“Cortina de fumaça”: Sóstenes critica operação da PF e diz que cenário não muda

“Operação da PF é cortina de fumaça”, diz líder do PL
“Operação da PF é cortina de fumaça” foi a avaliação feita pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados, ao reagir à Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10). A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e tem entre seus alvos o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro. Sóstenes afirmou que a operação não altera o cenário político e atribuiu motivação política às medidas. Entretanto, essa interpretação representa a posição do parlamentar e não uma conclusão comprovada sobre a atuação da PF ou de Dino. A investigação foi conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), e as buscas foram autorizadas judicialmente no âmbito de uma apuração que já vinha sendo desenvolvida antes da operação desta quinta-feira.
Operação da PF é cortina de fumaça, afirma Sóstenes Cavalcante
Ao comentar o episódio, Sóstenes tentou minimizar possíveis consequências eleitorais para o PL. Segundo ele, haveria “zero mudança de vento” depois da operação, expressão utilizada para sustentar que as buscas não modificariam a estratégia adotada pela legenda na disputa política. Além disso, o líder partidário acusou Flávio Dino de agir seletivamente e questionou a credibilidade do ministro por, em sua avaliação, concentrar decisões contra integrantes da direita. A acusação, contudo, não foi acompanhada no texto-base de evidências que demonstrem direcionamento político da operação e, portanto, precisa ser apresentada como opinião do deputado. Dino é relator no STF de investigações relacionadas à aplicação de emendas parlamentares e foi nesse contexto processual que as medidas da Operação Make Up foram autorizadas. Dessa forma, uma análise isenta exige separar a crítica política feita pelo PL dos fundamentos jurídicos e elementos investigativos que motivaram as buscas.
Operação Make Up cumpriu 49 mandados em quatro unidades da Federação
A dimensão da investigação também ultrapassa Mario Frias. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os alvos está Karina Ferreira da Gama, empresária ligada à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, entidades relacionadas à empresária aparecem nas apurações sobre a destinação de emendas parlamentares. Segundo a Polícia Federal, existe a suspeita de atuação coordenada de agentes públicos e privados em possíveis desvios de recursos, inclusive por meio de subcontratações e serviços cuja realização estaria sem comprovação suficiente. A investigação abrange hipóteses de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em contratações públicas. Contudo, trata-se de uma fase investigativa. Consequentemente, os mandados e as suspeitas apresentadas pela PF não equivalem a condenações dos envolvidos.
Mario Frias e recursos de emendas estão no centro da investigação
Mario Frias ganhou destaque no caso porque, além de deputado federal, participou de Dark Horse como roteirista e produtor-executivo. A PF apura a destinação de aproximadamente R$ 2 milhões em emendas de sua autoria encaminhadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada a Karina Gama. Uma das linhas investigativas procura esclarecer se projetos apresentados para receber os recursos foram efetivamente executados e se houve eventual utilização do dinheiro em finalidade diferente da oficialmente prevista. Além disso, os investigadores analisam possíveis contratações consideradas suspeitas e documentos relacionados à execução das iniciativas. Frias, entretanto, nega irregularidades. Em manifestação anterior ao STF, afirmou que as acusações sobre as emendas são falsas e sustentou que os recursos não foram utilizados para financiar o filme. Portanto, embora tenham sido identificados elementos considerados suficientes para aprofundar a investigação e autorizar buscas, ainda será necessário estabelecer documentalmente o destino do dinheiro e a eventual responsabilidade individual dos envolvidos.
Líder do PL critica Dino enquanto partido avalia efeitos políticos da operação
A declaração de que a “Operação da PF é cortina de fumaça” também precisa ser entendida dentro do momento político vivido pelo PL. Nos últimos dias, dirigentes da legenda vêm criticando decisões de Flávio Dino e defendendo a atuação de André Mendonça em meio à crise instalada no Supremo. Antes mesmo da Operação Make Up, lideranças partidárias já planejavam explorar eleitoralmente o confronto entre os ministros e questionar decisões relacionadas à direção da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, integrantes do próprio PL demonstravam preocupação com a possibilidade de as investigações relacionadas a Dark Horse produzirem desgaste para o campo bolsonarista. Isso ocorre porque Flávio Bolsonaro participou da busca por financiamento privado para o filme e aparece em outra frente relacionada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Entretanto, é necessário fazer uma distinção: Flávio não aparece, nas informações divulgadas sobre a Operação Make Up, como alvo direto dos mandados cumpridos nesta quinta-feira.
Caso Dark Horse reúne investigações diferentes que não devem ser confundidas
Essa separação é importante porque Dark Horse aparece atualmente em mais de uma frente investigativa. A operação autorizada por Dino está concentrada em possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos e emendas parlamentares. Paralelamente, outra investigação examina o financiamento privado do filme e repasses associados a Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas anteriormente, Frias, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro participaram de esforços para captar recursos para a produção, enquanto Vorcaro teria destinado dezenas de milhões de reais ao projeto. Frias reconheceu contatos relacionados ao apoio financeiro, mas nega que recursos públicos tenham sido desviados para o longa. Assim, o simples fato de os mesmos personagens aparecerem em investigações distintas não demonstra que exista uma única estrutura criminosa conectando todos os episódios. Cada eventual irregularidade precisa ser comprovada separadamente. Da mesma maneira, a autorização de buscas por Dino não comprova a alegação política de perseguição feita por Sóstenes, assim como não determina antecipadamente a responsabilidade dos investigados.
“Operação da PF é cortina de fumaça”: discurso deve enfrentar resultado das investigações
Por fim, a afirmação de Sóstenes Cavalcante de que a “Operação da PF é cortina de fumaça” estabelece a linha política inicial adotada pelo líder do PL diante das buscas, porém o peso dessa narrativa dependerá dos próximos resultados da investigação. Documentos, registros financeiros e equipamentos recolhidos deverão ser examinados, enquanto os investigados terão oportunidade de apresentar suas versões e exercer o direito de defesa. Se forem encontradas evidências adicionais, novas diligências poderão ser solicitadas; por outro lado, suspeitas que não sejam sustentadas pelas provas também poderão perder força no decorrer do processo. Nesse sentido, classificar antecipadamente a operação como perseguição política ou, no sentido contrário, tratar os investigados como culpados seriam conclusões que ultrapassam o que está comprovado neste momento. A consequência política imediata, entretanto, já pode ser observada: o caso Dark Horse voltou ao centro do debate eleitoral e abriu uma nova frente de confronto entre o PL, a Polícia Federal e decisões tomadas no Supremo.





