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Michelle pediu a Moraes para deixar familiares ficarem cuidando de Bolsonaro enquanto estivesse em campanha

A assessoria de Michelle Bolsonaro contestou a decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre as visitas de familiares ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a equipe da ex-primeira-dama, o pedido apresentado pela defesa não solicitava apenas autorização para visitas, mas a possibilidade de familiares permanecerem na residência durante as ausências de Michelle. A informação foi divulgada pela colunista Neila Guimarães, do Metrópoles, nesta sexta-feira, 11 de setembro.

A petição foi protocolada em 31 de agosto pelos advogados de Jair Bolsonaro. O documento pedia que os sogros e as cunhadas do ex-presidente, que são familiares de Michelle, pudessem permanecer na casa durante os períodos em que ela precisasse se ausentar. A solicitação também considerava situações relacionadas à campanha eleitoral de Michelle para o Senado pelo Distrito Federal.

A equipe de Michelle afirma que o pedido surgiu, entre outros motivos, após uma situação ocorrida no início de agosto. Na ocasião, segundo a assessoria, Michelle precisou ser internada e foi necessário aguardar autorização judicial para que uma irmã pudesse permanecer na residência e acompanhar Bolsonaro. A intenção seria evitar que uma situação semelhante voltasse a ocorrer quando Michelle estivesse fora de casa.

Decisão de Moraes autoriza visitas a Bolsonaro

Em 10 de setembro, Moraes autorizou a visita de familiares a Jair Bolsonaro durante os períodos em que Michelle não estiver na residência. A decisão permite que as visitas ocorram às quartas-feiras e aos sábados, em horários previamente definidos. Cada visita está limitada a uma faixa de duas horas, entre 8h e 10h, 11h e 13h ou 14h e 16h.

Entre os familiares autorizados estão Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, além de Vicente de Paulo Reinaldo, Maisa Torres Antunes, Geovanna Kathleen e Suyane Lanuze Lima. Os filhos de Jair Bolsonaro, Carlos e Renan Bolsonaro, já possuíam autorização para visitá-lo. A medida foi estabelecida enquanto o ex-presidente permanece em prisão domiciliar em Brasília.

De acordo com a assessoria de Michelle, entretanto, a decisão não atende ao que havia sido solicitado pela defesa. A equipe afirma que a petição tinha como objetivo permitir a permanência dos familiares na residência, e não somente estabelecer horários específicos para visitas. Por isso, a comunicação da ex-primeira-dama classificou a decisão como restritiva.

Michelle aponta impacto na campanha eleitoral

A campanha de Michelle Bolsonaro também foi mencionada no pedido apresentado ao Supremo Tribunal Federal. Segundo a assessoria, a possibilidade de familiares permanecerem com Jair Bolsonaro durante suas ausências permitiria que ela cumprisse compromissos eleitorais no Distrito Federal e, eventualmente, em outros estados. A equipe afirma que essa questão foi considerada na elaboração da petição protocolada em agosto.

Em nota divulgada nesta sexta-feira, a equipe de Michelle afirmou que os atos de campanha continuam restringidos em razão da decisão. A avaliação apresentada pela assessoria é de que a autorização para visitas por períodos determinados não resolve a necessidade de acompanhamento de Bolsonaro durante as ausências da ex-primeira-dama. A manifestação também rejeitou interpretações de que a decisão teria autorizado familiares a permanecerem livremente na residência.

A controvérsia ocorre durante a campanha eleitoral de 2026, na qual Michelle disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Nos últimos dias, a necessidade de conciliar a agenda eleitoral com os cuidados relacionados à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro passou a fazer parte das discussões sobre a rotina da candidata. A decisão de Moraes estabeleceu uma forma específica para a presença de outros familiares na residência.

Regras para as visitas durante ausência de Michelle

A decisão de Moraes prevê que os familiares autorizados possam visitar Jair Bolsonaro somente nos dias e horários determinados. As visitas foram previstas para ocorrer às quartas-feiras e aos sábados, com três opções de faixa horária ao longo do dia. A autorização está condicionada ao cumprimento das demais medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

A defesa havia argumentado que a presença de familiares seria necessária durante os períodos em que Michelle estivesse ausente da residência. O pedido também buscava contemplar compromissos eleitorais e situações inesperadas que pudessem impedir a ex-primeira-dama de permanecer no local. A assessoria sustenta que a decisão final tratou a solicitação como um pedido de visitas, e não como uma autorização para permanência dos familiares.

Assim, a equipe de Michelle mantém a contestação em relação ao alcance da decisão assinada por Moraes. O ponto central da manifestação é a diferença entre permitir visitas em horários determinados e autorizar que familiares permaneçam na residência enquanto ela estiver ausente. Até o momento, a decisão vigente estabelece apenas as visitas nos dias e períodos definidos pelo ministro.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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