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Pesquisa no ABC expõe uma relação inesperada entre Lula e Haddad

Eleições: Lula ajuda mais Haddad do que Haddad ajuda Lula, diz especialista

Eleições: Lula ajuda mais Haddad no Grande ABC?

A disputa eleitoral no Grande ABC ganhou um componente importante para a leitura da corrida ao governo de São Paulo: a relação entre a força política de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o desempenho de Fernando Haddad (PT). Na região, formada por São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com 50% das intenções de voto, enquanto Haddad registra 44% no primeiro turno. O levantamento foi realizado pela Real Time Big Data com 2 mil eleitores e margem de erro de dois pontos percentuais. Nesse contexto, Bruno Soller, sócio do instituto, avaliou que existe uma forte aproximação entre os votos destinados a Lula e Haddad. Entretanto, na interpretação apresentada pelo analista, essa conexão eleitoral tende a favorecer mais o ex-ministro da Fazenda do que produzir um efeito equivalente em favor do presidente.

Lula e Haddad: proximidade eleitoral não significa influência igual

A ideia central apresentada por Soller é a de que Lula possui uma base eleitoral consolidada no ABC que acaba sendo transferida, em parte, para Haddad na disputa estadual. Ou seja, embora os dois candidatos estejam associados ao mesmo campo político e partidário, a origem dessa força eleitoral não seria necessariamente equivalente. Haddad, que já ocupou o cargo de prefeito de São Paulo e foi ministro da Fazenda, possui trajetória própria, mas, segundo a avaliação do especialista, sua presença nas regiões onde o lulismo é historicamente mais forte ainda depende significativamente da imagem do presidente. Dessa maneira, o chamado “casamento de votos” apontado por Soller deve ser entendido como uma relação de proximidade entre os desempenhos eleitorais, e não como uma demonstração de que os dois candidatos tenham exatamente a mesma base. Além disso, a influência de uma liderança nacional sobre uma candidatura estadual pode variar conforme renda, território, histórico político e percepção sobre a administração pública.

Desempenho de Lula no ABC e os sinais apontados pela pesquisa

Na corrida presidencial, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) no Grande ABC no levantamento mais recente: 43% contra 38% no primeiro turno. O cenário, porém, apresenta diferenças importantes entre os municípios. Lula lidera em São Bernardo do Campo, Diadema, Mauá e Rio Grande da Serra; Flávio aparece à frente em São Caetano do Sul; enquanto Santo André e Ribeirão Pires apresentam diferenças dentro da margem de erro. Portanto, o resultado regional não é homogêneo. Na comparação feita por Soller com a eleição anterior, o analista afirmou que a vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro teria diminuído em relação ao primeiro turno de 2022. Naquele pleito, Lula venceu em cinco das sete cidades do ABC e terminou a primeira etapa da eleição com vantagem regional sobre Bolsonaro. Assim, a avaliação apresentada pelo especialista é de que mudanças no comportamento do eleitorado precisam ser observadas mesmo em áreas historicamente associadas ao PT.

Custo de vida e segurança entram no centro da disputa

Além da relação entre Lula e Haddad, a análise de Soller chama atenção para dois assuntos que, segundo ele, aparecem entre as principais preocupações dos eleitores do Grande ABC: custo de vida e segurança pública. O primeiro tema afeta diretamente a percepção sobre renda, preços e capacidade de consumo das famílias. Já o segundo costuma influenciar tanto eleições majoritárias quanto disputas proporcionais, especialmente em regiões metropolitanas. Nesse ambiente, candidatos identificados com a pauta de segurança aparecem com destaque. Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado por São Paulo e ex-secretário estadual de Segurança Pública, registra 22% no levantamento do ABC, embora esteja tecnicamente próximo de outros concorrentes por causa da margem de erro. Orlando Morando (MDB), ex-prefeito de São Bernardo do Campo e candidato a deputado federal, também foi citado por Soller como nome bem posicionado. Dessa forma, a segurança pública passa a funcionar como um dos eixos capazes de reorganizar preferências eleitorais.

Eleições: Lula ajuda mais Haddad enquanto Tarcísio mantém vantagem?

Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, a fotografia eleitoral do Grande ABC mostra uma diferença menor do que a observada em outras pesquisas estaduais, mas ainda favorável a Tarcísio. O governador aparece com 50% contra 44% de Haddad no primeiro turno. Em uma eventual segunda rodada entre os dois, Tarcísio alcança 57%, enquanto Haddad fica com 39%. O resultado, entretanto, deve ser interpretado como um retrato do momento em que as entrevistas foram realizadas, e não como antecipação do resultado das urnas. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo SP-02538/2026 e possui intervalo de confiança de 95%. Além disso, a própria margem de erro precisa ser considerada antes de qualquer comparação mais detalhada entre candidatos. Assim, o dado mais relevante para a análise política é a composição do eleitorado e a maneira como as disputas nacional e estadual se cruzam na região.

Divisão do voto à direita muda a dinâmica entre Tarcísio e Haddad

Outro ponto destacado por Soller é a diferença na distribuição das candidaturas de direita e centro-direita. Na avaliação do analista, Tarcísio encontra um cenário no qual sua principal candidatura concorrente no campo ideológico aparece menos fragmentada. Já na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro divide parte do eleitorado com outros nomes, entre eles Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), que registram 5% cada no primeiro turno no ABC. Essa fragmentação pode produzir efeitos diferentes conforme a etapa da eleição. Segundo Soller, Tarcísio poderia contribuir para uma concentração posterior de votos em Flávio por meio do chamado voto útil, caso parte do eleitorado decida abandonar candidaturas com menor intenção de voto para apoiar um nome com maior presença na disputa. Trata-se, contudo, de uma avaliação sobre comportamento eleitoral, e não de uma previsão sobre o resultado final da eleição.

Lula, Haddad e a influência do eleitorado da capital paulista

A mesma discussão, segundo Soller, pode ser observada na cidade de São Paulo. Haddad foi prefeito da capital e deixou marcas de sua administração, entre elas políticas de mobilidade urbana, como a implantação de corredores de ônibus. Entretanto, a avaliação apresentada pelo especialista é que esse histórico administrativo não explica sozinho o desempenho do petista em todas as regiões da cidade. Nas áreas periféricas, especialmente entre eleitores de menor renda, a identificação com Lula teria peso relevante na composição do voto em Haddad. A questão ajuda a explicar por que uma eleição estadual pode ser influenciada por fatores nacionais: o eleitor não necessariamente separa de maneira absoluta as disputas por governador e presidente. Portanto, a análise sobre Lula e Haddad envolve não apenas preferência partidária, mas também identificação política, avaliação de governos, percepção econômica e características específicas de cada território.

O que a relação entre Lula e Haddad revela sobre a eleição

O cenário do Grande ABC mostra, portanto, uma eleição marcada por diferentes camadas de influência. De um lado, Lula continua apresentando força eleitoral relevante na região, embora o levantamento atual mostre uma disputa presidencial mais competitiva do que a imagem tradicional de um reduto petista poderia sugerir. De outro, Haddad mantém presença expressiva na corrida estadual, mas, conforme a interpretação de Bruno Soller, parte desse desempenho estaria associada diretamente à força política de Lula. Ao mesmo tempo, Tarcísio preserva vantagem sobre Haddad no ABC, enquanto a segurança pública e o custo de vida aparecem como temas capazes de interferir nas escolhas dos eleitores. Por fim, os dados reforçam que eleições proporcionais, estaduais e presidenciais não ocorrem de maneira isolada: candidatos, partidos, lideranças nacionais e questões locais podem se influenciar mutuamente. Ainda assim, como toda pesquisa eleitoral representa apenas um recorte temporal, o comportamento do eleitorado poderá mudar até a votação.

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Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

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