Lula pede a brasiliense para não votar em Michelle ao Senado e volta a falar de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez discurso firme em comício realizado nesta quarta-feira, 16, em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, pedindo aos eleitores que não elejam candidatos alinhados à direita. A cidade é berço da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que aparece como favorita na disputa por uma vaga no Senado. O petista associou a escolha nas urnas à preservação da soberania nacional e criticou a atuação de lideranças opositoras que, segundo ele, buscam apoio externo para influenciar o processo eleitoral brasileiro.
Lula dirigiu críticas diretas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra nos Estados Unidos. Para o presidente, o parlamentar atua a mando do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e tenta envolver autoridades norte-americanas na campanha brasileira. “Este país não aceita quem age de forma contraditória: mostra a bandeira nacional em público e busca apoio externo em particular”, declarou. Lula adiantou que, durante viagem à Assembleia-Geral da ONU na próxima semana, terá conversa com o presidente Donald Trump e será direto: “Vou dizer: não se meta nas eleições do Brasil”.
O presidente também atacou propostas que, segundo ele, representam risco ao patrimônio e ao bem-estar da população. Citou especificamente a ideia de privatização de praias, atribuindo-a ao grupo político adversário. No plano local, pediu explicitamente que os eleitores não escolham as duas candidatas de direita ao Senado pelo Distrito Federal: Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis. Sem nomeá-las diretamente, observou que uma se alinha ao irmão e a outra ao filho de suplente, convidando a plateia a apoiar Érika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT), presentes no palanque.
A primeira-dama Janja Lula da Silva discursou antes do presidente e reforçou o mesmo apelo. Fez referência direta à candidata nascida na região: “Há uma ‘Bolsonara’ daqui de Ceilândia que todos conhecem bem. Digam não aos Bolsonaros e ao que eles representam”, disse. A articulação entre os dois discursos sinaliza estratégia unificada da campanha governista para disputar votos em território onde a oposição tem demonstrado força nas últimas eleições.
Lula abordou ainda a situação do Banco de Brasília (BRB), ligando dificuldades da instituição a gestões anteriores. Apontou o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) como responsável por vínculos com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. “O BRB adquiriu títulos que não existiam, no valor de R$ 12 bilhões, por conta dessa relação”, afirmou. Criticou também a atual gestão, dizendo que tenta transferir a responsabilidade ao governo federal de maneira enganosa. A governadora Celina Leão é citada nas críticas, sem que haja manifestação oficial sobre os pontos levantados.
O presidente esclareceu a posição da União em relação ao suporte financeiro ao banco. “Dizem que, sem recursos federais, não será possível pagar benefícios sociais. Nós não vamos deixar o povo sem amparo, mas não vamos disponibilizar verbas para cobrir prejuízos de gestão”, declarou. A postura busca separar a garantia de direitos da população de qualquer auxílio que possa ser interpretado como salvamento de instituição por decisão política. O eleitorado do Distrito Federal acompanha os desdobramentos, ciente de que as escolhas nas urnas definirão rumos importantes para o estado e para o país.





