Parlamentares que não acreditavam em impeachment no STF mudaram de ideia

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal mudou o ambiente político no Senado e fez crescer a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte. Parlamentares que antes descartavam essa hipótese passaram a admitir que um afastamento pode se tornar viável dependendo da nova composição do Congresso. Nesse cenário, Davi Alcolumbre decidiu aguardar as eleições de 2026 antes de definir como pretende agir.
O presidente do Senado terá de considerar não apenas o resultado da disputa presidencial, mas também a eleição de 54 novos senadores, que assumirão os mandatos em 2027. A avaliação de aliados é que Alcolumbre quer saber qual será o tamanho da bancada bolsonarista antes de decidir se abrirá algum processo e quem poderá ser o alvo. Assim, a renovação do Senado passou a ser vista como um fator decisivo para o futuro das relações entre o Congresso e o STF.
Alexandre de Moraes aparece no centro dessa discussão, especialmente após a divulgação de informações sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O episódio aumentou a pressão de setores da oposição e deu novo impulso à campanha de parlamentares que defendem o impeachment do ministro. Ao mesmo tempo, o cenário passou a envolver também André Mendonça, que se tornou desafeto de Alcolumbre e ganhou destaque ao revelar informações relacionadas ao caso.
Alcolumbre calcula impacto das eleições no Senado
A estratégia de Alcolumbre está diretamente ligada à disputa pela presidência do Senado em fevereiro de 2027. Segundo aliados, o senador sabe que o impeachment de Moraes pode funcionar como uma moeda de troca para conquistar o apoio de parlamentares bolsonaristas em uma eventual tentativa de permanecer no comando da Casa. Por isso, a decisão não seria tomada apenas com base nos acontecimentos atuais, mas também no equilíbrio de forças que sairá das urnas.
Apesar da pressão, aliados afirmam que Alcolumbre continua contrário ao afastamento de Moraes e mantém uma relação próxima com o ministro. O presidente do Senado já havia resistido a cobranças anteriores para colocar pedidos de impeachment em discussão e chegou a dizer que existiam 109 solicitações contra ministros do Supremo. A avaliação dentro de seu grupo, porém, é que o cenário político mudou e pode dificultar a manutenção dessa posição caso a nova bancada do Senado seja mais favorável ao impeachment.
A mudança de ambiente também alcançou senadores da base governista que tradicionalmente rejeitavam processos de afastamento de ministros do STF. Alguns parlamentares passaram a considerar que os acontecimentos recentes podem exigir uma resposta do Senado caso o próprio Supremo não consiga apresentar uma solução para a crise. Dessa forma, a discussão deixou de ser exclusivamente uma bandeira da oposição e passou a ganhar espaço em diferentes grupos políticos.
Crise entre Moraes e Mendonça amplia pressão
A divulgação das mensagens relacionadas a Moraes e Vorcaro aumentou a tensão porque colocou o comportamento de integrantes do Supremo no centro do debate político. André Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo de informações que mostraram detalhes da relação entre o ministro e o ex-banqueiro. A medida foi usada por adversários de Moraes como argumento para ampliar as cobranças por investigação e responsabilização.
Ao mesmo tempo, a disputa passou a atingir o próprio Mendonça, que também entrou no radar de setores ligados ao presidente do Senado. Segundo a Folha, pessoas próximas a Alcolumbre discutiram a possibilidade de um pedido de impeachment contra o ministro, com críticas à forma como ele conduziu medidas relacionadas à investigação de Moraes. O episódio revela como a crise deixou de envolver apenas um ministro e passou a produzir uma disputa mais ampla dentro do Supremo e no Congresso.
O cenário também ganhou dimensão eleitoral depois que Flávio Bolsonaro transformou o impeachment de Moraes em uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial. Durante os atos de 7 de Setembro, o senador voltou a explorar a crise do STF e defendeu uma postura mais dura do Senado diante das denúncias envolvendo o ministro. A mobilização reforçou a pressão sobre Alcolumbre justamente no momento em que ele tenta preservar espaço político para disputar novamente o comando da Casa.
Senado pode decidir futuro do Supremo após eleições
Caso a nova composição do Senado seja mais favorável ao bolsonarismo, a pressão pela abertura de um processo contra Moraes poderá aumentar significativamente. Parlamentares também discutem a possibilidade de que outros ministros sejam alvo de medidas semelhantes, o que transformaria a crise atual em uma discussão mais ampla sobre os limites de atuação do Supremo. Nesse ambiente, propostas de mudanças estruturais no Judiciário também passaram a ganhar espaço entre senadores.
Entre as ideias mencionadas estão a criação de mandatos fixos para ministros do STF e mudanças na idade mínima para indicação ao tribunal. A discussão poderá ganhar força a partir de 2027, dependendo do resultado das eleições e da disposição do novo Congresso para alterar regras relacionadas ao funcionamento do Judiciário. Até lá, Alcolumbre deverá manter a cautela e observar o resultado das urnas antes de definir se colocará o impeachment de algum ministro em andamento.





