Meio/Ideia revela empate inédito na aprovação de Lula; veja os números

Meio/Ideia: Lula é aprovado por 49%; desaprovação também é de 49%
A nova pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 30 de setembro, mostra um cenário de divisão praticamente exata na avaliação dos eleitores sobre a atuação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República. Segundo o levantamento, 49% dos entrevistados afirmam aprovar a maneira como Lula conduz seu trabalho, enquanto outros 49% dizem desaprovar. Os 2% restantes não souberam ou não quiseram responder. Portanto, pela primeira vez na série histórica iniciada em janeiro, os dois indicadores aparecem exatamente no mesmo patamar numérico. O resultado chama atenção porque ocorre poucos dias antes do primeiro turno das Eleições 2026 e revela um eleitorado dividido na avaliação pessoal do presidente. Além disso, a pesquisa mostra que a percepção sobre o governo como um todo permanece mais negativa do que positiva, o que evidencia a diferença entre aprovar a atuação do presidente e considerar satisfatória a administração federal.
Meio/Ideia: Lula é aprovado e desaprovado na mesma proporção
O empate de 49% representa uma mudança importante em relação ao início do ano, embora a trajetória da pesquisa tenha mostrado oscilações sucessivas dentro de um intervalo relativamente estreito. Em janeiro, 47% aprovavam a maneira como Lula trabalhava como presidente e 50% desaprovavam. Em fevereiro, os índices foram de 46,6% e 51,4%, respectivamente, enquanto em março chegaram a 47,2% e 50,5%. Já em abril, a aprovação ficou em 45%, diante de 51% de desaprovação. O ponto mais negativo da série ocorreu na primeira rodada de maio, quando 44% aprovavam e 53% desaprovavam. Depois disso, houve recuperação gradual: na rodada seguinte de maio, foram 46,6% contra 51,4%; em julho, 46,5% contra 48,5%; e, em agosto, 48,5% contra 49%. Agora, portanto, a distância foi eliminada numericamente, chegando a 49% para cada lado.
Meio/Ideia: Lula é aprovado, mas avaliação do governo permanece dividida
Além da pergunta sobre aprovação pessoal do presidente, o levantamento também mediu como os eleitores classificam o governo federal de maneira geral. Nesse quesito, 14% consideram a administração “ótima” e 21,3% a classificam como “boa”. Somadas, as avaliações positivas chegam a 35,3%. Na outra ponta, 12% dizem que o governo é “ruim” e 29% avaliam a gestão como “péssima”, totalizando 41% de avaliações negativas. Outros 21% consideram o governo regular, enquanto 2,9% não souberam responder. Dessa maneira, existe uma diferença relevante entre os dois indicadores: a aprovação do trabalho de Lula chega a 49%, mas a avaliação positiva da administração fica abaixo desse percentual. Essa distinção é importante porque uma pessoa pode aprovar a maneira como o presidente desempenha sua função e, ao mesmo tempo, considerar que determinados resultados ou áreas do governo não são satisfatórios.
Aprovação e avaliação do governo não são a mesma coisa
Do ponto de vista metodológico, as duas perguntas procuram medir percepções diferentes. A aprovação procura identificar como o entrevistado avalia a maneira pela qual Lula desempenha seu trabalho como presidente. Já a classificação entre “ótimo”, “bom”, “regular”, “ruim” e “péssimo” busca captar uma percepção mais ampla sobre a administração federal. Assim, os números não devem ser simplesmente somados ou tratados como indicadores equivalentes. No levantamento de setembro, por exemplo, 49% aprovam Lula, enquanto apenas 35,3% classificam o governo como ótimo ou bom. Ao mesmo tempo, 41% consideram a gestão ruim ou péssima. Portanto, o resultado sugere que a imagem do presidente e a avaliação da administração não são necessariamente construídas pelos eleitores da mesma maneira. Esse aspecto também ajuda a explicar por que pesquisas podem apresentar diferenças entre aprovação presidencial e avaliação geral do governo.
Pesquisa Meio/Ideia mostra mudança ao longo de 2026
A evolução dos números indica que a diferença entre aprovação e desaprovação foi diminuindo gradualmente ao longo do ano. O pior momento para Lula, nesse indicador, havia sido registrado na primeira rodada de maio, quando a desaprovação chegou a 53% e a aprovação caiu para 44%, uma distância de nove pontos percentuais. Posteriormente, porém, a diferença foi reduzida. Em agosto, por exemplo, a aprovação havia chegado a 48,5%, enquanto a desaprovação estava em 49%. Em setembro, depois de uma oscilação para 46,5% de aprovação e 48,4% de desaprovação no levantamento anterior, o novo estudo trouxe 49% para ambos os grupos. Isso significa que, dentro da série do instituto, a distância numérica entre os dois indicadores chegou a zero. Entretanto, é importante observar que variações pequenas em pesquisas devem ser interpretadas considerando a margem de erro, e não apenas a diferença nominal entre percentuais.
Metodologia explica o empate registrado pela pesquisa
Para chegar aos resultados, a Meio/Ideia entrevistou 2.000 eleitores por telefone entre os dias 25 e 28 de setembro de 2026. O levantamento possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Canal Meio e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-08706/2026. Esses dados técnicos são fundamentais para a interpretação dos resultados. Isso porque o empate de 49% para 49% é um resultado numérico da amostra, mas não significa que seja possível afirmar que exatamente metade do eleitorado brasileiro aprova e a outra metade desaprova Lula. Considerando a margem de erro, os percentuais estimam o comportamento da população pesquisada dentro de uma faixa estatística. Além disso, pesquisas eleitorais retratam o cenário no período em que as entrevistas foram realizadas e não constituem uma previsão sobre o comportamento futuro dos eleitores.
Lula chega à reta final da campanha com eleitorado dividido
A divulgação do levantamento ocorre em uma etapa particularmente importante do calendário eleitoral, já que as entrevistas foram realizadas entre 25 e 28 de setembro, poucos dias antes do primeiro turno. Paralelamente, outros indicadores da mesma pesquisa também apontaram uma disputa presidencial bastante equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). No cenário estimulado de primeiro turno, Lula apareceu com 39,4%, enquanto Flávio registrou 38,4%, diferença de um ponto percentual, dentro da margem de erro. Em um eventual segundo turno entre os dois, o levantamento registrou 48,5% para Lula e 48% para Flávio, também em empate técnico. Esses números, contudo, devem ser interpretados como uma fotografia do momento da pesquisa, e não como indicação de resultado eleitoral. Assim, a aprovação presidencial de 49% precisa ser analisada dentro de um quadro mais amplo, marcado por forte divisão do eleitorado e por diferenças significativas na avaliação do governo.
Meio/Ideia: Lula é aprovado por 49%, mas cenário continua aberto
O principal dado da nova rodada é, portanto, o empate exato entre aprovação e desaprovação da maneira como Lula exerce a Presidência. Pela primeira vez desde o início da série histórica da Meio/Ideia, os dois grupos aparecem com 49%, enquanto 2% não responderam. Ao mesmo tempo, a avaliação geral do governo continua apresentando saldo negativo: 35,3% classificam a administração como ótima ou boa, contra 41% que a consideram ruim ou péssima. Desse modo, os resultados mostram uma realidade mais complexa do que um único percentual pode indicar. Houve uma aproximação progressiva entre aprovação e desaprovação ao longo de 2026, mas a percepção sobre a qualidade da gestão permanece dividida. Além disso, como as entrevistas foram realizadas antes do primeiro turno, novas informações, acontecimentos políticos e decisões de campanha ainda podem alterar a percepção dos eleitores. Por isso, o levantamento deve ser compreendido como um retrato estatístico do momento, capaz de mostrar tendências e níveis de divisão, mas insuficiente, isoladamente, para determinar o resultado das urnas.




