Últimas Notícias

Candidato do PL, Flávio Bolsonaro faz de tudo para rebater os rumores que circulam nas redes sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, passou a administrar uma sequência de episódios envolvendo religião que ganhou espaço na campanha eleitoral nos últimos dias. O movimento ocorre depois de uma declaração feita pelo candidato em agosto, na qual afirmou que um dos primeiros atos de eventual governo seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A fala voltou ao debate público justamente quando circulou nas redes sociais uma informação falsa de que Flávio pretendia retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil.

A declaração sobre Jesus havia sido feita em 24 de agosto, em um vídeo publicado nas redes sociais, quando Flávio justificava a ausência em um debate da Band. Na gravação, ele afirmou que queria debater com quem não acreditasse em Deus e apresentou sua decisão de não participar do encontro dentro desse contexto. Um mês depois, o conteúdo passou a ser recuperado em meio à discussão sobre o papel da religião na campanha presidencial e sobre a relação do candidato com diferentes segmentos religiosos.

O cenário ganhou outro elemento quando começou a circular a alegação de que Flávio teria intenção de mudar a condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A informação não correspondia a uma proposta apresentada pelo candidato, e a própria CNN informou que não havia declaração dele nesse sentido. Diante da repercussão, Flávio publicou um vídeo na quinta-feira (24) negando a existência de qualquer projeto com esse objetivo e classificando a informação como falsa.

Declaração sobre Jesus volta ao centro do debate eleitoral

A fala sobre transformar o Brasil em um país identificado oficialmente com a figura de Jesus foi recuperada em um momento de forte mobilização religiosa na campanha de 2026. O candidato já havia utilizado referências religiosas em outros eventos, incluindo a Marcha para Jesus realizada em São Paulo, em junho, quando afirmou que o país atravessava uma “guerra espiritual”. Na ocasião, Flávio também declarou que estava no evento para orar pelas famílias brasileiras e participou da programação ao lado de outras autoridades.

A relação entre política e religião tem aparecido com frequência na comunicação eleitoral de Flávio, especialmente nas agendas direcionadas ao público evangélico. Em junho, durante a Marcha para Jesus, o senador afirmou que “o mal vai ser expulso do governo do Brasil” e apresentou a situação do país como parte de uma disputa espiritual. A declaração foi feita em um evento religioso que também contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes e de representantes de instituições públicas.

A campanha passou a enfrentar, entretanto, a necessidade de separar declarações efetivamente feitas pelo candidato de conteúdos que começaram a circular nas redes sociais sem comprovação. O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganhou dimensão justamente porque a informação falsa foi associada a uma suposta mudança na posição da padroeira do Brasil. O assunto também foi relacionado a um projeto de lei apresentado em 2007 por outro parlamentar, Professor Victório Galli, que foi arquivado pela Câmara em 2008 e não tinha relação com uma proposta de Flávio Bolsonaro.

Flávio reage a boato sobre Nossa Senhora Aparecida

Na noite de quinta-feira, Flávio publicou um vídeo afirmando que havia sido surpreendido por uma informação que considerou falsa e negou que pretendesse retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. O candidato declarou que não existia projeto com essa finalidade e acrescentou que respeitava todas as religiões, além das pessoas que não possuem religião. A publicação ocorreu depois de a informação ter alcançado as redes sociais e provocado manifestações de apoiadores e adversários políticos.

A origem imediata do boato esteve relacionada a comentários sobre uma suposta movimentação de evangélicos ligados à candidatura de Flávio para retirar o título atribuído a Nossa Senhora Aparecida. O assunto foi mencionado em um programa da GloboNews e posteriormente houve uma correção sobre a informação, segundo o Poder360. Mesmo depois da correção, o conteúdo continuou sendo compartilhado nas redes sociais e passou a integrar o debate eleitoral.

O episódio também levou integrantes da campanha de Flávio a tratar o caso como uma tentativa de criar uma disputa entre católicos e evangélicos durante a eleição. A CNN informou que membros da equipe receberam a notícia com incredulidade e criticaram a possibilidade de uma narrativa desse tipo ganhar força durante a campanha. Ao responder publicamente, Flávio procurou reafirmar uma mensagem de respeito às diferentes religiões e negar qualquer intenção de alterar o status de Nossa Senhora Aparecida.

Religião permanece como tema da disputa presidencial

A discussão ocorre em paralelo à estratégia de Flávio de utilizar referências religiosas em eventos e declarações durante a campanha presidencial. Desde a participação na Marcha para Jesus, o candidato tem associado parte de seu discurso político a expressões relacionadas à fé cristã e à defesa de valores religiosos. Em agosto, a declaração sobre um eventual decreto relacionado a Jesus ampliou esse repertório e passou a ser recuperada em debates posteriores sobre a posição do candidato.

O caso de Nossa Senhora Aparecida, por outro lado, teve origem em uma informação que foi posteriormente apontada como falsa e corrigida publicamente. Flávio negou ter qualquer projeto para alterar a condição da santa como padroeira do Brasil, enquanto registros sobre a legislação relacionada ao tema mostram que a proposta citada nas redes sociais havia sido apresentada anos antes por outro parlamentar e acabou arquivada. Com a aproximação do primeiro turno, o episódio passou a integrar o conjunto de discussões sobre religião, comunicação política e circulação de informações nas redes sociais durante a campanha de 2026.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *