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Michelle critica decisão de Moraes e diz que restrição a visitas prejudica campanha ao Senado

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou nota nesta sexta-feira, 11, na qual expressa insatisfação com a decisão proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na véspera. A medida não atendeu integralmente ao pedido apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a presença de familiares na residência onde ele cumpre prisão domiciliar. Segundo a avaliação de Michelle, as regras estabelecidas mantêm limitações que dificultam sua participação em atos de campanha ao Senado pelo Distrito Federal — pleito no qual, conforme pesquisa Datafolha divulgada na mesma data, ela aparece na liderança das intenções de voto.

O pedido havia sido protocolado no dia 31 de agosto pelos advogados. O objetivo era obter autorização para que o pai, a madrasta e as irmãs de Michelle pudessem permanecer na casa sempre que ela precisasse se ausentar, seja por compromissos políticos, saúde ou motivos pessoais. A intenção, esclarece a nota, não era liberar visitas eventuais, mas garantir que Jair Bolsonaro tivesse companhia e apoio contínuo durante suas ausências, especialmente diante de problemas de saúde que o ex-presidente enfrenta. A situação ficou evidente no início de agosto, quando Michelle precisou ser internada e teve que aguardar autorização judicial para que uma irmã pudesse ficar ao lado dele.

A resposta do ministro, porém, estabeleceu regime diferente: autorizou encontros às quartas-feiras e aos sábados, com duração de duas horas em faixas de horário pré-definidas. Para a equipe de Michelle, a medida não corresponde ao que foi solicitado, pois trata como visita eventual uma presença que deveria funcionar como suporte permanente. A nota rejeita interpretações que teriam circulado sobre o teor da decisão, reforçando que a distinção entre permanência e visitação é fundamental e não foi considerada na resposta recebida.

A conciliação entre cuidados pessoais e atuação política tem sido um desafio constante para a ex-primeira-dama. No dia 9 de setembro, ela anunciou a criação de uma frente de mobilização intitulada “Exército Rosa”, voltada ao engajamento do eleitorado feminino em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em mensagem às presidentes estaduais do PL Mulher — ala que ela comandou por três anos antes de deixar o cargo em junho para se dedicar aos cuidados com o ex-presidente —, convocou mulheres de todo o país a participarem da campanha.

“Nós preparamos o PL Mulher para a hora da grande mudança, e essa hora chegou. O nosso Exército Rosa, a força de transformação do Brasil, vai agir e ninguém vai nos parar”, declarou na gravação. Prosseguiu explicando que, por Jair Bolsonaro estar em regime de restrição, ela tem permanecido ao lado dele, mas conta com o apoio das aliadas para seguir em frente. “Deus colocou vocês ao nosso lado e nós contamos com a sua ajuda para mudarmos a realidade do nosso país”, completou, dirigindo o apelo a “todas as mulheres de bem” do Brasil.

A combinação entre a disputa eleitoral e as condições de convívio familiar coloca em destaque como regras judiciais e direitos políticos se entrelaçam no período eleitoral. A expectativa agora recai sobre possíveis novas manifestações da defesa e sobre como a restrição de circulação poderá repercutir na agenda de campanha de Michelle. O desenrolar do caso deverá indicar se haverá revisão das normas estabelecidas ou se elas permanecerão como definidas, definindo o ritmo e a forma de atuação da candidata nas semanas que antecedem a votação.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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