Moraes quer ter acesso ao celular de Vorcaro e André Mendonça disse se está ou não com o aparelho

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a afirmar que não está de posse do celular original de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A manifestação ocorreu após cobranças dos ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes sobre o acesso aos dados extraídos do aparelho. Segundo Mendonça, o telefone permanece sob custódia da Polícia Federal, enquanto uma cópia de segurança entregue ao seu gabinete está lacrada e não foi aberta.
A discussão envolve informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro e utilizadas em um relatório sobre conversas mantidas pelo empresário com Moraes. Zanin solicitou acesso integral ao material para analisar os elementos relacionados ao julgamento previsto para 15 de setembro. O ministro também pediu que a mídia fosse disponibilizada aos demais integrantes da Corte para permitir que todos examinassem o conteúdo.
Em resposta, Mendonça explicou que, quando assumiu a relatoria dos processos ligados ao Banco Master, determinou que os materiais originais apreendidos permanecessem sob custódia da PF. O ministro afirmou ainda que a corporação entregou voluntariamente ao gabinete uma cópia dos dados extraídos do aparelho. Essa cópia está armazenada em um HD criptografado, dentro de um envelope lacrado, segundo a manifestação.
Dados do celular de Vorcaro permanecem sob custódia da PF
A explicação de Mendonça ocorre em meio a uma disputa sobre o acesso aos elementos reunidos durante a investigação do caso Master. Zanin sustentou que os dados deveriam ser compartilhados com os demais ministros para garantir condições iguais de análise durante o julgamento. O pedido foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, que solicitou esclarecimentos a Mendonça.
De acordo com Mendonça, a cópia mantida em seu gabinete nunca foi aberta ou manipulada desde que chegou ao local. O ministro afirmou que o armazenamento do material em condições lacradas está relacionado à preservação da cadeia de custódia dos dados. Já o conteúdo original permanece, segundo ele, sob responsabilidade da Polícia Federal.
Zanin, entretanto, reiterou a solicitação de acesso após receber a resposta do colega. O ministro argumentou que a mídia deveria ser compartilhada com os demais julgadores, ou que a própria Polícia Federal disponibilizasse cópias aos gabinetes do STF. A intenção apresentada por Zanin é utilizar o conteúdo na análise das questões que serão discutidas pelo plenário.
Pressão aumenta antes de sessão do Supremo
A controvérsia sobre os dados do celular ocorre paralelamente a uma série de decisões relacionadas ao sigilo das investigações do Banco Master. Na sexta-feira, Mendonça retirou o sigilo de novos processos vinculados ao caso, incluindo procedimentos envolvendo políticos e a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. Mesmo com a ampliação do acesso a esses processos, o conteúdo completo do celular de Vorcaro continuou protegido.
A questão também passou a envolver o presidente do STF, Edson Fachin, depois que a Procuradoria-Geral da República pediu a retirada ampla do sigilo das investigações. Fachin determinou que Mendonça fornecesse, em 24 horas, acesso aos documentos relacionados ao caso, ressalvadas as diligências que ainda estivessem em andamento. O episódio ampliou a discussão interna sobre quais informações deveriam estar disponíveis aos integrantes da Corte.
Além disso, o acesso ao material do celular ganhou importância diante da sessão extraordinária marcada para 15 de setembro. Na ocasião, o STF deverá analisar elementos relacionados ao relatório da Polícia Federal que menciona conversas entre Vorcaro e Moraes. Zanin afirmou que o acesso aos dados seria necessário para realizar uma análise completa dos elementos que poderão ser considerados no julgamento.
Mendonça mantém posição sobre acesso ao conteúdo
Mendonça também sustentou que a liberação integral dos dados poderia comprometer investigações que ainda estão em andamento. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ministro considera que os elementos necessários para os julgamentos já foram disponibilizados aos ministros, enquanto o restante do conteúdo permanece protegido para preservar outras apurações. A posição mantém o impasse em torno do compartilhamento da mídia.
Enquanto isso, o celular original de Vorcaro permanece sob custódia da Polícia Federal, de acordo com a manifestação apresentada por Mendonça. A cópia de segurança que está no gabinete do ministro continua lacrada, sem registro de abertura ou manipulação desde sua entrega. O acesso ao conteúdo e sua eventual utilização pelos ministros deverão continuar sendo discutidos no contexto das decisões relacionadas ao caso Master.





