Preocupada com o crescimento da violência contra a mulher, Alê Silva quer investir nas casas de apoio

A candidata a deputada estadual por Minas Gerais Alê Silva assumiu, durante agenda em Ipatinga, o compromisso de apoiar a ampliação do atendimento oferecido às mulheres vítimas de violência doméstica. A proposta prevê o fortalecimento das casas de apoio destinadas a acolher mulheres que enfrentam situações de agressão e precisam de proteção, orientação e assistência para romper o ciclo de violência. Alê Silva afirmou que, caso seja eleita para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, pretende atuar para ampliar essa estrutura de atendimento no estado.
O compromisso foi apresentado como uma das frentes de atuação da candidata na área de proteção às mulheres. As casas de apoio podem representar uma etapa importante para mulheres que precisam deixar temporariamente o ambiente onde sofreram violência, especialmente quando existe risco de novas agressões. Em Minas Gerais, a rede pública já conta com serviços especializados de atendimento psicossocial, orientação jurídica e encaminhamento para outros mecanismos de proteção.
A dimensão do problema também aparece nos registros oficiais de Minas Gerais. Dados consolidados no Plano Estadual de Combate à Violência contra a Mulher apontaram 743.044 registros de vítimas de crimes contra mulheres relacionados à violência doméstica entre 2020 e 2024, sendo 153.599 somente em 2024. Nesse período, a violência física somou 262.445 registros e a psicológica alcançou 246.295, mostrando a variedade de situações que precisam ser enfrentadas pela rede de proteção.
Apoio às casas de proteção para mulheres
A proposta defendida por Alê Silva está relacionada à necessidade de ampliar os caminhos disponíveis para mulheres que procuram ajuda depois de sofrer violência. O atendimento especializado pode envolver acolhimento, orientação sobre direitos, encaminhamento jurídico, acompanhamento psicológico e acesso a medidas de proteção. Em Minas Gerais, o Centro Estadual Risoleta Neves de Atendimento às Mulheres, por exemplo, oferece atendimento psicossocial e orientação jurídica para mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
As casas de apoio também possuem importância para situações nas quais permanecer na residência representa um risco para a vítima. Estruturas desse tipo podem proporcionar acolhimento temporário e encaminhamento para outros serviços públicos, permitindo que a mulher receba orientação enquanto busca alternativas para reorganizar sua vida. A rede estadual prevê ainda encaminhamentos para casas-abrigo e outros serviços especializados, conforme as necessidades identificadas em cada caso.
Nesse contexto, a ampliação do atendimento defendida pela candidata envolve uma estrutura que vai além do simples acolhimento emergencial. A proteção pode exigir integração entre assistência social, segurança pública, saúde, orientação jurídica e políticas de autonomia econômica. Dessa maneira, o fortalecimento das casas de apoio pode ser associado a uma rede capaz de acompanhar diferentes etapas enfrentadas pela mulher depois da denúncia ou do afastamento de uma situação de violência.
Violência doméstica exige rede de atendimento
A violência doméstica pode provocar consequências físicas, psicológicas, sociais e financeiras, o que torna necessário um atendimento que considere diferentes aspectos da vida da vítima. O próprio governo de Minas define a violência doméstica como ação ou omissão que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, além de dano moral ou patrimonial à mulher no âmbito doméstico e familiar. Por isso, os serviços de proteção precisam estar preparados para situações que apresentam características e níveis de risco diferentes.
Além do atendimento presencial, Minas Gerais mantém mecanismos destinados a facilitar o acesso das vítimas à rede de proteção. O aplicativo MG Mulher, por exemplo, reúne informações sobre serviços disponíveis no estado e permite a criação de uma rede de contatos para situações de risco. Também existem mecanismos para registro de determinadas ocorrências pela Delegacia Virtual, enquanto casos de emergência podem ser comunicados diretamente às forças de segurança.
A proposta apresentada em Ipatinga se insere, portanto, em uma discussão mais ampla sobre a capacidade de atendimento às mulheres vítimas de violência em Minas Gerais. Ao assumir o compromisso de apoiar a ampliação das casas de apoio, Alê Silva coloca a estrutura de acolhimento entre os temas que pretende levar para a Assembleia Legislativa caso seja eleita. A iniciativa também está relacionada à necessidade de fortalecer a articulação entre os serviços existentes e as mulheres que precisam deles.
Projeto para mães atípicas também está entre as propostas
Outra proposta apresentada por Alê Silva envolve as chamadas mães atípicas, com foco na criação de políticas públicas destinadas ao acolhimento psicológico e à formação de redes de apoio e assistência. A iniciativa parte do entendimento de que as mães responsáveis pelos cuidados de pessoas com neuroatipicidade também precisam receber acompanhamento e suporte. O projeto prevê ações voltadas à saúde mental dessas mulheres, considerando sua relação com o desenvolvimento e a qualidade de vida dos filhos.
Entre as medidas previstas está a criação de uma secretaria intersetorial voltada especificamente para a neurodivergência. A estrutura teria como objetivo integrar ações das áreas de saúde, educação, assistência social e cultura, reunindo políticas que atualmente podem estar distribuídas entre diferentes setores da administração pública. A proposta também contempla pessoas que não tenham suas funcionalidades preservadas em razão de sua neuroatipicidade, com a intenção de ampliar a rede de atendimento e acompanhamento.
As duas propostas apresentadas pela candidata têm como ponto de aproximação a criação e o fortalecimento de redes de apoio para grupos que enfrentam necessidades específicas. No caso das mulheres vítimas de violência, o compromisso anunciado em Ipatinga está concentrado na ampliação do atendimento das casas de apoio; no projeto para mães atípicas, a prioridade está na assistência psicológica, na integração dos serviços públicos e na formação de redes de suporte. Caso seja eleita deputada estadual, Alê Silva pretende levar essas pautas para o debate no Legislativo mineiro e buscar mecanismos de implementação dentro das atribuições do estado.





