Nikolas Ferreira pede a Fachin que afaste Paulo Gonet de suas funções

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encaminhou pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, neste sábado, 19, solicitando o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A solicitação foi motivada pela divulgação de imagem que mostra o PGR ao lado do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em evento no exterior. A autenticidade da fotografia foi confirmada pela própria Procuradoria-Geral da República, mas divergências sobre a data e a natureza do encontro passaram a dividir as versões apresentadas.
A imagem foi encontrada pela Polícia Federal no celular de Vorcaro e enviada a ele pelo então advogado do banco, Ciro Soares, em junho de 2025. Na cena, ambos aparecem com charutos e copos que costumam ser usados para servir uísque. Nikolas Ferreira argumenta que o envio em meados de 2025 indica que a aproximação teria se estendido para além do período inicialmente apontado. Para o parlamentar, a continuidade do contato levanta questões sobre a devida imparcialidade do PGR no acompanhamento das investigações que envolvem o banqueiro.
Paulo Gonet, por sua vez, esclareceu que a fotografia remete a abril de 2024, durante o 1º Fórum Jurídico — Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Banco Master. Segundo a versão do procurador, o encontro ocorreu em ambiente público, com a presença de diversas autoridades, e não representou qualquer vínculo pessoal ou tratamento de assuntos privados. O PGR já havia declarado anteriormente não manter relação de proximidade com Vorcaro e classificado o contato como breve e protocolar.
O próprio Nikolas Ferreira reconheceu ter interagido diretamente com Vorcaro em outra ocasião. Em mensagem de áudio, o parlamentar pediu desculpas ao banqueiro por postagens anteriores em que questionava quem financiava iniciativas ligadas ao banco. “Não fazia ideia de que era essa a instituição. Se soubesse, teria conversado antes e não teria publicado. A palavra dita não tem retorno, mas espero ter esclarecido e poderemos nos encontrar em breve”, afirmou o deputado, demonstrando que também manteve canal de diálogo com o empresário.
A situação expõe a complexidade do debate sobre conduta e vínculos entre autoridades e pessoas sob investigação. De um lado, defende-se que a presença em eventos institucionais é rotina e não configura compromisso. De outro, avalia-se que a frequência dos contatos, a aparência de proximidade em imagens e a divergência sobre datas podem abalar a confiança necessária para a condução de apurações sensíveis. A clareza sobre cada encontro, seu propósito e seu conteúdo passa a ser exigida com maior rigor.
O pedido de afastamento será analisado pelo presidente do STF, que avaliará a pertinência da medida. A sociedade acompanha os desdobramentos na expectativa de que as regras de conduta sejam aplicadas de forma igualitária a todos. O respeito à função pública exige transparência total e a certeza de que nenhuma influência externa guiará decisões. Os próximos dias deverão trazer novos esclarecimentos e, espera-se, elementos que permitam à população formar sua opinião com base em fatos consolidados.





