De acordo com o ministro da Fazenda, patrocinador do filme Dark Horse recebeu dinheiro do crime organizado

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, entrou no centro de uma nova etapa das investigações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dono da Entre Investimentos, ele foi alvo da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24 de setembro, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal. Durante uma declaração a jornalistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a empresa recebeu recursos provenientes do crime organizado e também do antigo Banco Master.
A operação é um desdobramento da Carbono Oculto e investiga suspeitas relacionadas ao uso de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. Segundo a Receita Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas em diferentes estados brasileiros. Entre os alvos está justamente a Entre Investimentos, empresa que aparece nas investigações relacionadas aos recursos utilizados para financiar o filme.
De acordo com as informações divulgadas pelo UOL, Mineiro firmou recentemente um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. Na colaboração, ele teria detalhado repasses realizados pela Entre para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e relacionado a um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O empresário afirmou à PGR que mais de US$ 12 milhões foram enviados ao fundo e que os repasses teriam sido determinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro após pedidos e cobranças feitos por Flávio Bolsonaro em 2025.
Investigação envolve Entre Investimentos e operação financeira
A Operação Crédito Oculto foi realizada para investigar estruturas que, segundo os órgãos responsáveis pela apuração, teriam sido utilizadas para movimentar recursos e dificultar a identificação de seus verdadeiros beneficiários. Mandados foram cumpridos em sete estados, com participação de diferentes órgãos de fiscalização e segurança pública. Ao todo, a Receita Federal informou que a ação alcançou 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas.
Segundo a Receita, as estruturas investigadas envolviam fintechs, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais e empresas consideradas de fachada. Esses mecanismos teriam sido utilizados para criar diferentes etapas entre a origem dos recursos e a aquisição de ativos, dificultando a identificação dos responsáveis pelo dinheiro. A investigação também apontou movimentações financeiras expressivas, incluindo cerca de R$ 11,6 bilhões movimentados por uma empresa financeira entre 2021 e 2025.
No caso específico de Mineiro, o Ministério Público de São Paulo apontou movimentações consideradas suspeitas antes da deflagração da operação. Conforme relatório citado pelo UOL, teriam sido movimentados R$ 1,2 milhão em espécie e R$ 1,6 bilhão em operações imobiliárias. Também foram mencionadas outras movimentações financeiras consideradas relevantes pelos investigadores, incluindo valores relacionados a prêmios e apostas.
Recursos relacionados ao financiamento de Dark Horse
A ligação entre a Entre Investimentos e o filme “Dark Horse” aparece nas informações apresentadas durante as investigações sobre o Banco Master. Segundo o relato atribuído a Mineiro na delação, recursos da empresa foram destinados ao Havengate Development Fund, que teria sido utilizado para receber parte do dinheiro posteriormente aplicado na produção cinematográfica. O empresário afirmou que os valores enviados ao fundo chegaram a pouco mais de US$ 12 milhões, quantia equivalente a aproximadamente R$ 62 milhões pela cotação mencionada na reportagem.
A investigação sobre o financiamento do filme já havia sido ampliada anteriormente por causa de outras movimentações consideradas atípicas pela Polícia Federal. Em setembro, a PF informou que a produtora do longa recebeu R$ 1 milhão de Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro ligado à campanha de Flávio Bolsonaro, enquanto também foram identificados outros repasses associados à produção. A apuração federal ainda apontou que organizações ligadas à produtora haviam recebido recursos de emendas parlamentares que passaram a ser investigados.
Em outra frente, uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou buscas relacionadas à suspeita de direcionamento de emendas para organizações e empresas ligadas à produção de “Dark Horse”. Segundo a Polícia Federal, havia indícios de que recursos públicos poderiam ter sido direcionados para estruturas relacionadas ao filme, hipótese que passou a ser investigada. Os investigados e as empresas envolvidas foram submetidos às medidas determinadas judicialmente, enquanto as apurações continuam.
O que as autoridades investigam sobre os recursos
A apuração atual, porém, não se limita ao financiamento do filme e está concentrada principalmente em suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de combustíveis. A Receita Federal informou que a Operação Crédito Oculto investiga uma estrutura financeira que teria sido utilizada para ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e viabilizar posteriormente a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis. Nesse contexto, os investigadores analisam a participação de diferentes empresas, fundos e operadores financeiros nos fluxos de recursos.
O ministro Dario Durigan afirmou que a Entre Investimentos teria recebido recursos de diferentes origens, incluindo valores associados ao Banco Master e ao crime organizado, segundo a reportagem do UOL. A declaração foi feita durante comentários sobre a operação realizada nesta quinta-feira, enquanto os órgãos responsáveis pela investigação buscavam novos elementos sobre as estruturas financeiras utilizadas. Até o momento, essas informações integram investigações e acusações que ainda dependem da conclusão das autoridades competentes e de eventual análise judicial.
As investigações também alcançam Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, que aparece na delação de Mineiro como responsável por determinar os repasses relacionados ao fundo que recebeu recursos destinados ao filme. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem afirmado que o dinheiro repassado por Vorcaro foi utilizado integralmente na realização de “Dark Horse” e que se tratava de investimento privado. O senador ainda não havia se manifestado sobre a Operação Crédito Oculto no momento da publicação da reportagem do UOL.





