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Ministro André Mendonça garantiu que os arquivos do celular de Vorcaro continuam lacrados

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que não acessou nem manipulou os arquivos extraídos do iPhone de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A declaração foi apresentada em resposta a questionamentos feitos pelo ministro Cristiano Zanin sobre a disponibilidade das informações para análise dos integrantes da Corte. Segundo Mendonça, a cópia dos dados entregue ao seu gabinete permanece lacrada e nunca foi aberta.

A controvérsia envolve o conteúdo de um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master. Zanin pediu acesso integral às mídias armazenadas em um HD específico para examinar os elementos que envolvem conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça, porém, sustentou que a disponibilização completa do material poderia comprometer investigações que ainda estão em andamento.

De acordo com Mendonça, o aparelho original não está sob sua posse e continua sob custódia da Polícia Federal. O ministro explicou que recebeu apenas uma cópia de segurança dos dados, mantida em seu gabinete como medida de preservação para eventual necessidade de contraprova. Essa mídia, segundo ele, permanece armazenada de forma lacrada e sem qualquer acesso desde que foi entregue.

Dados do iPhone de Vorcaro entram em disputa no STF

O pedido de Zanin ocorreu em meio às discussões sobre quais informações devem estar disponíveis aos ministros que participarão da análise do caso. O magistrado defendeu que todos os integrantes do colegiado tenham condições de consultar os mesmos elementos antes da sessão marcada para 15 de setembro. A solicitação envolve especialmente os dados que possam esclarecer as comunicações entre Vorcaro e Moraes mencionadas em relatório da Polícia Federal.

Mendonça afirmou que os elementos necessários para o julgamento já foram disponibilizados aos ministros e que a abertura indiscriminada de todo o conteúdo poderia afetar a continuidade de outras apurações. Na avaliação apresentada pelo ministro, o sigilo de determinados dados é necessário enquanto diligências relacionadas ao caso permanecem em andamento. Por isso, ele manteve a posição de que a cópia integral armazenada em seu gabinete não deveria ser aberta neste momento.

A discussão ganhou novos contornos depois que o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Mendonça esclarecesse a situação dos dados e atendesse às medidas relacionadas ao levantamento de sigilos. A Procuradoria-Geral da República havia solicitado uma abertura mais ampla dos documentos vinculados ao caso Master. Fachin determinou a disponibilização dos dados relacionados ao processo aos demais ministros, ressalvando diligências que ainda estejam em andamento.

Caso Master amplia discussão sobre sigilos

A disputa sobre o celular ocorre paralelamente à divulgação de documentos de diferentes procedimentos relacionados ao Banco Master. Mendonça retirou o sigilo de 38 documentos envolvendo investigações que incluem o caso do filme “Dark Horse” e processos relacionados a políticos como Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro, Jaques Wagner e Ciro Nogueira. Parte das informações, entretanto, continua protegida quando relacionada a investigações ou diligências ainda em curso.

A Procuradoria-Geral da República também apontou que 18 ações relacionadas ao caso ainda permaneciam sob sigilo após a primeira relação apresentada por Mendonça. O ministro negou ter omitido documentos e afirmou que todos os materiais disponíveis haviam sido divulgados conforme as determinações judiciais. Alexandre de Moraes, por sua vez, defendeu o levantamento completo dos sigilos e afirmou que o acesso deveria ocorrer de maneira uniforme entre os integrantes da Corte.

Nesse cenário, os dados do iPhone de Vorcaro passaram a ocupar um papel central na discussão sobre o relatório produzido pela Polícia Federal. O conteúdo é citado no contexto das mensagens trocadas pelo empresário com Moraes, que serão analisadas pelo STF em sessão extraordinária prevista para 15 de setembro. Zanin considera necessário consultar as mídias para avaliar diretamente os elementos que serão levados à apreciação dos ministros.

Mendonça mantém cópia do celular lacrada

Mendonça reiterou que a cópia existente em seu gabinete não foi aberta desde que chegou ao STF. O ministro afirma que a manutenção do material lacrado tem relação com a preservação dos dados e com a possibilidade de utilização como contraprova caso o conteúdo original seja perdido ou extraviado. O aparelho original, segundo sua manifestação, continua sob responsabilidade da Polícia Federal.

A discussão sobre o acesso ao conteúdo ocorre às vésperas da sessão em que os ministros deverão examinar o relatório da Polícia Federal envolvendo as mensagens entre Vorcaro e Moraes. Enquanto Zanin cobra acesso às mídias para os integrantes da Corte, Mendonça sustenta que a abertura integral pode interferir em investigações ainda não concluídas. O impasse permanece inserido no conjunto de medidas e decisões relacionadas ao caso Master que estão sendo analisadas pelo Supremo.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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