Sem Michelle, Flávio criticou o presidente Lula e aproveitou para pedir o impeachment de Alexandre de Moraes

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro participou, na segunda-feira (7), de um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, marcado por críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Sem a presença de Michelle Bolsonaro, que não compareceu ao evento, o senador assumiu o protagonismo do discurso e procurou apresentar sua candidatura como continuidade do projeto político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação ocorreu durante o feriado da Independência do Brasil e reuniu parlamentares, lideranças religiosas e apoiadores do campo político bolsonarista.
Durante sua fala, Flávio afirmou que existe uma associação política entre Lula e Moraes e utilizou as expressões “Fora Lula” e “Fora Moraes” como eixo central de sua manifestação. O candidato também voltou a criticar a atuação do ministro do STF e afirmou que pretende impedir que um eventual governo Lula faça novas indicações para a Corte. Segundo Flávio, caso seja eleito, ele pretende indicar cinco ministros para o Supremo, relacionando essa promessa à possibilidade de saída de Moraes e a futuras vagas no tribunal.
O ato aconteceu em meio à crise envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça, que ganhou repercussão após a divulgação de informações relacionadas ao caso Banco Master. A tensão aumentou depois que Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e posteriormente determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. Nesse contexto, as críticas ao STF passaram a ocupar espaço central nos discursos de integrantes da oposição e foram incorporadas ao discurso eleitoral de Flávio.
Flávio Bolsonaro defende legado de Jair Bolsonaro na Paulista
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro também procurou reforçar a ligação com a trajetória política de Jair Bolsonaro e relembrou episódios marcantes da carreira do pai. O senador citou, entre outros pontos, o atentado sofrido pelo ex-presidente durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora, Minas Gerais. A referência foi utilizada para destacar a trajetória política de Jair Bolsonaro e reforçar a ideia de continuidade entre o antigo governo e a candidatura presidencial de Flávio.
A ausência de Michelle Bolsonaro foi explicada durante o próprio evento por Bia Kicis, que afirmou que a ex-primeira-dama não compareceu para cuidar do marido. Jair Bolsonaro atualmente cumpre prisão domiciliar, conforme informações divulgadas no contexto das decisões judiciais que envolvem o ex-presidente. Mesmo sem Michelle no palanque, outros nomes próximos ao bolsonarismo participaram da manifestação e defenderam posições favoráveis ao ex-presidente e críticas ao Supremo.
Entre os participantes estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e parlamentares como Nikolas Ferreira, Bia Kicis, Guilherme Derrite e Gustavo Gayer. O pastor Silas Malafaia também discursou e fez críticas diretas a Moraes, enquanto Tarcísio adotou uma abordagem mais voltada à necessidade de uma resposta institucional do Supremo diante das informações divulgadas recentemente. Dessa forma, embora diferentes autoridades tenham participado do mesmo evento, os discursos apresentaram diferenças na maneira de abordar a crise envolvendo o tribunal.
Críticas a Lula e pedido de impeachment de Alexandre de Moraes
O pedido de impeachment de Moraes apareceu entre as principais reivindicações apresentadas durante o ato na Paulista. Bia Kicis defendeu a abertura do processo contra o ministro, enquanto Nikolas Ferreira afirmou que pretende realizar uma manifestação em Macapá, no domingo (13), para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a dar andamento aos pedidos de impeachment. O tema também foi defendido por outros participantes, que associaram a atuação do Senado à fiscalização dos ministros do STF.
Flávio, por sua vez, concentrou parte significativa de sua fala na relação que afirmou existir entre Lula e Moraes. O candidato disse que pretende encerrar o que chamou de “consórcio” entre o presidente da República e o ministro do Supremo e afirmou que eleitores de Lula estariam, em sua interpretação, apoiando também a atuação de Moraes. Essas declarações fazem parte da estratégia discursiva adotada pelo candidato durante o ato, mas representam posicionamentos políticos de Flávio e não uma conclusão institucional sobre a relação entre o presidente e o ministro.
A manifestação também ocorreu enquanto o STF tentava administrar uma crise interna envolvendo Moraes e Mendonça. Depois da divulgação do relatório da Polícia Federal, Moraes apresentou pedido de investigação contra Mendonça, questionando a condução de procedimentos relacionados às operações envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresentassem manifestações sobre os fatos.
Crise no STF influencia discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro
A crise no Supremo passou, portanto, a ocupar posição importante no discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro, que apresentou mudanças na composição da Corte como uma das possíveis ações de um futuro governo. O candidato afirmou que indicaria cinco ministros caso fosse eleito e relacionou a promessa à eventual saída de Moraes, enquanto também defendeu uma mudança no que classificou como atuação do Judiciário. Pela Constituição, contudo, os ministros do STF são nomeados pelo presidente da República somente depois de aprovação pelo Senado Federal, e as indicações dependem da existência de vagas.
O ato da Paulista terminou com a manutenção de críticas a Lula, Moraes e ao STF, enquanto os participantes também defenderam o fortalecimento do Senado e a continuidade do legado político de Jair Bolsonaro. A manifestação ocorreu poucos dias antes do início da reta final da campanha presidencial e mostrou como a crise entre ministros do Supremo passou a integrar diretamente os discursos dos candidatos e de seus apoiadores. No caso de Flávio, a presença na Paulista serviu para apresentar suas propostas sobre o STF, defender a trajetória política do pai e estabelecer uma narrativa eleitoral centrada no confronto com o governo Lula e com Moraes.





