. O TSE também vem incentivando a participação de adolescentes e, em abril, anunciou uma parceria com o UNICEF para estimular jovens de 16 e 17 anos a obter o primeiro título. Assim, iniciativas independentes como a criada por Maurício aparecem dentro de um movimento mais amplo de aproximação dos adolescentes com o processo democrático.
Estudante de 16 anos cria projeto às vésperas de seu primeiro voto
Por fim, Estudante de 16 anos cria uma ferramenta que nasceu de uma pergunta aparentemente simples: depois de tirar o título, como escolher os representantes? A resposta encontrada por Maurício foi reunir informações e explicações que ele próprio gostaria de ter encontrado quando começou a pesquisar política. Entretanto, o impacto potencial do projeto vai além de sua experiência pessoal, já que outros adolescentes enfrentarão as mesmas dúvidas nas eleições de outubro. O primeiro turno será realizado em todo o país no dia 4, das 8h às 17h pelo horário de Brasília, e os eleitores escolherão representantes para seis cargos. Nesse contexto, conhecer as responsabilidades de cada função, comparar informações e consultar fontes confiáveis pode tornar o primeiro voto uma experiência mais consciente. Ao mesmo tempo, a decisão final permanece exclusivamente nas mãos do eleitor. Dessa forma, o VOTAE procura atuar não como um guia sobre em quem votar, mas como uma ferramenta para ajudar jovens a entender melhor o sistema antes de fazer sua própria escolha.





