Fé ganha espaço nos discursos de Flávio Bolsonaro; veja o que mostram as pesquisas

Flávio investe em menções a Deus ao defender preparo e citar “propósito”
Flávio investe em menções a Deus com maior frequência durante a reta final da campanha presidencial de 2026, associando sua trajetória política à fé e afirmando que estaria sendo preparado para assumir a Presidência da República. O candidato do PL tem incorporado expressões religiosas a discursos, transmissões pelas redes sociais e encontros com apoiadores, ao mesmo tempo em que mantém uma agenda próxima de pastores e representantes de diferentes denominações cristãs. Em declarações recentes, Flávio Bolsonaro falou em “propósito” para o Brasil e relacionou seus 24 anos de vida pública à preparação para disputar o Palácio do Planalto. A presença desse vocabulário ocorre em um cenário eleitoral no qual o senador apresenta desempenho particularmente elevado entre eleitores evangélicos, embora pesquisas de intenção de voto não permitam concluir, isoladamente, que a linguagem religiosa seja responsável por esse apoio.
Flávio investe em menções a Deus durante agendas de campanha
Um dos exemplos mais recentes ocorreu em Recife, Pernambuco, no dia 16 de setembro. Ao falar sobre futuras indicações para o Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro condicionou sua eventual chegada à Presidência à expressão “se Deus me honrar” e afirmou que pretende escolher ministros alinhados a posições conservadoras defendidas por sua candidatura. Na ocasião, o senador também voltou a criticar integrantes do STF e projetou mudanças na composição da Corte caso seja eleito. No dia seguinte, durante uma transmissão ao vivo, a dimensão religiosa voltou a aparecer: o candidato declarou acreditar na existência de um propósito para o país e afirmou considerar que sua trajetória política teria servido como preparação para o momento atual. Assim, referências à fé passaram a ser combinadas com propostas institucionais e argumentos sobre sua experiência política.
Candidato relaciona experiência política, fé e preparo para o Planalto
Além disso, Flávio tem utilizado sua carreira para sustentar o argumento de que estaria preparado para governar o país. O senador iniciou sua trajetória eletiva no começo dos anos 2000, quando chegou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e posteriormente foi eleito para o Senado Federal. Em falas recentes, afirmou que, ao observar esse percurso, interpreta os acontecimentos de sua vida sob uma perspectiva religiosa. Também disse que a fé tem sido usada por ele como forma de lidar com as pressões da candidatura. Segundo relato feito pelo próprio Flávio, sua postura pessoal teria mudado depois de uma conversão religiosa em outubro de 2022. Entretanto, essas declarações representam a forma como o próprio candidato descreve sua experiência e suas crenças; não constituem uma avaliação externa sobre seu preparo para a Presidência, questão que cabe aos eleitores analisar a partir das propostas, da trajetória e dos demais critérios considerados relevantes.
Aproximação de Flávio com lideranças religiosas começou antes da campanha
A presença da religião na atuação política de Flávio Bolsonaro, porém, não surgiu apenas nas últimas semanas. Depois de ser anunciado como o nome escolhido por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência, seu primeiro ato público mencionado pela cobertura da campanha ocorreu em um culto da Comunidade das Nações, em Brasília, no fim de 2025. Posteriormente, ainda durante a pré-campanha, o senador participou de uma romaria em Trindade, Goiás, e foi recebido no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, ampliando também os contatos com o público católico. Além disso, foram registrados encontros ou aproximações com lideranças evangélicas como Silas Malafaia, André Valadão e Valdemiro Santiago. Em agosto, durante passagem por Maceió, Flávio participou de um culto da Assembleia de Deus, enquanto atos políticos de setembro também contaram com a presença de representantes religiosos.
Evangélicos ocupam espaço relevante na disputa presidencial
Do ponto de vista eleitoral, o segmento evangélico possui importância significativa para a candidatura do senador. No Datafolha divulgado em 17 de setembro, Flávio Bolsonaro apareceu com 48% das intenções de voto entre evangélicos no cenário de primeiro turno, enquanto Lula registrou 26%. Em uma simulação de eventual segundo turno entre os dois, a diferença foi maior: Flávio alcançou 60% e Lula, 32%, de acordo com os dados divulgados pela CNN. Entre católicos, porém, a situação se inverteu no segundo turno, com Lula registrando 51% e Flávio, 39%. No eleitorado geral, o mesmo levantamento mostrou uma disputa mais equilibrada: Lula tinha 39% e Flávio, 36% no primeiro turno, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Portanto, os resultados evidenciam diferenças relevantes por religião, sem determinar como cada indivíduo votará.
Michelle Bolsonaro e outros nomes também aparecem na relação com o eleitor religioso
A campanha de Flávio ocorre ainda sob a influência política de personagens que já possuem presença consolidada entre grupos religiosos. Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e madrasta do candidato, tornou-se uma das figuras mais conhecidas da direita entre parcelas do eleitorado evangélico durante os últimos anos. Flávio e Michelle tiveram divergências políticas públicas anteriormente, mas posteriormente disseram ter superado os atritos. Ainda assim, a participação dela em agendas presenciais da campanha presidencial tem sido limitada, embora Michelle apareça em conteúdos digitais e na propaganda eleitoral. Fernanda Bolsonaro, esposa do candidato, também passou a ocupar espaço em determinados eventos e, durante o ato realizado na Avenida Paulista em 7 de setembro, fez um discurso no qual recorreu a uma passagem bíblica. Dessa forma, símbolos e referências cristãs aparecem não apenas nas declarações de Flávio, mas também em parte do ambiente político construído ao redor da candidatura.
Flávio investe em menções a Deus enquanto disputa segue apertada
Por fim, Flávio investe em menções a Deus em um momento no qual a campanha presidencial está marcada por uma disputa competitiva entre os dois principais candidatos. O Datafolha de 17 de setembro registrou Lula com 39% e Flávio com 36% no primeiro turno; em eventual segundo turno, os índices eram de 46% para Lula e 44% para o senador, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Nesse cenário, encontros religiosos, discursos sobre fé, propostas econômicas, críticas ao STF e outras pautas são utilizados simultaneamente pelas campanhas para apresentar suas respectivas plataformas aos eleitores. A maior frequência das referências religiosas de Flávio é um elemento documentado de sua comunicação política recente. Entretanto, seus efeitos eleitorais não podem ser medidos apenas pelo desempenho entre evangélicos, já que intenção de voto é influenciada por diversos fatores e pesquisas registram apenas uma fotografia da opinião pública no período em que foram realizadas.





