Augusto Cury criticou o poder público durante sabatina na Jovem Pan

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou nesta segunda-feira (7) que presos são tratados como “lixos humanos” no sistema penitenciário brasileiro. A declaração foi feita durante uma sabatina promovida pela Jovem Pan, na qual o presidenciável apresentou propostas para a segurança pública e o sistema prisional. Para Cury, a falta de políticas adequadas de ressocialização contribui diretamente para o fortalecimento das facções criminosas dentro dos presídios.
Segundo Cury, os detentos precisam responder pelos crimes cometidos, mas não podem ser privados da possibilidade de reconstruir suas vidas. O candidato defendeu que o sistema penitenciário ofereça trabalho, formação profissional, espiritualidade e mecanismos para que os presos reflitam sobre os próprios erros. Na avaliação dele, esse conjunto de medidas poderia reduzir a reincidência e dificultar o recrutamento de novos integrantes pelas organizações criminosas.
O presidenciável afirmou que a situação atual também representa um problema econômico para a sociedade. De acordo com Cury, quando uma pessoa deixa a prisão sem ter sido ressocializada, existe um risco maior de que ela volte a cometer crimes e seja novamente encarcerada. Por isso, ele argumentou que o contribuinte acaba pagando duas vezes por um sistema que não consegue preparar adequadamente o preso para o retorno à sociedade.
Cury defende mudança no sistema prisional
Cury afirmou que o Brasil precisa criar um novo modelo para transformar os presídios em espaços de ressocialização. O candidato utilizou a expressão “escola da ressocialização” para defender uma mudança na forma como o Estado trata as pessoas privadas de liberdade. Segundo ele, o objetivo seria impedir que as penitenciárias continuem funcionando como ambientes favoráveis à formação e ao crescimento das facções.
Na visão do candidato, a ausência de atividades profissionais e educacionais contribui para agravar o problema da criminalidade. Ele defendeu que os presos tenham acesso a oportunidades que permitam a construção de uma nova trajetória depois do cumprimento da pena. A proposta apresentada por Cury combina responsabilização pelos crimes com medidas destinadas a diminuir a reincidência criminal.
A discussão sobre o sistema penitenciário ganhou espaço na campanha presidencial de 2026, com os candidatos apresentando propostas bastante diferentes para combater a criminalidade. Enquanto Cury enfatiza a ressocialização, outros presidenciáveis defendem medidas mais rígidas de punição e ampliação do sistema prisional. Flávio Bolsonaro, por exemplo, apresentou propostas como a redução da maioridade penal para 16 anos e o fim da progressão de regime para crimes hediondos.
Augusto Cury também falou sobre facções criminosas
Durante a sabatina, Cury também abordou a possibilidade de as facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas. O candidato afirmou que uma eventual mudança nessa classificação não poderia servir como justificativa para uma intervenção estrangeira no território nacional. Para ele, qualquer cooperação internacional deveria respeitar a soberania brasileira.
Cury declarou que o Brasil poderia estabelecer convênios com outros países e instituições de segurança, mas rejeitou a possibilidade de agentes estrangeiros atuarem diretamente no território nacional. A posição foi apresentada em meio ao debate sobre o combate às grandes organizações criminosas e sobre a participação de forças internacionais nessa estratégia. O candidato defendeu que as decisões sobre segurança pública permaneçam sob responsabilidade das autoridades brasileiras.
Cury amplia discurso sobre segurança e ressocialização
As declarações sobre os presos fazem parte de um discurso de Cury que procura combinar segurança pública com medidas voltadas à recuperação de pessoas condenadas. O candidato vem se apresentando na eleição como uma alternativa aos grupos políticos tradicionais e tem dado destaque a temas ligados à educação, saúde mental e combate à violência. Sua candidatura ganhou espaço recente após uma alta nas pesquisas eleitorais e forte crescimento de sua presença nas redes sociais.
Ao defender a ressocialização, Cury tenta colocar a prevenção da reincidência no centro do debate sobre segurança pública. A proposta apresentada pelo candidato parte da avaliação de que apenas manter pessoas presas não resolve o problema quando não existe preparação para o retorno à sociedade. Com isso, o presidenciável busca diferenciar seu discurso em uma campanha marcada por propostas de endurecimento penal e por diferentes visões sobre o combate ao crime organizado.





