Nos EUA, Lula cita preocupação com interferência de Rubio na eleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou nesta segunda-feira, 21, preocupação com a atuação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com a possibilidade de interferência externa nas eleições brasileiras. As declarações foram feitas em entrevista à CNN Internacional, em Nova York, onde o presidente cumpre agenda que antecede a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para esta terça-feira, 22. Segundo o mandatário, a proximidade de Rubio com a família Bolsonaro é motivo de atenção, embora ainda não haja elementos concretos que comprovem qualquer ação indevida.
“Estou um pouco preocupado com o Marco Rubio, porque ele é muito próximo da família Bolsonaro. Mas, por enquanto, temos apenas suspeitas. Não há nada concreto”, afirmou Lula. O presidente também mencionou haver indícios de uso de inteligência artificial como instrumento de influência no processo eleitoral, sem, contudo, apresentar detalhes adicionais. A preocupação se insere num contexto em que a relação entre os dois países tem sido acompanhada de perto, com declarações e posicionamentos que podem repercutir diretamente na disputa interna brasileira.
O chefe do Executivo relatou ainda que abordou o tema diretamente com o presidente norte-americano, Donald Trump. “Disse a ele: é muito importante que vocês não interfiram nas eleições internas do Brasil, assim como eu não interfiro nas eleições dos Estados Unidos. As eleições brasileiras são do interesse do povo brasileiro. As dos EUA são do interesse do povo norte-americano”, relatou. Lula acrescentou que Trump já teria manifestado a várias pessoas a intenção de não intervir no pleito brasileiro, e avaliou que essa é a postura esperada de um presidente de nação amiga.
Sobre a disputa eleitoral em si, o presidente reconheceu que a incerteza faz parte de todo processo democrático. “Em toda eleição, fico preocupado, porque só se sabe o resultado depois que as urnas são abertas”, observou. Definiu, contudo, que a escolha não se resume a pessoas ou partidos, mas a um caminho institucional. “O que está em jogo é uma escolha entre ter democracia ou não”, declarou, expressando confiança de que sairá vitorioso. Reafirmou também a convicção de que o processo será conduzido de forma transparente e exemplar.
O presidente voltou a comentar a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, classificando sua atuação como prejudicial aos interesses do país. “Ele está tramando contra o Brasil. É assim que o chamo: traidor da pátria”, afirmou. Segundo Lula, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem buscado apoio externo contra o governo brasileiro. A declaração aprofunda o tom de divergência entre os grupos políticos, num momento em que a campanha avança e os discursos ganham força junto ao eleitorado.
Lula adiantou ainda que em breve serão apresentados esclarecimentos sobre a origem dos recursos que financiaram a cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”. Conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria destinado cerca de R$ 65 milhões para a produção. “Revelaremos o mistério daquele filme e de como foi financiado”, prometeu. O conjunto das declarações traça o posicionamento do governo em temas que vão da política externa à transparência sobre recursos, em meio a uma campanha que se aproxima do momento decisivo.





