Últimas Notícias

Faltando poucos dias para a eleição, aliados de Flávio temem que notícia falsa prejudique a campanha

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro passou a enfrentar uma nova crise nos últimos dias antes do primeiro turno, desta vez envolvendo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida. Segundo a coluna da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, aliados do candidato classificaram como “desastrosa” a forma como o episódio foi conduzido, especialmente depois de uma declaração feita pelo próprio senador durante um ato em Goiânia. A avaliação atribuída aos aliados é que uma situação inicialmente concentrada no desmentido da informação acabou ganhando uma dimensão política maior após a CNBB ter sido envolvida na discussão.

O episódio começou após circular nas redes sociais uma informação de que Flávio Bolsonaro teria intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O próprio candidato negou a existência de qualquer proposta nesse sentido e classificou a informação como falsa, enquanto sua equipe jurídica buscou medidas para impedir a associação do nome do senador à suposta iniciativa. Entretanto, durante uma agenda política em Goiânia, Flávio afirmou que a disseminação da informação teria contado com a ajuda de pessoas de dentro da CNBB, atribuição que provocou uma reação imediata da entidade religiosa.

A CNBB negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração e divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. Em nota divulgada no domingo, a entidade afirmou que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição e declarou que não integra estruturas político-partidárias. Dessa forma, a crise passou a envolver não apenas a origem da informação falsa, mas também o confronto público entre um candidato à Presidência e uma das principais entidades representativas da Igreja Católica no país.

Reação desastrosa amplia crise envolvendo Flávio Bolsonaro e a CNBB

De acordo com a apuração da CNN Brasil, pessoas próximas a Flávio Bolsonaro consideraram que a acusação contra integrantes da CNBB não fazia parte da estratégia inicialmente estabelecida para enfrentar o episódio. Esses aliados atribuíram a declaração ao cansaço e à pressão enfrentada pelo candidato durante a reta final da campanha, período em que faltavam apenas seis dias para o primeiro turno. Além disso, a avaliação interna mencionada pela reportagem é que o confronto com a entidade religiosa poderia fornecer ao adversário um novo assunto para exploração política.

A campanha de Flávio já havia adotado uma orientação para reduzir declarações públicas de aliados e evitar novas controvérsias nos últimos dias da disputa. Segundo a CNN, o próprio candidato deveria falar de improviso em determinadas situações, mas o episódio envolvendo a CNBB acabou produzindo uma declaração que, segundo pessoas próximas, não estava prevista no roteiro de reação à crise. Assim, a estratégia de controlar a comunicação eleitoral passou a ser colocada à prova justamente em um momento de elevada exposição pública.

Enquanto isso, a repercussão da declaração ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (28). Questionado sobre a acusação, Flávio agradeceu a nota divulgada pela CNBB e afirmou que não opina sobre regras da Igreja Católica, mas não respondeu quando foi perguntado se estava arrependido de ter feito a acusação contra a entidade. Paralelamente, o candidato voltou a sustentar que a informação sobre Nossa Senhora Aparecida era falsa e afirmou que a manifestação da CNBB havia esclarecido esse ponto.

Crise com a CNBB ocorre na reta final das eleições de 2026

A crise ganhou importância adicional por ocorrer poucos dias antes da votação do primeiro turno. Segundo a apuração publicada pela CNN Brasil, aliados de Flávio temem que o episódio produza um desgaste semelhante ao provocado por outra crise enfrentada pela campanha ao longo do ano, relacionada à divulgação de áudios envolvendo o candidato e Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master. A comparação, entretanto, é uma avaliação atribuída aos aliados do candidato e não uma medição independente do impacto eleitoral dos dois episódios.

O caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida também chegou à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal. Após a circulação da informação falsa, a equipe jurídica de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral, e o ministro André Mendonça determinou a indisponibilização de 1.170 links que reproduziam o conteúdo delimitado em sua decisão; posteriormente, o ministro Flávio Dino derrubou a medida relacionada a uma publicação específica e encaminhou o caso ao plenário. A disputa jurídica acrescentou uma nova dimensão ao episódio, que passou a envolver liberdade de expressão, desinformação eleitoral e decisões judiciais.

A CNBB, por sua vez, procurou separar sua atuação institucional de qualquer atividade político-partidária. Na nota divulgada no domingo, a entidade declarou que suas manifestações eleitorais decorrem de sua missão pastoral e de princípios relacionados à dignidade humana, ao bem comum, à democracia e à liberdade de consciência. Portanto, a posição oficial apresentada pela instituição foi de rejeição tanto à produção de informações falsas quanto à acusação de que teria participado da disseminação do conteúdo contra Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro enfrenta novo momento de pressão antes do primeiro turno

O episódio ocorre simultaneamente a uma fase de intensa movimentação das campanhas presidenciais, que procuram conquistar eleitores indecisos nos últimos dias antes da votação. Segundo análise divulgada pela CNN Brasil nesta segunda-feira, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram esforços nesse segmento do eleitorado, enquanto também trabalham para consolidar suas respectivas bases. Nesse contexto, qualquer nova crise de comunicação passou a ser acompanhada pelas campanhas devido ao curto intervalo existente até o primeiro turno.

A reação considerada “desastrosa” por aliados, portanto, está relacionada principalmente à decisão de envolver a CNBB na discussão sobre a informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Enquanto Flávio afirma que nunca existiu proposta para retirar o título de Padroeira do Brasil, a CNBB nega participação na disseminação do boato e contesta acusações feitas sem apresentação de provas. Com a eleição se aproximando, o episódio permanece no centro da agenda política e deverá continuar sendo acompanhado pelas campanhas e pelos eleitores nos próximos dias.

Mostrar mais

Welesson Oliveira

Welesson Oliveira é jornalista brasileiro, especializado em política, combate à corrupção, segurança pública e geopolítica. Atua no jornalismo independente com foco em análises, reportagens investigativas e cobertura dos principais fatos do Brasil e do mundo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *