Datafolha: 38% veem Lula prejudicado por crise no STF e 31% citam Flávio

A disputa pela Presidência da República em 2026 já sente diretamente os efeitos da tensão institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal e as apurações ligadas ao Banco Master. Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 18, revela que 38% dos eleitores identificam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o candidato mais prejudicado pelo clima de instabilidade. O dado demonstra como os desdobramentos dos últimos dias passaram a influenciar a percepção da população sobre os principais nomes da corrida eleitoral.
Flávio Bolsonaro (PL) aparece em seguida, citado por 31% dos entrevistados como o postulante mais afetado pelos desgastes decorrentes da crise. Os números desenham um quadro de acentuada polarização, em que os dois principais candidatos recebem avaliações próximas quanto ao impacto negativo dos acontecimentos. A menos de um mês do primeiro turno, o cenário mostra que os debates travados no mais alto Poder Judiciário repercutem de forma direta e intensa junto ao eleitorado, moldando perspectivas sobre cada candidatura.
A parcela que não enxerga prejuízo a nenhum dos concorrentes soma 25% dos respondentes, indicando que boa parte da população mantém separada a crise institucional da avaliação sobre os candidatos. Esse grupo considera que os desdobramentos no STF não alteram significativamente o rumo da disputa presidencial, ou que os efeitos distribuem-se de forma equivalente entre todos os envolvidos. O dado revela que há também quem preserve a autonomia do voto em relação às controvérsias em curso.
Já 5% dos eleitores avaliam que todos os candidatos serão prejudicados pela escalada de tensão. Essa fatia expressa ceticismo quanto aos desfechos da crise, entendendo que o clima de desconfiança se espalha de maneira geral e pode atingir a todos que buscam o apoio popular. Outros 14% não formaram opinião sobre quem perde ou ganha com os acontecimentos, demonstrando que o tema ainda está em processo de assimilação e que a percepção pode mudar conforme novas informações forem divulgadas.
A pesquisa ouviu 2.001 eleitores entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e encontra-se registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04029/2026. Os números refletem o momento exato em que as divisões internas da Corte vêm à tona e ganham espaço na pauta diária dos eleitores.
Os próximos dias serão decisivos para definir se os desgastes se aprofundam ou se perdem força junto à opinião pública. O eleitorado acompanha com atenção cada revelação e cada posicionamento, buscando clareza sobre fatos e responsabilidades. A confiança nas instituições e nos candidatos segue em movimento, ainda em construção. O que se espera é que as apurações avancem com transparência e celeridade, de modo que a população possa decidir com base em informações completas e confiáveis, antes de comparecer às urnas no dia 4 de outubro.





