Magistrados não querem que a sessão do próximo dia 15 fique focada somente em Moraes

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a pressionar para que a sessão marcada para 15 de setembro não fique concentrada apenas em Alexandre de Moraes. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, integrantes da Corte ameaçam levar ao debate outras denúncias envolvendo magistrados caso somente o pedido de investigação contra Moraes seja analisado. O movimento ocorre em meio à crise provocada por informações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e às relações atribuídas a diferentes integrantes do tribunal.
A avaliação relatada por Mônica Bergamo é de que uma eventual análise isolada da situação de Moraes poderia provocar uma reação interna entre os ministros. Segundo os relatos publicados pela colunista, alguns magistrados defendem que denúncias envolvendo outros integrantes também sejam discutidas na mesma ocasião. Dessa maneira, a sessão poderá ser transformada em um debate mais amplo sobre suspeitas e pedidos de investigação dentro do próprio STF.
Entre os nomes mencionados estão André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, que aparecem em diferentes episódios citados na reportagem da Folha de S.Paulo. As situações são distintas e envolvem desde relações com pessoas ligadas ao Banco Master até questões envolvendo familiares dos ministros. Os magistrados citados, por sua vez, negam irregularidades ou apresentam explicações para os fatos mencionados.
Crise no STF amplia pressão sobre a sessão de setembro
De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, ministros defendem que os pedidos relacionados a Moraes e Mendonça sejam analisados conjuntamente. O primeiro envolve a possibilidade de investigação sobre a relação de Moraes com Vorcaro, enquanto o segundo está relacionado a uma acusação de abuso de autoridade contra Mendonça. A ideia apresentada por integrantes da Corte seria buscar uma solução que permita discutir os diferentes casos sem concentrar as atenções em apenas um magistrado.
Os ministros também defendem que Edson Fachin, presidente do STF, assuma a relatoria das investigações relacionadas a Vorcaro. Atualmente, o caso está sob responsabilidade de Mendonça, que também aparece entre os magistrados que poderão ser questionados durante a sessão. Segundo a Folha de S.Paulo, a possibilidade de mudança na condução dos procedimentos está sendo apresentada como uma alternativa para reduzir a tensão entre os integrantes da Corte.
Outro ponto citado na reportagem envolve o encontro entre Mendonça e Vorcaro ocorrido em março do ano passado. O ministro deverá ser questionado, segundo os relatos publicados por Mônica Bergamo, sobre as circunstâncias da reunião e também sobre o Instituto de Educação e Pesquisa, conhecido como Iter. Mendonça deixou neste mês a sociedade da instituição, que afirma não ter distribuído lucros.
Outros ministros aparecem em denúncias citadas pela coluna
Dias Toffoli também foi mencionado no contexto das denúncias que aumentaram a tensão no Supremo. Conforme a reportagem da Folha de S.Paulo, novas informações passaram a relacionar o ministro a questões financeiras envolvendo Vorcaro, embora Toffoli tenha negado possuir recursos no exterior ou ter realizado operações nas Ilhas Virgens Britânicas. A manifestação do ministro foi apresentada como resposta às informações divulgadas sobre o caso.
Kassio Nunes Marques aparece em outro episódio citado pela coluna de Mônica Bergamo, envolvendo seu filho e uma consultoria tributária. Segundo a publicação, a empresa recebeu R$ 18 milhões de companhias relacionadas ao Banco Master e à JBS e posteriormente contratou o escritório do filho do ministro por R$ 281,6 mil. Nunes Marques já havia afirmado que não mantinha relação com Vorcaro quando as informações sobre os repasses foram divulgadas.
Luiz Fux também é citado por causa da relação social de seu filho, Rodrigo Fux, com Daniel Vorcaro. De acordo com a Folha de S.Paulo, Rodrigo esteve com o ex-banqueiro no Sambódromo do Rio de Janeiro após receber um convite e também participou de uma degustação de uísque. Rodrigo Fux afirmou que nunca atuou como advogado de Vorcaro, enquanto os episódios são apresentados na reportagem como parte do conjunto de relações que passou a ser questionado no STF.
Ministros defendem investigação conjunta dos episódios
A possibilidade de ampliar a pauta da sessão de 15 de setembro está relacionada ao entendimento de alguns ministros de que eventuais apurações devem alcançar todos os casos relevantes. Um dos magistrados citados pela coluna afirmou que seria necessário investigar os diferentes episódios de uma só vez, em vez de concentrar o debate exclusivamente sobre Moraes. A proposta é apresentada como uma tentativa de estabelecer um tratamento semelhante para as denúncias envolvendo integrantes da Corte.
Enquanto a discussão avança, os ministros citados nas denúncias negam irregularidades e apresentam versões próprias sobre os fatos. Mendonça afirmou que o encontro com Vorcaro ocorreu por iniciativa do empresário e que ele apenas o ouviu, enquanto Toffoli negou ter mantido recursos no exterior. Assim, a sessão poderá colocar em debate não apenas a situação de Moraes, mas também diferentes questionamentos que atingem outros integrantes do Supremo.





