‘Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes’, diz Flávio em manifestação na Paulista

O ato de 7 de Setembro realizado nesta segunda-feira (7), na Avenida Paulista, em São Paulo, ganhou um forte tom eleitoral com discursos direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a manifestação organizada por apoiadores da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que votar em Lula significa, em sua avaliação, apoiar também Moraes. A declaração marcou um dos principais momentos do evento e reforçou a estratégia do parlamentar de apresentar sua candidatura como uma continuidade do grupo político liderado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou Flávio diante do público reunido na região central de São Paulo.
O discurso do senador foi acompanhado por críticas diretas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal. Flávio declarou que pretende encerrar o que chamou de “consórcio de Lula e Moraes” e conduziu manifestações de apoio com palavras de ordem contra o presidente e o ministro. Em outro trecho, destacou que seu sobrenome continuará presente na disputa pelo Palácio do Planalto. “Vai ter Bolsonaro na Presidência, sim”, afirmou. A fala reforça a intenção do senador de ocupar o espaço político associado ao bolsonarismo nas eleições de 2026, em um cenário no qual a direita busca consolidar uma candidatura competitiva para enfrentar o atual governo.
Um dos pontos de maior repercussão do discurso foi a declaração de Flávio sobre uma eventual formação do Supremo durante seu mandato. O senador afirmou que pretende indicar cinco ministros para a Corte e mencionou diretamente Alexandre de Moraes ao dizer que o ministro “vai cair”. A declaração ocorre em meio ao debate político sobre a atuação do STF e à crescente pressão de setores da oposição por mudanças na composição e no funcionamento da Corte. Flávio também afirmou que o cenário político dos últimos anos teria aumentado a mobilização de seus apoiadores. Segundo ele, o sentimento de preocupação presente entre parte de seu eleitorado foi um dos fatores que levaram milhares de pessoas às ruas durante o feriado nacional.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também utilizou o palco para abordar questões relacionadas a Alexandre de Moraes. Em seu discurso, pediu esclarecimentos sobre informações recentemente divulgadas envolvendo o ministro e Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master. Tarcísio afirmou que as informações precisam ser analisadas e que o próprio Supremo deve buscar respostas para as dúvidas levantadas no debate público. “Ninguém está acima da lei”, declarou o governador. A manifestação ampliou o espaço dado ao tema durante o evento e mostrou que as críticas ao Supremo ocupam posição relevante na agenda de lideranças da direita brasileira.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que também participou do ato, seguiu a mesma linha de discurso e defendeu a saída de Moraes do STF. O parlamentar ainda afirmou que pretende realizar uma manifestação em frente à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o objetivo de pressioná-lo a analisar um pedido de impeachment contra o ministro. A iniciativa sinaliza que a oposição pretende levar o debate para além das ruas e buscar apoio dentro do Congresso Nacional. Com a proximidade do calendário eleitoral, temas envolvendo o Judiciário, o governo federal e o papel do Senado devem continuar presentes nas discussões entre partidos e grupos políticos.
As críticas ao ministro ganharam novo espaço no cenário nacional após a divulgação, na última semana, de mensagens e relatórios relacionados ao caso Banco Master e à relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O episódio passou a integrar o debate político e provocou questionamentos dentro e fora do STF, enquanto diferentes grupos defendem investigações e esclarecimentos sobre os fatos. No ato de São Paulo, o assunto foi incorporado ao discurso eleitoral da direita, ao lado das críticas ao governo Lula. A manifestação de 7 de Setembro, portanto, serviu não apenas como demonstração de apoio político, mas também como palco para antecipar temas que devem ganhar ainda mais destaque na corrida presidencial de 2026.





