Simone Tebet reagiu à declaração de Eduardo Bolsonaro e avisou que vai acionar o Ministério Público Eleitoral

A candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) reagiu nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, a declarações feitas pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante a campanha eleitoral. O episódio começou depois que Tebet criticou a decisão do ex-ministro Ricardo Salles, do Novo, de desistir da candidatura ao Senado para apoiar André do Prado, do PL, e Guilherme Derrite, do PP. Em resposta, Eduardo publicou um vídeo nas redes sociais no qual chamou Tebet de “vassala” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que ela “se prostitui por cargo”, segundo informações divulgadas pelo Estado de Minas e por outros veículos.
A declaração de Eduardo provocou uma reação imediata da campanha de Tebet, que decidiu recorrer à Justiça Eleitoral para pedir a retirada do conteúdo publicado nas redes sociais. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou, em decisão liminar, que a publicação fosse removida no prazo de 24 horas, estabelecendo multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento, limitada a 30 dias. A decisão foi tomada pelo juiz auxiliar Ronnie Herbert Barros Soares após o pedido apresentado pela campanha da candidata.
Além da medida judicial, a campanha informou que pretende encaminhar uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral para que seja analisada a possibilidade de violência política contra a mulher. Tebet afirmou que não pretende se intimidar e classificou Eduardo como “covarde”, argumentando que ataques dessa natureza fazem parte de episódios que ela identifica como violência política de gênero. Dessa maneira, uma discussão inicialmente relacionada à formação da chapa para o Senado em São Paulo passou a envolver também a Justiça Eleitoral e a legislação que trata da participação das mulheres na política.
Tebet reage a ataque de Eduardo Bolsonaro após crítica a Salles
A origem do confronto está em uma manifestação publicada por Simone Tebet nas redes sociais na segunda-feira, 28 de setembro. Na ocasião, a candidata comentou a decisão de Ricardo Salles de abandonar sua candidatura ao Senado por São Paulo e apoiar André do Prado e Guilherme Derrite, nomes ligados ao grupo político do governador Tarcísio de Freitas. Tebet afirmou que Salles havia “se rendido ao Centrão” e apresentou sua própria candidatura como uma opção de independência na disputa pelo Senado.
Eduardo Bolsonaro respondeu à publicação defendendo a decisão de Salles e apresentou outra interpretação para a retirada da candidatura. Segundo o ex-deputado, a desistência teria como objetivo evitar a divisão dos votos do eleitorado de direita entre três candidatos, o que, em sua avaliação, poderia favorecer candidatos de esquerda. No vídeo, além de criticar Tebet por sua posição, Eduardo recuperou uma declaração da candidata feita durante a campanha presidencial de 2022 e a relacionou à posterior participação dela no governo Lula como ministra do Planejamento.
Na sequência, Eduardo afirmou que, depois das eleições, haveria mudanças de comportamento político relacionadas à busca por cargos e ministérios, utilizando a expressão de natureza sexual contra Tebet que provocou a reação da candidata. A campanha da ex-ministra considerou que a declaração ultrapassou o campo da divergência política e pediu sua retirada das plataformas digitais. O TRE-SP acolheu provisoriamente o pedido e determinou a remoção do vídeo, destacando, segundo informações sobre a decisão, que críticas políticas podem ser feitas durante o período eleitoral, mas a manifestação questionada teria ultrapassado esses limites ao atingir a candidata com conteúdo considerado sexista.
Justiça Eleitoral determina retirada de vídeo contra Tebet
Na decisão liminar, o TRE-SP determinou que a Meta, responsável pelas plataformas digitais envolvidas, retirasse o conteúdo dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. A medida foi tomada em caráter provisório, o que significa que o caso ainda poderá receber novas decisões durante a tramitação do processo. A determinação também estabeleceu uma multa diária de R$ 1 mil, limitada a 30 dias, caso a ordem de remoção não seja cumprida.
A legislação eleitoral brasileira possui regras específicas sobre violência política contra mulheres e sobre manifestações que possam atingir candidatas em razão de sua condição feminina. A campanha de Tebet pretende utilizar esse marco jurídico ao encaminhar o caso ao Ministério Público Eleitoral, que poderá avaliar os fatos e decidir sobre eventuais providências dentro de suas atribuições. Segundo a equipe da candidata, a intenção é impedir a continuidade da divulgação do conteúdo e verificar se a manifestação pode ser enquadrada nas normas que protegem mulheres durante a disputa eleitoral.
O episódio ocorre durante a reta final das eleições de 2026 e envolve dois personagens que ocupam posições diferentes na disputa política paulista. Simone Tebet é candidata ao Senado pelo PSB e já exerceu os cargos de senadora por Mato Grosso do Sul e ministra do Planejamento no governo Lula, enquanto Eduardo Bolsonaro é ex-deputado federal pelo PL de São Paulo e teve o mandato cassado, conforme registrado nas reportagens sobre o caso. Com a intervenção da Justiça Eleitoral e o anúncio de uma possível apuração pelo Ministério Público Eleitoral, o confronto passou a ter consequências que ultrapassam as manifestações publicadas nas redes sociais.
Reação de Tebet amplia debate sobre ataques durante eleição
Após a retirada determinada pelo TRE-SP, Tebet divulgou uma nota na qual afirmou que não é a primeira vez que enfrenta o que considera violência política de gênero. A candidata declarou que não pretende baixar a cabeça nem aceitar ser silenciada e classificou Eduardo Bolsonaro como “um covarde que ataca protegido pela distância e por um exército digital propagador de discurso de ódio”. A campanha também informou que encaminhará notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral para que o episódio seja analisado sob a perspectiva da violência política contra a mulher.
O caso, portanto, passou a reunir uma disputa política sobre alianças eleitorais, uma troca de acusações nas redes sociais e uma decisão judicial determinando a retirada de uma publicação. Enquanto Eduardo Bolsonaro apresentou sua crítica à atuação política de Tebet e à decisão de Salles, a candidata afirmou que a forma utilizada para atacá-la ultrapassou os limites da divergência política e assumiu caráter de violência política de gênero. A Justiça Eleitoral, por sua vez, determinou provisoriamente a remoção do vídeo, enquanto uma eventual apuração pelo Ministério Público Eleitoral ainda deverá avaliar os fatos e seu possível enquadramento jurídico.





