É “abominável” que paulistas prefiram Tarcísio a Haddad, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom do discurso político neste sábado (5), durante um ato de campanha realizado em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Ao comentar a disputa pelo governo paulista, o petista questionou a preferência de parte do eleitorado pelo atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em vez do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). A declaração ocorreu em meio à mobilização política para as eleições de 2026 e colocou novamente no centro do debate a relação entre os critérios utilizados pelos eleitores e os candidatos que disputam espaço no maior colégio eleitoral do país.
Durante o evento, Lula classificou como “coisa abominável” a escolha de eleitores paulistas por um candidato que, segundo ele, teria menos vínculos com o Estado de São Paulo. Ao fazer a comparação, o presidente mencionou Tarcísio como “um cara do Rio” e destacou sua trajetória como tenente do Exército. Em seguida, contrapôs o atual governador a Fernando Haddad, apresentado por Lula como um “companheiro formado na USP”. A fala rapidamente ganhou destaque no discurso do presidente e reforçou a estratégia de apresentar a eleição estadual como uma disputa não apenas entre projetos políticos, mas também entre trajetórias e perfis distintos.
A referência de Lula a Tarcísio de Freitas está relacionada à origem do governador, que é do Rio de Janeiro, embora sua carreira política tenha se consolidado em âmbito nacional e, posteriormente, em São Paulo. Antes de chegar ao governo paulista, Tarcísio ocupou o Ministério da Infraestrutura durante o governo de Jair Bolsonaro e construiu sua trajetória política no Estado. Ele foi eleito governador de São Paulo e passou a ocupar posição de destaque no cenário político nacional. A observação feita por Lula, portanto, acrescenta ao debate eleitoral uma questão sobre identidade regional, origem e vínculo dos candidatos com o Estado que pretendem administrar.
Ao mencionar Fernando Haddad, Lula também procurou destacar a formação acadêmica e a experiência política do ex-ministro. Haddad é formado pela Universidade de São Paulo (USP), instituição tradicional do ensino superior brasileiro, e já ocupou cargos relevantes na administração pública. Além de ter sido ministro da Educação e ministro da Fazenda, também foi prefeito de São Paulo. A trajetória é utilizada pelo grupo político de Lula para reforçar a experiência do petista e sua familiaridade com os desafios administrativos da capital e do Estado. A possível disputa entre Haddad e Tarcísio, dessa forma, reúne dois nomes conhecidos do eleitorado e com trajetórias bastante diferentes.
Outro ponto citado pelo presidente durante o ato foi a afirmação de que Tarcísio “não sabia sequer a escola em que ia votar”. A declaração foi utilizada por Lula para questionar o grau de identificação do governador com São Paulo. O comentário ocorre em um momento em que a eleição estadual começa a ganhar maior relevância no debate político nacional, especialmente pela projeção de seus principais nomes. A escolha do próximo governador paulista deverá ser acompanhada de perto por partidos, lideranças e eleitores de outras regiões, já que São Paulo possui grande peso econômico, populacional e político no país.
Com a aproximação do calendário eleitoral, declarações como a de Lula tendem a ampliar a disputa por espaço no debate público e colocar os possíveis candidatos sob maior atenção. A comparação feita pelo presidente entre Tarcísio e Haddad mostra que a eleição paulista poderá envolver discussões sobre experiência, formação, origem, gestão pública e alinhamento político. Enquanto aliados de Lula trabalham para fortalecer o nome de Haddad, Tarcísio busca consolidar sua imagem junto ao eleitorado paulista. O cenário ainda poderá passar por mudanças até a votação, mas o episódio deste sábado evidencia que a disputa pelo governo de São Paulo já ocupa um lugar estratégico na agenda política nacional.





