Quem são os filhos de Luiz Fux e Nunes Marques citados por Vorcaro

No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal realizou sessão extraordinária para analisar se havia elementos suficientes para investigar o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Caso Banco Master, novas mensagens tornadas públicas revelam supostos pagamentos e aproximações envolvendo filhos de outros dois ministros da Corte. Os conteúdos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro trazem conversas com o diretor jurídico da instituição, Luiz Rennó, nas quais são citadas transferências e contatos com Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio Nunes Marques, e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux. A divulgação insere novos nomes no centro da polêmica e amplia o escrutínio sobre relações entre o meio jurídico e o sistema financeiro.
As mensagens referentes a Kevin de Carvalho Marques citam valores da ordem de R$ 500 mil por mês, vinculados a uma empresa chamada Consult Inteligência Tributária, sediada em Teresina. Em troca de mensagens de 2024, Rennó apresenta uma planilha de pagamentos e, em 2025, pergunta se os valores seriam mantidos e cobra a regularização de um dos repasses. Kevin confirma ter recebido R$ 281,6 mil da Consult por serviços prestados, mas nega ter recebido qualquer valor diretamente de Vorcaro ou do banco. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master no período de um ano.
Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, é advogado com registro na Ordem dos Advogados do Brasil desde fevereiro de 2024. É o único sócio do escritório que leva seu nome, aberto em Brasília com capital social de R$ 50 mil. Seu nome aparece em 22 processos distribuídos principalmente no Tribunal de Justiça do Piauí, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e no Superior Tribunal de Justiça. Levantamento da Folha de S.Paulo apontou que ele acumulou R$ 27,7 milhões aplicados em fundos de investimento, conforme documentos enviados pela Comissão de Valores Mobiliários à CPI do Crime Organizado. Na ocasião, não houve acusação de irregularidade associada ao patrimônio.
Já as conversas entre Vorcaro e Rodrigo Fux, advogado e sócio do escritório Fux Associados, estendem-se de maio de 2024 a agosto de 2025. Nas mensagens, o banqueiro pede auxílio em um processo não especificado, os dois combinam encontros em diferentes cidades e Vorcaro oferece convites para camarote no Carnaval do Rio de Janeiro. Em março de 2025, Rodrigo orientou o banqueiro a enviar mensagem à secretária do ministro Luiz Fux no STF. A assessoria de Rodrigo informa que nenhuma parceria comercial se concretizou e que não houve recebimento de valores.
Em junho de 2025, Rodrigo retoma o contato para saber sobre a agenda de Vorcaro. Em agosto, envia mensagem dizendo ter percebido “a movimentação” e pergunta se o banqueiro mantém o interesse, sem detalhar a que se refere. O escritório de Rodrigo Fux tem sedes no Rio de Janeiro e em São Paulo; ele é descrito como especialista em litígios de alta complexidade. A Polícia Federal identificou que os contatos entre os dois foram mantidos de forma ativa por mais de um ano. Até o momento, os escritórios de ambos não retornaram contato da reportagem.
As revelações surgem num momento em que a credibilidade da instituição está sob observação intensa. A sociedade acompanha com atenção cada desdobramento, ciente de que a confiança no Poder Judiciário depende da clareza com que tais vínculos são esclarecidos. O que se espera é que as apurações prossigam com isenção, que os fatos sejam devidamente averiguados e que as explicações sejam apresentadas de forma transparente. A integridade das instituições não pode depender de quem ocupa cargos, mas sim de regras claras, cumpridas igualmente por todos, independentemente de parentesco ou posição.





