Lula chama Flávio de “ninguém” e pede para ser comparado com Jair Bolsonaro

O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez declarações marcantes em agenda realizada nesta quinta-feira, 17, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Dirigindo-se aos eleitores presentes, pediu que sua gestão seja comparada à do ex-presidente Jair Bolsonaro, e não à de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência. “Não quero ser colocado ao lado do Flávio, que ainda não demonstrou trajetória à altura do cargo. Quero ser comparado ao pai dele, que governou o país por quatro anos e deixou um caminho que todos conhecem”, afirmou.
Lula recordou então os desdobramentos do mandato de Jair Bolsonaro, citando os eventos de 8 de Janeiro e as investigações que se seguiram. “Ele tentou impedir a continuidade do processo democrático. Foram planejadas ações contra mim, contra o vice-presidente Geraldo Alckmin e contra o ministro Alexandre de Moraes, na época presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, lembrou. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de reclusão por articular tentativa de não reconhecimento do resultado eleitoral de 2022. Durante as apurações, a Polícia Federal encontrou documento que previa a eliminação de autoridades e a tomada de instalações militares, embora não haja confirmação de que ele tivesse conhecimento direto ou participado da elaboração do plano.
A visita a Montes Claros marca a primeira ida de Lula ao interior mineiro nesta campanha. A agenda incluiu passagem pelo complexo industrial farmacêutico da cidade e caminhada ao lado do candidato ao governo do estado, Patrus Ananias (PT), além das postulantes ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol). Nas ocasiões anteriores, o presidente esteve apenas em Belo Horizonte, para eventos de lançamento de candidatura e encontro com mulheres apoiadoras. O interior de Minas concentra parcela expressiva do eleitorado estadual e costuma ser decisivo nos resultados finais.
No mesmo ato, Lula se posicionou contra a chamada dobradinha “Marécio”, combinação informal de votos entre a candidata Marília Campos e o senador Aécio Neves (PSDB) para as duas vagas em disputa no Senado. “Não faz sentido unir projetos que têm visões tão diferentes sobre o futuro do estado. O eleitor precisa escolher com clareza e sem confusão”, orientou. O presidente fez críticas pessoais ao tucano, com quem disse ter mantido relação de respeito quando ambos exerciam os cargos de chefe do Executivo federal e estadual. “Ele omitiu a participação de recursos federais em obras feitas aqui e, em 2014, usou linguagem que não deveria ter usado contra a então presidente Dilma Rousseff”, declarou.
A postura adotada em Montes Claros sinaliza estratégia de campanha que busca definir claramente os perfis em disputa, evitando que a comparação se restrinja a gerações mais jovens da oposição. Ao trazer à tona o passado recente, Lula procura reforçar para o eleitorado mineiro a distinção entre modelos de governo. Minas Gerais é um dos estados com maior número de eleitores e historicamente tem peso determinante no resultado das eleições presidenciais. Cada visita e cada discurso são acompanhados com atenção por todas as chapas em disputa.
O clima eleitoral ganha força à medida que se aproxima o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Os discursos nas praças e nas ruas refletem não apenas diferenças de projetos, mas também memórias e valores que cada candidato representa para o povo. O eleitor mineiro, conhecido por sua postura criteriosa e independente, costuma avaliar com atenção cada palavra e cada proposta antes de decidir. Os próximos dias trarão novas agendas e novos debates, com a certeza de que o que se diz e o que se faz neste período serão lembrados muito depois do fechamento das urnas.





