Candidato do PSD, Ronaldo Caiado se posicionou sobre polêmica envolvendo a padroeira do Brasil

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) se manifestou sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a circulação de informações que associaram Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. Em publicação nas redes sociais, Caiado afirmou que a fé de milhões de brasileiros não poderia ser apagada por uma mudança na legislação. “Ninguém vai arrancar Nossa Senhora do coração do povo brasileiro!”, escreveu o presidenciável.
A manifestação foi publicada por Caiado no sábado (26), em meio à repercussão do episódio nas redes sociais e na campanha eleitoral. O candidato destacou sua própria relação com a religião católica e afirmou ser devoto de Nossa Senhora das Graças. Sem mencionar Flávio Bolsonaro nominalmente na publicação, Caiado disse que lhe causava preocupação ver alguém querer apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil.
A polêmica ganhou força depois de uma informação apresentada no programa Em Pauta, da GloboNews, sobre uma suposta movimentação para alterar o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A emissora posteriormente corrigiu a informação e pediu desculpas, esclarecendo que o projeto mencionado havia sido apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte. Mesmo após a correção, o assunto continuou circulando nas redes sociais e passou a integrar o debate entre os candidatos.
Caiado defende Nossa Senhora Aparecida durante a campanha
Na mensagem publicada, Caiado relacionou sua manifestação à própria experiência religiosa e ao significado atribuído à fé em momentos de dificuldade. O candidato afirmou que aprendeu desde cedo a encontrar na fé força, esperança e consolo. Em seguida, destacou que Nossa Senhora Aparecida representa a fé de milhões de mães, pais e famílias brasileiras.
Caiado também afirmou que uma eventual mudança na legislação não seria capaz de eliminar o significado religioso da santa para os fiéis. “Podem mudar uma lei, podem tentar apagar um título”, escreveu o candidato antes de concluir sua mensagem com a frase sobre Nossa Senhora permanecer no coração dos brasileiros. A declaração foi feita em um momento no qual a discussão sobre religião passou a ocupar espaço significativo na reta final da campanha presidencial.
No domingo (27), Caiado voltou a abordar o assunto após participar de uma missa em Goiânia, em uma paróquia dedicada a Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges. Na ocasião, ele criticou o que chamou de “enfrentamento político-religioso” e defendeu que as disputas eleitorais não fossem levadas para o campo da fé. O candidato também afirmou que todas as religiões deveriam ser respeitadas e que o Estado deveria garantir a liberdade religiosa.
Projeto de 2007 voltou ao centro da controvérsia
A origem da discussão está relacionada ao Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro e substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto acabou sendo arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008 e não teve autoria de Flávio Bolsonaro.
A associação entre o projeto antigo e Flávio Bolsonaro passou a circular durante a campanha de 2026, mas o candidato do PL negou ter apoiado ou defendido uma medida para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. A controvérsia chegou à Justiça Eleitoral, e o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de conteúdos que apresentavam a alegação como verdadeira. Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão de Mendonça e restabeleceu publicações que haviam sido suspensas.
A repercussão do caso foi ampliada pela circulação do conteúdo em diferentes plataformas digitais. Segundo levantamento citado pela Agência Estado, o tema chegou a registrar 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações em um intervalo de 55 horas. A dimensão alcançada pela discussão fez com que a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida passasse a integrar as manifestações de diferentes candidatos na reta final da eleição.
A manifestação de Caiado na reta final da eleição
Ao comentar a controvérsia, Caiado também defendeu que a campanha presidencial não fosse transformada em uma disputa entre grupos religiosos. O candidato afirmou que o respeito às diferentes crenças deveria prevalecer e classificou como inadequado levar o confronto político para o campo religioso. A declaração ocorreu enquanto a circulação de informações sobre Nossa Senhora Aparecida permanecia no centro das discussões eleitorais.
A manifestação de Caiado acrescentou mais um posicionamento de candidato à controvérsia envolvendo a Padroeira do Brasil e Flávio Bolsonaro. Enquanto Flávio nega qualquer intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, o projeto que originou parte da discussão foi apresentado em 2007 por outro parlamentar e posteriormente arquivado. A legislação mencionada na polêmica continua reconhecendo Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.





