Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad trocaram farpas no último debate antes do primeiro turno

Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) participaram na noite de terça-feira, 29 de setembro, do último debate antes do primeiro turno das eleições para o governo de São Paulo. Promovido pela TV Globo, o encontro ocorreu cinco dias antes da votação e colocou frente a frente o atual governador e o ex-ministro da Fazenda. Segurança pública, saúde, educação, contas estaduais, transporte e privatizações estiveram entre os temas discutidos.
O confronto também foi marcado pela presença de assuntos relacionados à política nacional, com referências aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Haddad utilizou parte de suas intervenções para questionar decisões e ações associadas à gestão de Tarcísio, que foi ministro da Infraestrutura durante o governo Bolsonaro. O governador, por sua vez, criticou a administração de Haddad na Prefeitura de São Paulo e também fez referências ao período em que o petista comandou o Ministério da Fazenda.
Um dos principais pontos de tensão envolveu acusações relacionadas ao crime organizado e ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Haddad questionou Tarcísio sobre o apoio político dado aos filhos do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, preso em setembro em uma investigação sobre suposta infiltração da organização criminosa no setor de transporte coletivo. Tarcísio respondeu que a relação com a família Leite sempre foi institucional e afirmou que nenhum integrante da família fazia parte do governo paulista.
PCC e Milton Leite entram no centro do debate
A discussão sobre Milton Leite ganhou espaço depois que Haddad mencionou um evento de campanha realizado em 30 de agosto, no qual Tarcísio havia pedido votos para integrantes da família do ex-vereador. O petista questionou se o governador tinha conhecimento de que Milton Leite poderia ser alvo de uma investigação que posteriormente resultaria em sua prisão. Tarcísio rebateu a cobrança e afirmou que não havia relação entre a família Leite e a administração estadual.
Tarcísio também apresentou críticas direcionadas a Haddad e citou uma aparição do adversário em um evento na Favela do Moinho, na capital paulista. Segundo a cobertura do debate, o governador relacionou o episódio a Alessandra Moja, apontada pelo Ministério Público como liderança do PCC na região, enquanto Haddad havia utilizado a presença de integrantes do grupo político ligado a Milton Leite para questionar Tarcísio. As referências ao crime organizado, portanto, foram utilizadas pelos dois candidatos para contestar as relações políticas do adversário.
A segurança pública foi discutida desde o primeiro bloco, com Tarcísio defendendo ações realizadas pelas forças policiais durante seu governo. O governador citou operações contra o PCC, medidas adotadas na região da Cracolândia e resultados apresentados por sua administração na área criminal. Haddad, por outro lado, questionou a atuação do governo estadual e mencionou problemas relacionados à estrutura das forças de segurança.
Saúde, contas públicas e gestão estadual
Na discussão sobre saúde, os candidatos também apresentaram interpretações diferentes sobre a participação dos governos federal e estadual no financiamento de políticas públicas. Tarcísio citou recursos enviados durante o governo Bolsonaro e afirmou que a União havia contribuído para a área da saúde paulista. Haddad rebateu mencionando ações do governo Lula e afirmou que a renegociação da dívida do estado havia sido realizada pela atual administração federal.
As contas públicas e a situação financeira de São Paulo também foram utilizadas como argumento durante o confronto. Tarcísio defendeu medidas adotadas em sua gestão e atribuiu parte das dificuldades econômicas a questões que ultrapassariam o âmbito estadual. Haddad procurou destacar recursos federais destinados a São Paulo e apresentou sua interpretação sobre a responsabilidade da União em projetos realizados no estado.
A privatização de empresas estaduais também apareceu entre os temas discutidos durante o debate. Haddad criticou processos de desestatização realizados ou defendidos pela administração Tarcísio, enquanto o governador apresentou argumentos favoráveis às medidas adotadas durante sua gestão. Educação, transporte e políticas voltadas às mães de crianças com transtorno do espectro autista também fizeram parte das discussões entre os candidatos.
Debate em São Paulo termina com forte nacionalização
Ao longo dos quatro blocos, a disputa estadual foi frequentemente associada à eleição presidencial e aos grupos políticos apoiados pelos dois candidatos. Tarcísio defendeu ações realizadas durante o governo Bolsonaro e citou o prefeito Ricardo Nunes em diferentes momentos, enquanto Haddad destacou medidas do governo Lula e criticou a proximidade do governador com a família Bolsonaro. O debate acabou, assim, combinando propostas para São Paulo com discussões sobre a política nacional.
Nas considerações finais, Haddad voltou a fazer críticas ao grupo político ligado a Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, enquanto Tarcísio reafirmou seu apoio ao senador. O confronto encerrou a série de debates entre os dois candidatos antes do primeiro turno, depois de outras agendas eleitorais realizadas ao longo da campanha. A votação para o governo paulista ocorrerá no domingo, 4 de outubro, junto com os demais cargos das eleições de 2026.





