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Karina Gama, alvo da operação da PF, disse que se for presa as coisas irão complicar

A produtora de Dark Horse, Karina Ferreira da Gama, afirmou que se sentiu ameaçada durante as investigações da Polícia Federal sobre suspeitas envolvendo recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo relato feito à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça estiveram na porta de sua residência durante a noite, mas não teriam apresentado documentos que comprovassem a função. A empresária também declarou que familiares e fornecedores ligados às suas empresas teriam sido procurados, situação que, segundo ela, provocou apreensão.

Karina afirmou que está colaborando com as autoridades e disse não compreender o motivo das pressões que relata ter sofrido durante o avanço das apurações. Ela declarou ainda que não participou da captação dos recursos utilizados no projeto e que sua atuação estaria concentrada na produção cinematográfica. Sobre uma eventual prisão, a produtora afirmou que não teria informações para apresentar às autoridades em uma possível colaboração premiada.

O relato ocorreu no mesmo período em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e incluiu Karina entre os principais alvos. A investigação apura suspeitas de utilização irregular de emendas parlamentares e de outros recursos públicos que poderiam ter sido direcionados, direta ou indiretamente, para o financiamento de Dark Horse. O deputado federal Mário Frias, que participou da produção do longa e destinou emendas sob investigação, também foi alvo da operação.

Karina Gama relata abordagem em sua residência

De acordo com o relato da produtora, a abordagem ocorreu na noite anterior à operação policial, quando pessoas teriam tocado a campainha de sua casa por volta das 21h. Segundo Karina, os indivíduos afirmaram ser oficiais de Justiça, mas não apresentaram documentação que confirmasse a identidade ou a finalidade da visita. A empresária disse ter interpretado a situação como uma forma de pressão e relatou estar assustada diante dos acontecimentos.

Karina também afirmou que pessoas relacionadas às empresas que administra e integrantes de sua família teriam sido abordados durante o período que antecedeu a ação da Polícia Federal. A produtora é proprietária da Go Up Entertainment e preside o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, entidades que aparecem em diferentes frentes das investigações. A defesa da empresária já havia questionado anteriormente a investigação conduzida em São Paulo e solicitado que o caso relacionado ao filme fosse levado ao Supremo Tribunal Federal.

As investigações sobre Karina não começaram com a operação realizada nesta quinta-feira, já que a Polícia Civil de São Paulo apura desde meses anteriores suspeitas relacionadas a um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo. Nesse procedimento, são analisados pagamentos, documentos e serviços contratados no âmbito de um projeto de fornecimento de internet sem fio. A empresária e as entidades ligadas a ela também foram alvo de medidas de busca e apreensão em uma etapa anterior da apuração.

Produtora nega ter informações para uma delação

Ao comentar a possibilidade de ser presa, Karina afirmou que não teria informações para fornecer em uma eventual colaboração com as autoridades. A declaração ocorreu depois de ela ter recebido uma sugestão para fazer uma delação, proposta que atribuiu a um pastor evangélico e que, segundo seu relato, teria sido feita em meio ao ambiente de pressão que afirma estar enfrentando. A produtora rejeitou a ideia e sustentou que não teria participado das decisões relacionadas à captação dos recursos investigados.

Sobre o financiamento de Dark Horse, Karina reconheceu ter recebido recursos provenientes do fundo Havengate, mas afirmou que desconhecia a identidade dos financiadores envolvidos na operação. A investigação da Polícia Federal também examina a participação financeira do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujo apoio ao filme teria sido articulado por meio de contatos ligados à família Bolsonaro. O caso financeiro envolvendo Vorcaro é objeto de uma apuração distinta, conduzida no Supremo Tribunal Federal pelo ministro André Mendonça.

Outro ponto analisado pelos investigadores envolve R$ 1 milhão destinado por meio de emenda parlamentar de Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil. Karina afirmou que o dinheiro continua em caixa porque o projeto de empreendedorismo estudantil ao qual os recursos estavam vinculados foi adiado em razão do encerramento do ano letivo de 2025. A Polícia Federal, entretanto, investiga a destinação das emendas e outros contratos associados às entidades relacionadas à produtora.

Investigação reúne diferentes frentes sobre Dark Horse

A Operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e alcançou 49 pessoas e empresas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, são apuradas suspeitas de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações, envolvendo possíveis desvios de recursos públicos. A Polícia Federal também analisa movimentações financeiras e relações entre empresas, entidades e pessoas ligadas à produção do filme.

Karina, por sua vez, afirma que está colaborando com as autoridades e nega ter informações ocultas que possam ser utilizadas em uma eventual delação. Enquanto as investigações avançam, os diferentes procedimentos que envolvem a produtora, o Instituto Conhecer Brasil, Mário Frias e o financiamento de Dark Horse continuam sendo analisados pelas autoridades competentes. Até o momento, as suspeitas investigadas ainda dependem da conclusão das apurações e da análise das provas reunidas nos diferentes inquéritos.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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