Facções PCC e CV entram na mira da coalizão ‘Escudo das Américas’ após pedido de Trump

Os Estados Unidos lideraram a criação de uma aliança internacional denominada “Escudo das Américas”, anunciada durante a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, 22. O grupo reúne 15 nações e adota um pacote de medidas voltadas a organizações consideradas de risco à segurança continental, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que atuam no Brasil. Apesar de os grupos citados terem forte presença em território nacional, o Brasil não integra a coalizão, em mais um ponto de divergência entre as gestões de Brasília e de Washington.
O acordo classifica as facções como “ameaças compartilhadas” e prevê ações como congelamento de bens, restrições a vistos e imigração, além de responsabilização criminal de quem prestar suporte material, logístico ou administrativo às organizações listadas. Assinaram o documento países da América do Sul — Argentina, Chile, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Equador e Peru —, além de nações da América Central e do Caribe. O texto estabelece compromisso de atuação conjunta e individual para enfrentar o problema, com a inclusão de membros do PCC e do CV em relação de grupos considerados de risco global.
Durante seu pronunciamento na ONU, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou as facções como organizações de natureza narcoterrorista e traçou paralelo com grupos extremistas de outras regiões. “Os cartéis são o equivalente ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental. São inimigos que agem contra a ordem e devem ser detidos, afastados ou eliminados”, declarou. O tom firme sinaliza disposição de empregar capacidade militar norte-americana em ações além de suas fronteiras, posicionamento que tem gerado apreensão em governos da região.
O discurso também abordou a presença de potências externas na América Latina, com menção indireta à influência da China e da Rússia. Trump reiterou o compromisso de manter o Hemisfério Ocidental livre de ingerências de fora, em linha com postura que marca seu segundo mandato. A perspectiva de Washington enxerga a região como área de influência prioritária, o que entra em choque com a defesa de autonomia defendida por países como o Brasil.
Pouco antes da fala de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu os debates com defesa enfática da soberania nacional. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou, em referência direta a visões que consideram a América Latina extensão de interesses dos Estados Unidos. A postura reforça a posição de que cada nação deve conduzir suas políticas de segurança interna sem imposições externas, ainda que reconheça a natureza transfronteiriça de desafios como o crime organizado.
A divergência expõe modelos distintos de enfrentamento ao mesmo problema: enquanto a coalizão liderada pelos EUA prioriza ação externa e classificação internacional, o Brasil defende condução com base na legislação e nas instituições nacionais. O desafio comum permanece, mas os caminhos escolhidos seguem rumos diferentes. A comunidade internacional acompanha os desdobramentos, na esperança de que cooperação e respeito às soberanias possam coexistir em benefício da segurança de todos os povos das Américas.





