PF: Lobista pagou funcionários da cúpula de ministério de Lula

Investigação da Polícia Federal traz à luz mensagens e comprovantes que indicam que a lobista Roberta Luchsinger ordenou pagamentos a servidores da cúpula do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), ainda em junho de 2023. As revelações, publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, envolvem valores em espécie, contratos de grande vulto e conexões com nomes próximos ao governo federal. O caso desperta atenção pela combinação de recursos vultosos e vínculos institucionais.
Conforme os elementos reunidos, Luchsinger orientou seu auxiliar e motorista, Ulisses Barbosa, a retirar R$ 60 mil em dinheiro vivo e efetuar transferências em favor de dois servidores da pasta e de uma parente de um deles. Os beneficiários identificados são Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e José Martinho Ferreira de Araújo, coordenador do cerimonial da pasta, além da mãe da filha de Martinho. A preocupação em diluir os valores para evitar questionamentos bancários aparece expressa nas próprias mensagens trocadas.
Seis meses após os pagamentos, o ministério firmou contrato com a empresa de tecnologia 3Structure, representada pelo empresário Cléber Ribas e por Roberta Luchsinger. O valor inicial foi de R$ 31,2 milhões, seguido de aditivos: R$ 2,7 milhões em 2025 e mais R$ 19,2 milhões em abril deste ano. Em conversa com Cléber Dias, a lobista relatou estar com Ranniêr na ocasião dos pagamentos e escreveu: “Estou resolvendo seu problema”, trecho que é destacado pelos investigadores como indício de articulação prévia ao negócio.
As apurações também revelam que R$ 60 mil não eram o único montante mantido fora do sistema financeiro. Diálogos interceptados apontam que Luchsinger guardava mais de R$ 500 mil em espécie, acondicionados em malas. O auxiliar Ulisses Barbosa tem histórico de situação semelhante: em 2014, quando era motorista do então senador Wellington Dias, foi detido pela PRF transportando R$ 180 mil em dinheiro sem comprovação de origem, em trajeto de Brasília ao Piauí.
Roberta Luchsinger figura como investigada em três inquéritos que tratam de acusações de corrupção e tráfico de influência, em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República. A amplitude das apurações demonstra que o caso não se restringe a um evento isolado, mas integra um conjunto de investigações que avançam sobre supostas redes de influência e favorecimento junto a órgãos do governo.
Cabe às autoridades competentes esclarecer cada passo, identificar responsabilidades e verificar se os pagamentos guardam relação com a celebração e a prorrogação dos contratos. A sociedade espera que os fatos sejam elucidados com clareza e celeridade, de modo a preservar a credibilidade da administração pública. O respeito ao dinheiro dos contribuintes e a lisura dos contratos governamentais são valores que devem guiar toda a ação do Estado, e qualquer indício de desvio merece atenção rigorosa e resposta transparente.





