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A grande maioria dos ministros do STF achou melhor não marcar presença no desfile de 7 de Setembro

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu não participar do desfile cívico-militar de 7 de Setembro, realizado nesta segunda-feira (7), em Brasília, em meio ao agravamento da crise interna na Corte. O presidente do Supremo, Edson Fachin, foi o único integrante do tribunal a comparecer à cerimônia na Esplanada dos Ministérios, onde esteve ao lado de outras autoridades. A ausência dos demais ministros ocorreu em um momento de forte tensão institucional envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.

A decisão chamou atenção porque a presença de integrantes do STF na celebração da Independência fazia parte do protocolo em anos anteriores. Em 2024, por exemplo, Alexandre de Moraes participou do desfile ao lado de Luís Roberto Barroso, então presidente da Corte, e de outros ministros, incluindo Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Fachin. Agora, contudo, o cenário político e institucional é bastante diferente, principalmente diante da crise provocada pelo caso envolvendo o Banco Master.

O episódio também ocorreu no mesmo dia em que manifestações políticas foram realizadas em diferentes pontos de São Paulo, com críticas ao governo Lula e ao STF. Na Avenida Paulista, Flávio Bolsonaro participou de um ato que teve Alexandre de Moraes como um dos principais alvos, enquanto outros candidatos à Presidência, como Romeu Zema e Renan Santos, participaram de mobilizações distintas. Dessa maneira, a ausência dos ministros em Brasília ganhou uma dimensão política ainda maior diante da forte exposição do Supremo no debate eleitoral.

Ministros do STF evitam desfile em meio à tensão

A ausência dos ministros ocorre poucos dias depois de André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento provocou uma nova escalada da crise interna do Supremo, principalmente depois que Moraes pediu a investigação de Mendonça por possíveis irregularidades. O caso passou a envolver também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Fachin assumiu uma posição central na tentativa de administrar o conflito e solicitou esclarecimentos aos principais envolvidos. O presidente do STF deverá decidir os próximos passos relacionados ao pedido de investigação e também indicará quando o tema será levado ao plenário da Corte. Enquanto isso, o ambiente interno permanece marcado por divergências sobre os procedimentos adotados por Mendonça e pelas reações de Moraes.

Nesse contexto, a presença de Fachin no desfile ganhou um significado institucional próprio, já que ele ocupa atualmente a presidência do Supremo. O ministro tem buscado apresentar uma postura de equilíbrio diante da crise e defende que os conflitos sejam tratados dentro das regras institucionais. A participação na cerimônia também ocorreu enquanto Fachin tenta conduzir o tribunal em uma das situações mais delicadas de sua atual composição.

Ministros do STF se afastam de evento ao lado de Lula

A ausência dos demais ministros também evitou uma exposição pública em um momento no qual o governo federal procura manter distância da crise que envolve o Supremo. Lula participou do desfile em Brasília e adotou a soberania nacional como principal tema de seu pronunciamento de 7 de Setembro, sem comentar diretamente as acusações e disputas envolvendo Moraes e Mendonça. A estratégia permitiu ao Palácio do Planalto concentrar a cerimônia em temas institucionais e nacionais, enquanto a crise do STF permaneceu no centro do debate político.

A situação é especialmente sensível porque a crise interna da Corte passou a repercutir diretamente na eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro tem utilizado o episódio para ampliar as críticas a Moraes e apresentar sua campanha como defensora de mudanças na relação entre os Poderes, enquanto setores do centro e até aliados de Lula passaram a cobrar explicações sobre o caso. Com isso, o Supremo deixou de ser apenas um elemento jurídico da disputa e passou a ocupar espaço cada vez maior no debate eleitoral.

O afastamento dos ministros do desfile, portanto, ocorreu em uma conjuntura na qual qualquer aparição pública poderia ser interpretada politicamente. Moraes, que já havia participado da cerimônia em anos anteriores, não compareceu neste 7 de Setembro, enquanto Fachin foi o único representante da Corte presente na Esplanada. A diferença em relação a 2024 evidencia como o ambiente institucional mudou diante da crise atual.

STF tenta administrar crise que ganhou as ruas

A crise envolvendo Moraes e Mendonça ainda deverá produzir novos desdobramentos dentro do Supremo, especialmente porque Fachin precisa conduzir os procedimentos relacionados aos pedidos de investigação e às informações solicitadas aos envolvidos. O relatório da Polícia Federal e as mensagens atribuídas a Vorcaro colocaram a atuação de ministros da Corte sob intensa pressão pública. Ao mesmo tempo, a PGR questionou a validade do relatório, acrescentando uma nova disputa institucional ao caso.

Assim, a ausência dos ministros no desfile de 7 de Setembro não pode ser analisada isoladamente do momento vivido pelo Supremo. A escolha de evitar a tribuna de honra ocorreu em meio a uma crise que já alcançou o Congresso, o governo federal e a campanha eleitoral, enquanto Fachin tenta preservar a imagem institucional da Corte. Nos próximos dias, as decisões do presidente do STF sobre os casos envolvendo Moraes e Mendonça deverão indicar se o tribunal conseguirá reduzir a tensão ou se a divisão interna continuará exposta publicamente.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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