Vídeo de 2025 mostra Moraes desembarcando de um jatinho de empresa ligada a Daniel Vorcaro

Um vídeo divulgado neste domingo, 20 de setembro, mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. As imagens, obtidas e divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, registram também a presença da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes. O voo ocorreu em 22 de agosto de 2025, e a aeronave estava vinculada, à época, a uma empresa relacionada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A aeronave que aparece no vídeo é um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, que era operado pela Prime Aviation. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a empresa tinha ligação societária com Vorcaro no período em que ocorreu a viagem. O registro visual passou a ser analisado no contexto das informações reunidas pela Polícia Federal sobre a relação entre o ministro, o ex-controlador do Banco Master e empresas relacionadas a ele.
A divulgação do vídeo ganhou repercussão porque, em abril deste ano, o gabinete de Moraes havia afirmado que o ministro jamais havia viajado em avião de Daniel Vorcaro. Procurado novamente após a divulgação das imagens, Moraes reiterou a versão de que nunca viajou em aeronave de propriedade do ex-banqueiro. A diferença entre a declaração e a identificação da aeronave pelas reportagens passou a integrar o debate sobre os vínculos investigados pela Polícia Federal.
Vídeo registra desembarque de Moraes no Rio de Janeiro
O vídeo mostra Moraes e Viviane Barci deixando o Legacy 650 após a chegada ao Aeroporto Santos Dumont. A gravação foi feita em agosto de 2025, meses antes de Daniel Vorcaro ser preso no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. A identificação do avião foi associada ao prefixo PP-NLR e aos registros sobre a empresa responsável pela operação da aeronave.
A relação entre a aeronave e Vorcaro já havia aparecido em documentos analisados pela Polícia Federal antes da divulgação das imagens. Segundo relatório citado pela Folha, houve negociação envolvendo cotas de um jatinho e de um helicóptero como forma de pagamento prevista em uma segunda proposta de contrato entre uma empresa ligada a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci. O documento previa R$ 50 milhões, dos quais R$ 40 milhões seriam pagos mediante transferência das cotas das aeronaves, mas o escritório afirmou que essa proposta não foi aceita e que nenhum segundo contrato foi assinado.
As investigações também apontaram que Moraes utilizou uma das aeronaves citadas nas negociações, segundo informações obtidas pela Polícia Federal. Mensagens recuperadas no celular de Vorcaro registraram conversas sobre a utilização de aviões e helicópteros pelo casal Moraes, além de referências a mudanças contratuais envolvendo empresas relacionadas às aeronaves. Os documentos, contudo, registram diferentes aspectos da relação e não significam, por si só, que pedidos feitos por Vorcaro a autoridades tenham sido atendidos.
Relação entre Moraes e Vorcaro é investigada
O episódio do jatinho ocorre em meio à análise de mensagens, contratos e outros documentos apreendidos pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro. O material reunido pela investigação registra contatos entre o ex-banqueiro e Moraes, além de referências a encontros entre os dois ao longo de 2024 e 2025. Segundo levantamento publicado pela Folha, teriam sido identificados ao menos seis encontros, embora nem todos os episódios mencionados nas mensagens tenham confirmação independente.
Outro ponto analisado pela Polícia Federal envolve o contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. De acordo com o relatório citado pela imprensa, o usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” aparece como responsável pela última edição de versões da minuta antes da assinatura, enquanto o escritório afirmou que o ministro foi consultado na condição de marido da sócia para verificar possíveis impedimentos legais. A banca também declarou que o contrato foi submetido a procedimentos internos de compliance e que não foram identificados impedimentos para sua contratação.
A relação passou a ser discutida publicamente no STF depois que informações do relatório da Polícia Federal foram apresentadas aos ministros. Em 15 de setembro, Moraes afirmou durante sessão do Supremo que não havia pedido formal da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República para abertura de investigação contra ele. O ministro também questionou a possibilidade de o próprio tribunal determinar a continuidade de uma investigação sem uma solicitação formal desses órgãos, enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, apresentou entendimento diferente sobre a questão.
Vídeo acrescenta novo elemento ao caso
A divulgação das imagens acrescentou um registro visual às informações já existentes sobre a utilização de aeronaves relacionadas a Vorcaro por Moraes e sua esposa. O vídeo não esclarece, por si só, as condições em que a viagem foi realizada, nem estabelece automaticamente eventual irregularidade relacionada ao deslocamento. Essas circunstâncias dependem da análise dos documentos, contratos e demais elementos reunidos pelas autoridades.
O episódio também passou a ser relacionado às discussões sobre a proposta de pagamento envolvendo aeronaves e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Segundo a investigação, a negociação previa a transferência de cotas de um Legacy 650 e de um helicóptero, enquanto o escritório afirma que a proposta não foi aceita e que o segundo contrato não chegou a ser assinado. Paralelamente, mensagens recuperadas pela PF registraram referências à utilização de aeronaves pelo casal antes da divulgação do vídeo.
Dessa forma, o desembarque registrado em agosto de 2025 passou a integrar o conjunto de informações sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A principal controvérsia relacionada às imagens envolve a afirmação anterior de que Moraes jamais havia viajado em avião de Vorcaro e a identificação do Legacy 650 ligado a uma empresa relacionada ao ex-banqueiro. O caso continua inserido nas discussões sobre os documentos e mensagens analisados pela Polícia Federal no contexto das investigações envolvendo o Banco Master.





