Campanha do senador acha que alguns candidatos deveriam desistir e apoiar Flávio

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) aumentou a pressão para que candidatos da direita desistam da disputa presidencial antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Segundo o PlatôBR, do Estado de Minas, a estratégia passou a mirar principalmente Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). A movimentação ocorre durante a última semana de campanha, quando os principais candidatos intensificam as articulações em busca de votos e apoios.
De acordo com a publicação assinada pelo jornalista Diego Amorim, a campanha de Flávio pretende aproveitar o que seus integrantes consideram uma “onda” para tentar concentrar votos nos próximos dias. A intenção é transformar eventuais apoios de outros candidatos em votos para o nome do PL ainda no primeiro turno. A articulação acontece enquanto pesquisas recentes mostram Lula e Flávio à frente dos demais concorrentes, embora os percentuais variem entre os institutos.
A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (28), por exemplo, mostrou Lula com 42% e Flávio com 37% no cenário estimulado de primeiro turno. Na mesma pesquisa, Augusto Cury e Ronaldo Caiado apareceram com 5% cada, Renan Santos teve 4% e Romeu Zema registrou 1%. Já o Datafolha apontou Lula com 40% e Flávio com 36%, enquanto Cury tinha 5%, Caiado 4%, Renan 3% e Zema 1%.
Campanha de Flávio busca concentrar apoios
Entre os nomes acompanhados pela campanha de Flávio está Ronaldo Caiado, governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência. Segundo o PlatôBR, o PSD e seu presidente nacional, Gilberto Kassab, devem manter uma posição de neutralidade, mas Caiado deverá declarar apoio ao candidato do PL. A reportagem informa ainda que existe pressão para que essa manifestação ocorra rapidamente, antes da votação do primeiro turno.
A possibilidade de apoio de Caiado ganhou espaço nas articulações da reta final porque o candidato do PSD também disputa o eleitorado identificado com a direita. Em setembro, a CNN Brasil já havia informado que a campanha de Caiado monitorava uma ofensiva do grupo de Flávio para atrair eleitores de candidatos como Zema e Cury. Segundo integrantes das campanhas ouvidos pela CNN, o movimento era interpretado como uma tentativa de concentrar votos em Flávio nos últimos dias antes da eleição.
A situação envolvendo Augusto Cury também entrou no radar da campanha do PL. O deputado federal Luis Tibé, presidente do Avante, partido de Cury, estaria sendo pressionado por integrantes das duas campanhas que aparecem à frente nas pesquisas, segundo o PlatôBR. A reportagem afirma, porém, que os interlocutores de Flávio têm exercido uma pressão maior pela desistência ou pelo apoio do candidato do Avante.
Romeu Zema também é alvo das articulações
Outro nome citado na estratégia é Romeu Zema, candidato do Novo à Presidência da República. Conforme a reportagem do PlatôBR, o PL mantém há algum tempo as tentativas para que Zema deixe a disputa e apoie Flávio Bolsonaro. A articulação, portanto, não teria começado apenas nos últimos dias da campanha, mas foi intensificada diante da proximidade do primeiro turno.
O cenário eleitoral ajuda a explicar por que as candidaturas passaram a ser pressionadas por mudanças de posicionamento na reta final. No levantamento BTG/Nexus, Cury e Caiado aparecem com 5% cada no primeiro turno, enquanto Renan Santos registra 4% e Zema, 1%. No Datafolha divulgado nesta segunda-feira, os quatro candidatos também aparecem atrás de Lula e Flávio, com 5%, 4%, 3% e 1%, respectivamente.
Apesar das articulações, nem todos os candidatos da direita foram procurados pelo grupo de Flávio. O PlatôBR informa que Renan Santos, do Missão, não recebeu uma abordagem para desistir da candidatura. Segundo a publicação, a campanha de Flávio não teria procurado Renan porque sua posição diante de uma eventual proposta já seria conhecida.
Reta final concentra disputa por votos
A ofensiva ocorre em um momento de forte concentração da disputa presidencial entre os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições dos levantamentos. No cenário de segundo turno do BTG/Nexus, Lula registra 46% e Flávio Bolsonaro aparece com 44%, diferença que está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No Datafolha, a simulação mostra Lula com 47% e Flávio com 45%, também dentro da margem de erro de dois pontos.
Com o primeiro turno marcado para domingo (4), as campanhas entram nos últimos dias para consolidar seus votos e ampliar suas alianças. A estratégia de buscar desistências representa uma das formas de articulação adotadas pelo grupo de Flávio para tentar reunir apoios de outros candidatos antes da votação. As decisões de Caiado, Cury, Zema e dos demais concorrentes poderão alterar as alianças políticas na reta final, mas cada candidatura mantém suas próprias posições e estratégias eleitorais.





