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Há três anos, ministro Alexandre de Moraes deu uma declaração que voltou a circular

Uma declaração feita por Alexandre de Moraes em 2023 voltou a ganhar repercussão nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, às vésperas da sessão do Supremo Tribunal Federal que analisará a situação do ministro. Na ocasião, durante um evento promovido pela revista Piauí, Moraes afirmou que não confiava no WhatsApp e disse que utilizava o aplicativo de maneira bastante limitada. A fala voltou a circular justamente em meio à divulgação de mensagens relacionadas ao ministro e ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.

O comentário foi feito durante uma conversa sobre a comunicação entre autoridades e os limites de contatos institucionais fora dos canais formais. Moraes defendia, naquele momento, que autoridades públicas deveriam manter conversas institucionais independentemente de posições partidárias ou ideológicas, desde que os contatos fossem lícitos e republicanos. Ao ser questionado sobre transparência e sobre os meios utilizados nessas conversas, ele mencionou o WhatsApp e afirmou que não confiava no aplicativo.

A declaração ganhou novo significado no contexto atual porque documentos divulgados nas últimas semanas registraram comunicações atribuídas a Moraes e Vorcaro. Segundo informações apresentadas nas investigações, parte dessas mensagens teria sido encaminhada pelo empresário ao ministro por meio de capturas de tela e mensagens em modo de visualização única. O conteúdo passou a integrar a discussão que antecede a sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro, quando os ministros deverão avaliar se há elementos para a abertura de uma investigação envolvendo Moraes.

A declaração feita por Moraes em 2023

A participação de Moraes no evento da Piauí ocorreu em 13 de junho de 2023, quando o ministro também falou sobre a exposição pública que havia adquirido por atuar em processos de grande repercussão no STF e no Tribunal Superior Eleitoral. Na conversa, ele comentou que utilizava o celular de forma bastante objetiva e revelou que não costumava confiar no WhatsApp para suas comunicações. A declaração foi registrada na época por jornalistas que acompanharam o evento e também apareceu em reportagem publicada pelo UOL naquele mesmo dia.

Na ocasião, o ministro foi questionado sobre a necessidade de manter conversas institucionais entre autoridades e sobre os critérios que deveriam orientar esses contatos. Moraes respondeu que as conversas deveriam ser lícitas e republicanas, mas também questionou a ideia de que toda comunicação informal necessariamente produziria transparência. Foi nesse contexto que afirmou não confiar muito no WhatsApp e indicou que seu uso do aplicativo se restringia, segundo suas próprias palavras, a mensagens simples de cumprimento.

A fala não estava relacionada ao caso Banco Master, que só posteriormente passaria a envolver documentos e mensagens entre Moraes e Vorcaro. Naquele momento, o ministro também tratava de temas ligados à atuação do STF, à liberdade de expressão, aos ataques contra a Corte e aos processos que estavam sob sua responsabilidade. O registro de 2023 passou a ser retomado agora porque a investigação atual envolve justamente comunicações digitais atribuídas a uma autoridade pública e a um empresário investigado.

Mensagens de Vorcaro entram no centro da crise

As comunicações relacionadas a Vorcaro foram localizadas durante as investigações sobre o Banco Master e passaram a ser analisadas pelos órgãos responsáveis pela apuração. Entre os elementos divulgados estão mensagens encaminhadas pelo empresário a Moraes, inclusive registros nos quais Vorcaro buscava tratar de questões relacionadas às investigações e a outros assuntos de interesse pessoal. A existência dessas mensagens não significa, por si só, que tenha sido comprovada qualquer irregularidade por parte do ministro, e o conteúdo precisa ser analisado dentro do conjunto da investigação.

O material também inclui informações sobre contratos envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um dos documentos divulgados prevê pagamentos de R$ 131 milhões ao longo de três anos por serviços jurídicos prestados ao banco, enquanto outro contrato, no valor de R$ 50 milhões, foi apresentado em documentos relacionados à Viking Participações, embora o escritório tenha informado que esse segundo acordo não chegou a ser assinado. A Polícia Federal também analisou documentos e mensagens para verificar as circunstâncias desses vínculos e a participação de diferentes personagens no caso.

A crise no STF aumentou depois que documentos e decisões de diferentes ministros passaram a revelar divergências sobre a condução de procedimentos relacionados ao Banco Master. André Mendonça retirou o sigilo de diversos processos após solicitação de Edson Fachin, enquanto Moraes também pediu acesso a uma ação que permanecia sob sigilo. O conjunto de medidas ampliou a quantidade de informações disponíveis aos integrantes da Corte antes da análise marcada para esta terça-feira.

STF analisará situação do ministro

A sessão extraordinária marcada para 15 de setembro terá como um dos principais pontos a análise dos elementos relacionados à relação entre Moraes e Vorcaro. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a condução da apuração preliminar envolvendo o ministro e passou a centralizar procedimentos que envolvem integrantes da própria Corte. A mudança ocorreu em meio a decisões conflitantes e à necessidade de organizar a tramitação dos diferentes processos relacionados ao caso.

A discussão deverá considerar documentos, mensagens e informações financeiras que foram incorporados às apurações e posteriormente tiveram parte de seu sigilo retirado. Os ministros precisarão avaliar os elementos disponíveis para decidir se existe fundamento para instaurar uma investigação formal sobre a conduta de Moraes. Até o momento, a divulgação dos documentos e das mensagens não equivale a uma conclusão de responsabilidade criminal ou administrativa do ministro.

Nesse cenário, a declaração feita por Moraes três anos atrás voltou ao debate público por apresentar uma afirmação direta sobre sua relação com o WhatsApp. O comentário de 2023, porém, não permite estabelecer sozinho qualquer relação com as mensagens que surgiram posteriormente no caso envolvendo Vorcaro, e os fatos precisam ser considerados separadamente. A análise do STF deverá ocorrer a partir dos documentos e elementos formalmente apresentados no processo, independentemente da repercussão que a antiga declaração voltou a provocar nas redes sociais e no meio político.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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