Exército dos EUA usaram drones que operam na África para a América do Sul

Os Estados Unidos estão preparando a transferência de drones militares MQ-9 Reaper para a América do Sul em meio à ampliação das operações contra o narcotráfico e grupos classificados por Washington como terroristas. A movimentação envolve aeronaves atualmente ligadas ao Comando dos Estados Unidos para a África, que deverão ser deslocadas para o Comando Sul, responsável pelas operações americanas na América do Sul e no Caribe. Apesar da presença desses equipamentos na região, as informações divulgadas não indicam qualquer preparação de ataque ou invasão do território brasileiro.
De acordo com seis fontes ouvidas pela CNN, ainda não foi definido quantos drones serão transferidos, embora uma das pessoas familiarizadas com o planejamento tenha indicado que a maior parte dos equipamentos poderá ser deslocada. Os MQ-9 Reaper são utilizados para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de poderem realizar ataques de precisão. A transferência ocorre dentro de uma reorganização dos recursos militares dos Estados Unidos e não significa que as aeronaves serão direcionadas ao Brasil.
As informações disponíveis apontam principalmente para possíveis operações em países que já mantêm acordos militares com Washington. Entre eles está o Equador, que iniciou neste ano operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra organizações classificadas como terroristas. O país também aparece entre os principais parceiros citados pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, em sua estratégia de ampliar ações contra o narcotráfico na região.
Drones dos EUA devem ser usados em operações no Equador
O Equador aparece como um dos possíveis destinos para a utilização dos MQ-9 Reaper transferidos para o Comando Sul. Segundo as fontes ouvidas pela CNN, a transferência dos equipamentos antecede operações antidrogas e antiterrorismo planejadas na América do Sul, incluindo possíveis ações em território equatoriano. O país já realiza operações militares com os Estados Unidos e vem sendo tratado pelo governo americano como um parceiro importante no combate a organizações criminosas.
A cooperação entre Washington e Quito já envolve ações contra grupos ligados ao narcotráfico e operações de vigilância na região do Pacífico. Em agosto, o Ministério da Defesa do Equador confirmou a realização de operações militares com participação americana, dentro da chamada aliança Escudo das Américas. Dessa forma, a eventual utilização dos drones no país estaria inserida em uma cooperação militar que já está em andamento, e não em uma ação unilateral contra governos da região.
A Colômbia também faz parte da estratégia americana de ampliar a cooperação militar no continente. Segundo a CNN, o governo colombiano chegou a um acordo com os Estados Unidos para receber três drones MQ-9A Reaper destinados ao monitoramento de corredores de narcotráfico e a possíveis ataques de precisão. Outros países, como Panamá, Honduras, Guatemala e Jamaica, também foram citados por Hegseth como parceiros de Washington em ações contra organizações classificadas pelos Estados Unidos como narcoterroristas.
Brasil não aparece como alvo da movimentação militar
A transferência dos drones ocorre em um contexto de aumento da presença militar americana no Hemisfério Ocidental, mas não há indicação, nas informações divulgadas, de que o Brasil esteja entre os alvos das operações previstas. As fontes citadas pela CNN relacionam os equipamentos principalmente a missões de combate ao narcotráfico e ao terrorismo em parceria com países sul-americanos. Portanto, a simples transferência de aeronaves para o Comando Sul não deve ser interpretada como preparação para uma invasão brasileira.
Essa distinção também é importante porque informações falsas sobre uma suposta ação militar americana contra o Brasil já circularam nas redes sociais ao longo de 2026. Em agosto, o UOL Confere desmentiu publicações que afirmavam que tropas dos Estados Unidos haviam sido enviadas ao Brasil para capturar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes. A checagem constatou que as imagens utilizadas nas publicações haviam sido gravadas nos Estados Unidos e não mostravam tropas americanas em território brasileiro.
Além disso, o ex-integrante do Departamento de Estado americano Ricardo Zúniga afirmou em agosto que não havia possibilidade de os Estados Unidos atacarem o Brasil no contexto da mudança de atuação militar na região. Segundo ele, a presença militar americana poderia aumentar tensões diplomáticas, mas isso não significava uma ameaça direta ao território brasileiro. A declaração foi dada justamente em meio às discussões sobre a ampliação das operações americanas contra organizações criminosas na América Latina.
Transferência de drones amplia presença militar dos EUA na América do Sul
O deslocamento dos MQ-9 Reaper representa uma mudança na distribuição dos recursos militares americanos entre diferentes comandos. Parte dos equipamentos atualmente utilizados na África será transferida para o Comando Sul, embora ainda exista discussão sobre o envio de algumas aeronaves para o Oriente Médio devido às perdas registradas durante a guerra contra o Irã. O Pentágono não comentou oficialmente os detalhes do planejamento informado pelas fontes da CNN.
A movimentação ocorre enquanto Washington amplia acordos de segurança com países da América Latina e direciona recursos para o combate ao narcotráfico e a grupos considerados terroristas pelo governo americano. No caso do Brasil, não há previsão apresentada nas informações divulgadas de invasão, ataque ou envio desses drones para uma operação contra o território nacional. Assim, o cenário descrito pelas fontes aponta para uma ampliação das operações americanas com países parceiros, especialmente no Equador e na Colômbia, e não para uma ação militar contra o Brasil.





